sábado, 11 de novembro de 2017

HOMENAGEM AOS AMIGOS QUE PARTIRAM



Wilson Ibiapina


Estão chamando nossa turma

O pernambucano Antônio Maria, cronista, jornalista, colunista, compositor, antes de ficar famoso no Rio passou por Fortaleza, onde fez sucesso como locutor esportivo. 

Chico Anísio contava que um dia, quase ele mata a mulher do atacante Pipiu, durante um jogo em que o goleiro do time adversário era um tal de Puxa a Faca. Na época, a bola era chamada de pelota ou couro. E Maria transmite: 

- Pipiu vai cabecear, vem Puxa Faca e arranca o couro da cabeça do Pipiu. 

A mulher do craque, ouvindo a transmissão do jogo pelo rádio, não pensou duas vezes antes de desmaiar. "Escalparam meu marido." 

Em 1952, Antônio Maria fez a letra e Zé Gonzaga, irmão do Rei do baião colocou a música e cantou:

Nós era sete
Fumo morrendo
Fumo morrendo
E só fiquemo eu
Não houve reza
Não houve nada
Fumo morrendo
E só fiquemo eu


Essa música só lembra os amigos jornalistas que vão ficando pelo caminho. E não são poucos. No Ceará , o Galeguinho, repórter policial, Flávio Pontes, Odalves Lima, Agladir Moura. Carlos Paiva, Ciro Saraiva ,Edmundo Castro, Edmundo Maia, Ezaclir Aragão, Venelois Xavier, Vander Silva, Edilmar Noroes, Durval Aires, Francisco Bilas, Neno, Guilherme Neto, Dário Macedo, Tomas Coelho, Rangel Cavalcante, Lustosa da Costa…

Aqui em Brasília nem se fala. Carlos Castelo Branco, Abdias Silva, João Emílio Falcão, Alfredo Obleziner, Elisio Pontes, Carlos Chagas, Pompeu, o do Ceará e o do Pará. É gente demais. São tantos, que nem lembro todos.

Enfim, nós era sete
E só fiquemo eu


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

UMA SERENATA COM LUPICINIO RODRIGUES



AYRTON ROCHA


Belos tempos e lindas madrugadas
Onde a noite ainda era criança
Nos tempos dourados dos anos cinqüenta.
O Rio de Janeiro, tão adolescente quanto eu
Era um poema de amor
Que nem Drummond conseguiu fazer
As mulheres eram lindas,
E para felicidade nossa, continuam belas
Copacabana era um Oásis nos meus olhos,
Na minha alma e no meu coração
Ipanema ainda engatinhava
Igualzinha a uma criança aprendendo a andar
Mas já precocemente, chamando todos nós para lá
As mulheres tomavam conta da praia
E o samba canção da noite
Tom Jobim fazia samba canção
Melhor que ninguém
Dolores Duran e Tito Madi
Faziam melhor ainda.
Antonio Maria apaixonava as mulheres
Com seus poemas sofridos e musicados
Johonny Alf dava os primeiros acordes dissonantes
Anunciando que alguma Bossa Nova
Estava para acontecer na musica popular
Era tanta gente boa e musicas tão linda
Que as lembranças e a saudade
Me trazem lágrimas aos olhos
Quantas noites e madrugadas inesquecíveis
Fizeram do meu viver mais feliz
A Lagoa Rodrigues de Freitas
Bela, cristalina e pura,
Era o espelho onde a Lua narcisava
Toda sua luz, seu encanto e sua beleza,
Cenário que a natureza criou
Apaixonada por seus amantes
E para os boêmios fazerem serenatas
Tão puras quanto suas águas
Daquele lindo espelho da Lua
Onde a saudade chorava a sua dor
Foi lá, na linda Lagoa,
O meu encontro marcado com Lupicínio Rodrigues
Para uma serenata que jamais esqueci
Com meu violão cantei as minhas canções
E minha saudade
Com meu violão
Acompanhei Lupicínio cantando a sua dor,
Com suas musicas tão lindas e sofridas
Que jamais vou esquecer.
Voz com gosto de muito Whisky,
Ele cantava baixinho ao som do meu violão,
"As Aparências Enganam", "Dona do Bar",
"Cadeira Vazia", "Dona Divergência" sem faltar nunca "Nervos de Aço".
Hoje, volto a Lagoa, com meu Violão
Para uma serenata solitária
Porque hoje, noite de lua, é noite de Serenata no Céu
Onde todos os santos, rezam a música de Lupicínio Rodrigues

