quarta-feira, 6 de julho de 2011

A ENTREVISTA


A imprensa do Ceará não falava em outra coisa. Nos anos 80, faltando três meses para acabar o governo de Manoel de Castro ele já tinha assinado mais de 15 mil nomeações.


O repórter Nelson Faheina foi pautado pela TV Verdes Mares para suitar o escândalo.


- Governador, é verdade que o senhor nomeou 15 mil pessoas?


- É mentira. Nomeei trinta mil. São pessoas humildes e, como elas, vou ainda nomear muito mais. E não me pergunte mais nada. Não admito ninguém me cutucar com vara curta. E foi embora.

COPA LUZ


Do primeiro compacto simples gravado por Ramundo Fagner em parceria com Wilson Cirino, a música Copa Luz de autoria de Cirino e Sérgio Costa. No compacto, produzido por Nestor e Antonieta Bérgamo, está também a faixa título "Nova Conquista" de autoria de Fagner e Ricardo Bezerra. Fotos: arquivo Evangê Costa.

A RETRATAÇÃO



Ayrton Rocha nos manda essa historinha acontecida no Ceará e que foi contada na Tribuna de Imprensa em 23.03.99 pelo jornalista Sebastião Nery:


Heribaldo Costa, professor, jurista, cearense ilustre, era inimigo do diretor do "Diário do Povo", de Fortaleza, Jáder de Carvalho (pai do jornalista Cid Carvalho). Heribaldo foi à Europa, voltou. O "Diário do Povo" noticiou: "Chegou da Europa o ilustre professor Hericaldo Bosta" (sic). O professor, indignado, entrou na Justiça contra o jornal. O DP perdeu e foi condenado a se retratar na primeira página. Jáder de Carvalho escreveu uma nota grande, desculpando-se:

"Esse jornal, sem querer, por equívoco gráfico, cometeu um erro imperdoável. Chamou de Hericaldo Bosta o ilustre professor de nossa Faculdade de Direito. Sabem os leitores que jamais este jornal poderia chamar de Hericaldo Bosta um intelectual do nível e do renome do ilustre professor da faculdade de Direito. Até porque jamais soubemos que o ilustre mestre se chamasse Hericaldo Bosta.

Mas, errar o nome de personalidades ocorrem em todos os jornais do mundo. Acabamos chamando de Hericaldo Bosta o venerando catedrático da faculdade de Direito.

Cumprindo determinação judicial, estamos nos desculpando e informando aos leitores que, em vez de Hericaldo Bosta, o verdadeiro nome do distinto professor é Heribosta Caldo" (sic).

O professor Heribaldo Costa pegou um revólver e foi ao jornal matar o diretor Jáder Carvalho. Não deixaram.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

JULHO EM UBAJARA





Wilson Ibiapina

Como demoravam chegar as férias de julho. A viagem para a casa dos meus avós, em Ubajara, era feita no ônibus do Cajazeira. Saia de manhã cedo de Fortaleza e só chegava à tarde. A estrada sem asfalto e estreita. Cada um levava seu farnel. Frango frito com farinha. Um sabor de infância que o paladar não esquece. O cheirinho ficou impregnado nas narinas para sempre.

A parada em Sobral para o almoço era aproveitada para beber água ou ir ao banheiro. Poucos passageiros almoçavam nos restaurantes. Quando o ônibus passava de Frecheirinha e começava a subir a Serra Grande, parecia que ligavam o ar condicionado. A temperatura amena nos fazia pensar nos amigos e nas brincadeiras que iriamos encontrar em Ubajara.

Em frente a casa do meu avô Pedro Ferreira tinha uma área extensa que, aos domingos, recebia a feira livre. O canto dos carros de bois (ou o gemido?) era o despertador. As cinco da manhã, ainda escuro, eles começavam a chegar dos sítios, trazendo frutas, chapéus de palha e outros produtos de artesanato, farinha, feijão, mandioca, rapadura, alpercatas, lamparinas, potes e panelas de barro tudo que se vende numa feira. Quando a gente saia de casa, por volta das sete, oito horas, já encontrava tudo montado e os feirantes negociando. Os repentistas faziam seus desafios e os poetas de cordel contavam suas histórias em versos.

O serviço de alto falante da Igreja tocava os sucessos do momento. Rapazes e moças dando volta na pracinha da matriz numa paquera inocente que ia acabar à noite no Ubajara Clube. A baixa temperatura deixava todo mundo mais elegante. Quem não tinha agasalho se esquentava com a Cajueiro ou Adorável. Os passeios aos sítios, engenhos de cana-de-açucar, banhos de rio, visita à Gruta ou peladas. O dia não terminava nunca. O mês parecia mais comprido.

Há pouco voltamos a Ubajara com o Rubens Soares, Cunha Jr e a Maria de Lourdes. Fomos convidados para uma festinha no clube. Era a noite da “melhor idade”. Fiquei tentando localizar os homenageados, os rapazes que alegravam as festas quando a gente era garoto, nos anos 50 e 60. Foi quando o Rubens me alertou: “É pra nós”. Foi aí que me toquei. Nós eramos a terceira idade. O tempo já não demora mais como naquelas férias de julho. Passa voando como tudo que é bom.


SAIU NO CLÁUDIO HUMBERTO




O jornalista mineiro Olavo Drummond, que foi deputado estadual, procurador da República, ministro do Tribunal de Contas da União, secretário de Juscelino Kubitschek, entre outras atividades que exerceu na vida, encerrou sua carreira política em 1997 como prefeito de Araxá, terra natal. Era tucano e o vice era do PT.

Um dia pegou uma gripe danada que o deixou de cama . Foi obrigado a tirar licença para se recuperar. E logo a mulher do vice foi flagrada num mercadinho, conversando com uma amiga que quis saber como estava a saúde do prefeito.
- Fiquei sabendo – disse ela – que dr. Olavo teve uma piorazinha boa...

Homenagem 80 anos Wilson Ibiapina