segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O FOTÓGRAFO E O GOL



Essa aconteceu em Fortaleza antes da televisão chegar ao Ceará. O jornalista Francisco Alves Maia estava de plantão, num sábado, na redação da Tribuna do Ceará. Noite de Fortaleza x Ceará no estádio Presidente Vargas. Chico Alves combina com o fotógrafo Gumercindo Gomes: - vou ouvir o jogo pelo rádio, deixo o texto pronto com espaço para a sua foto.

Ceará um a zero. Festa na cidade. Gumercindo chega à redação e vai conversar. Chico, já nervoso, apela: Gumercindo,  revela logo a foto do gol, vamos fechar. Gumercindo, tranquilo avisa que não pegou o gol. Chico vai ao desespero: - como, o único gol da partida você perde? Que diabo você estava fazendo lá? - Chico, o goleiro que estava lá pago para pegar o gol não pegou,  tu queria que em pegasse?

OS BOÊMIOS E O CEGUINHO



Foi na década de 60 do século passado. Ainda estudantes, Fausto Nilo, Rodger Rogério e Antônio Carlos Coelho voltavam a pé de uma farra no bar do Anísio, na beira mar de Fortaleza. O dia estava amanhecendo quando chegaram à praça José de Alencar, terminal de ônibus no centro da cidade. O Sol já tinindo, gente fervilhando, bares começando a receber os primeiros fregueses. Os três são acometidos de uma vontade louca de tomar uma geladinha. Sem dinheiro, surge a idéia quando encontram na esquina um ceguinho pedindo esmola. Viola no braço, chapéu no chão, mas ninguém ajudar. Pedem licença ao pedinte e assumem.

Era um domingo de manhã. O ceguinho tocava flauta, Rodger acompanhava no violão, o Fausto cantava e o Antônio Carlos passava o chapéu. Em pouco tempo, a grana começava a sobrar pelas bordas. Tiraram o da cerveja, devolveram o chapéu.  Quando  o ceguinho passou a mão e sentiu o volume do apurado não se conteve. Abriu um sorriso  e antes de agradecer, perguntou: - pessoal, quando é que vocês voltam aqui?

sábado, 8 de fevereiro de 2014

RESSURREIÇÃO DOS VELHOS CARNAVAIS




O carnaval é em março mas as escolas já estão nas quadras e os blocos nas ruas. Estou lembrando uma das maiores figuras da folia. Professor de dança que ficou famoso como o maior compositor de marchinhas de carnaval, Lamartine de Azevedo Babo. Ricardo Cravo Albin diz que ele foi o mais completo e carioca dos compositores populares. Não sabia música nem tocava qualquer instrumento. O humorista, radialista, ator, cantor e poeta, fez também músicas juninas (Isto é lá com Santo Antônio e Chegou a hora da fogueira), hinos religiosos e de quase todos os clubes de futebol do Rio e samba canção como Serra da Boa Esperança e, em parceria com Ari Barroso, na Virada da Montanha e Rancho Fundo. Lalá imitava com a boca instrumentos musicais. O maestro Radamés Gnatalli dizia que ele era um dos poucos compositores que sabia exatamente o que queria: “ descrevia todo o arranjo, cantando a introdução, meio e fim, solfejava acordes e sugeria partes instrumentais . A gente só fazia escrever”.

Ricardo Cravo Albin diz que sua composição “A História do Brasil” foi o primeiro painel surrealista e tropicalista. Após perguntar “quem foi que inventou o Brasil” e responder que “foi seu Cabral dois meses depois do carnaval” ele bagunça a história resumindo os séculos posteriores: Ceci amou Peri/Ao som do Guarini/ Do Guarani ao Guaraná/Surgiu a feijoada/ E depois o Parati”. Albin diz que ele abriu caminhou para a poética popular do absurdo, a mesma que o poeta repentista José Limeira encantava os nordestinos. Ricardo afirma que Stanislaw Ponte Preta seguiu a trilha quando fez O Samba do Crioulo Doido.

Nos programas de rádio, Lamartine fazia humor e trocadilhos: “Senhor Lamartine, vá cantar no rádio que o parta “ dizia que teria lhe dito um ouvinte da emissora depois de escutá-lo cantar. No texto que escreveu sobre o “rei do carnaval”, na revista Problemas Brasileiros, Herbert Carvalho lembra o seu último e celebre trocadilho. Herbert Carvalho conta que no dia 13 de junho de 1963, quando se recuperava de um enfarte sofrido meses antes, Lamartine foi ao Copacabana Palace, no Rio, ver o ensaio de um musical de Carlos Machado, inspirado em suas marchinhas de carnaval e que tinha o título de O teu cabelo não nega. No final do ensaio, após ser entrevistado por um repórter de TV quis saber se iria ao ar naquele dia. -”Hoje não, disse o repórter. Hoje teremos uma entrevista com o Tom Jobim que chegou dos Estados Unidos”.