terça-feira, 7 de novembro de 2017

NOSSAS FRUTAS



Wilson ibiapina
Kiwi
Um dia perguntei ao teatrólogo B de Paiva se ele queria provar Kiwi, uma fruta que veio da China cheia de vitaminas A e E, que pode diminuir o risco de doenças cancerígenas e circulatórias. Melhora o sistema imunológico além de contribuir para equilibrar a tensão arterial. Em meio a tamanha propaganda, B de Paiva pergunta se tem no Ceará. 
Diante da resposta negativa, ele rejeita a fruta que é uma delicia até para fazer caipirinha. Alega que está velho para andar experimentando novos sabores. Também, sem esses rigores do José Maria Bezerra  de Paiva, não sou muito chegado a andar por aí provando novas frutas. Fui criado no Ceará chupando cana-de-açúcar, comendo jaca, mamão, chupando manga, caju, siriguela e pitomba que são indispensáveis como tira-gosto. 
Siriguela
Ainda adolescente, de férias em Ubajara, na Serra da Ibiapaba, nosso programa era invadir sítios para se deliciar com as frutas. Nossas famílias tinham propriedades com pomares, mas a aventura era justamente o perigo que corríamos. Florival Miranda, Milton, Aristides, Tozim, Rubens, geralmente éramos flagrados pelos empregados dos sítios que nos perseguiam com espingardas de sal. Só faltávamos desmaiar com o ardor provocado pelo  tiro de sal. Depois íamos tomar banho de rio e beber refresco de maracujá ou laranja no bar do Pedro, duas bebidas que ele servia, também, como tira-gosto. 
A ata, tangerina, abacate, banana e  graviola faziam a nossa alegria junto com o  ananás, uma espécie de abacaxi que se desenvolve em clima frio, como o da Serra Grande. No sertão cearense é comum a macaúba, que aparece de maio a janeiro. Tem jenipapo e jatobá que a gente fazia de conta que era boi nas nossas brincadeiras de criança. O Pequi aparece no Cariri, mas foi em Brasília que fui provar essa fruta de cheiro forte e cor amarela que surge entre novembro e fevereiro. O goiano é alucinado por Pequi, que tem caroço cheio de espinhos, um perigo para quem não tem costume de saboreá-lo.
Uva, maçã e pera eram frutas raras e caras. Lá em casa só eram consumidas por quem estivesse doente.
As frutas exóticas, como abacaxi do cerrado, araticum, baru, araçá, buriti, cagaita  que a gente só encontra no cerrado do centro oeste são transformadas em deliciosos  sorvetes que são oferecidos na Sorbê, que fica na 405 Norte em Brasília. A dona da sorveteria, Rita Medeiros, que é jornalista,  já escreveu um livro "Gastronomia do Cerrado, onde  ensina o passo-a-passo de alguns pratos e indica o contato de algumas cooperativas e associações. O Site Cerratinga diz que o  "resultado de seu trabalho é a valorização e conservação do bioma, geração de renda e inclusão social de famílias que fornecem a matéria-prima, produtos com rico valor nutricional, sem falar em um cardápio para além de gostoso."
Uma outra fruta daqui do centro-oeste é a Jabuticaba. É encontrada em toda a região. Em Hidrolândia, município goiano que fica a 236 quilômetros de Brasília, existe um sitio com 43 mil pés de jabuticaba. Você paga uns 30 reais e chupa jabuticaba o dia inteiro, enquanto aguentar. Aliás, o dono do sitio, lança um desafio: se você conseguir chupar uma jabuticaba de cada pé, ele  passa o sitio para o seu nome.

HEBDOMADÁRIOS CEARENSES

  Wilson Ibiapina Jornais de pequenas cidades do interior do Ceará, principalmente no século passado, sempre se manifestavam em defesa de ca...