Ah! Quer dizer que agora estou um tom abaixo?”

Lamartine Babo morreu três dias depois sem ver sua entrevista no ar e sem assistir a estréia do musical.

HISTÓRIA EM RUÍNAS


A casa de dona Mariinha Gomes foi palco de muitas festas em Ubajara nos anos 50 e 60. Foi lá onde o Humberto Soares Costa, o Bastistão do seu Zé Ferreira, eu, o Florival Miranda tomamos os nossos primeiros porres.  Ainda adolescentes, não resistíamos ao  gosto da  cachaça Adorável, que ela fabricava. Pura  ou com suco de frutas e mel de abelha. Até hoje ando por aí procurando em outras aguardentes aquele inesquecível sabor . 

O Florival manda a matéria da TV Diário que mostra o estado de abando da casa, no Sitio Buriti, que foi salão de visitas de Ubajara.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

CASABLANCA - FOTO ORLANDO BRITO


PLAY IT AGAIN, SAM"...
Meus agradecimentos a Humpbrey Bogart e Ingrid Bergman, pela generosidade, durante as gravações, e ao amigo ORLANDO BRITO, pela genialidade da foto, na qual participam o Carlos Henrique de Almeida Santos, Alex Gonçalves, Ramalho Junior, Charles Marar, Paulinho Bessa, o próprio Orlando Brito e eu. Todos no Café Ricks do filme Casa Branca que o jornalista Lúcio Brasileiro já assistiu mais de mil vezes .

O LIVRO DO AUGUSTO BORGES



No último dia 30 o Iate Clube de Fortaleza abriu suas portas para a noite de autógrafos da tão esperada obra literária de Augusto Borges. 

Você não tem idéia das pressões que ele recebeu ao longo da vida para colocar no papel a história profissional. Antes de aparecer a palavra multimídia, Augusto já fazia rádio, jornal e televisão. Naquele tempo diziam que ele era pau pra toda obra. 

No rádio, animava programas de auditório, como o Festa na Caiçara que ia ao ar pela Ceará Clube. “Chegue cedo para conseguir um bom lugar”. Participava dos programas de humor. A tarde de todos os dias da semana começava na PRE-9, com ele “Ao Telefone com Você”. Quando o telefone quebrava, o que não era difícil nos anos 60, Augusto ia em frente: “Hoje sem telefone, mas com você”. Um dia, ele liga para a Clara, uma garota que queria pedir uma música. Do outro lado da linha, uma pessoa informa que a Clara foi pra casa do vovô dela. E Augusto, sem sair do ritmo: - Então diga-lhe que “vou vou” atender agora o pedido dela.  

Na TV Ceará, o primeiro e único canal do estado na época, Augusto fazia de tudo. Certa vez, entrevistando  Juca Chaves, que estava fazendo sucesso com suas canções e modinhas, Augusto perguntou pelo  flautista e o contrabaixista, que sempre acompanhavam o artista. O contrabaixista é contra o baixo e o flautista flautou. 

Augusto Borges, além de redator, apresentador, repórter, era também diretor das emissoras de rádio e tv dos Associados. Foi ele quem me levou para o telejornalismo, convidou-me para substituir Gonzaga Vasconcelos que estava voltando para o Rio. Lembro do desespero dele, tentando ajuda para reverter a decisão do governo da revolução de tirar o Canal 2 das mãos dos Associados. Naquele tempo, o maior complexo de emissoras de rádio, tv, jornal e revista do país apoiava a revolução de 64, fazendo campanhas como a Ouro para o Bem do Brasil e abrindo espaço para os direitistas que estavam no poder. 

Augusto Borges, ao lado de Narcélio Limaverde, são os profissionais que estão há mais tempo no ar no Ceará. Augusto, diante de tantos apelos para escrever um livro sobre seus 64 anos na comunicação, decidiu-se: ENTÃO EU CONTO.



HEBDOMADÁRIOS CEARENSES

  Wilson Ibiapina Jornais de pequenas cidades do interior do Ceará, principalmente no século passado, sempre se manifestavam em defesa de ca...