quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O FOTÓGRAFO E O REPÓRTER



Dinossauros de redação



A jornalista Luana Karen usou o celular para registrar meu encontro com o decano do fotojornalismo brasileiro, o baiano Gervásio Batista. Sua história profissional está intimamente ligada à história da nossa imprensa. Começou aos onze anos, fotografando como assistente para o jornal O Estado da Bahia.Transferiu-se para o Rio nos anos 50 atendendo convite do paraibano Assis Chateaubriand, que o queria na revista O Cruzeiro. 

Gervásio conheceu o dono dos Diários Associados durante visita de Chatô à Feira de Santana. Mas foi na revista Manchete que, a partir de 1954, ele consagrou-se na profissão. Ficou com os Bloch até a revista fechar em 2000. No período em que esteve na Manchete foi escalado para registrar o dia a dia da construção de Brasília. Foi aí que nasceu seu amor pela cidade, onde mora até hoje. É dele a conhecida foto de Juscelino Kubitschek acenando com a cartola para o povo.

A famosa foto de JK

A foto saiu na capa da Manchete sobre a inauguração de Brasília. Suas fotos do enterro de Getúlio Vargas, em São Borja, no Rio Grande do Sul, também geraram um número especial da revista.
Como fotógrafo oficial dos concursos Miss Brasil e Miss Universo, Gervásio viajou o mundo para retratar a beleza da mulher brasileira no período áureo desses eventos. Fotografou Fidel Castro, Che Guevara e fez um registro diferenciado da revolução cubana. Cobriu a Revolução dos Cravos, em Portugal, acompanhou e registrou a queda do presidente argentino Juan Peron. Esteve em Saigon para registrar a guerra do Vietnã.

Teve várias passagens pela prisão, no tempo da ditadura. Como não tem engajamento político, sempre foi libertado rapidamente e sem maiores conseqüências.

Fotógrafo oficial deTancredo Neves, fez, com exclusividade, a última foto do presidente, acompanhado da equipe médica do Hospital de base de Brasília. 


Continuou como fotográfo oficial da presidência durante o governo de José Sarney. Com mais de 80 anos idade, Gervásio continua no batente. Pode ser visto diariamente no Supremo Tribunal Federal e na Agência Brasil, onde presta serviços e contamina a todos com sua simplicidade, simpatia e alegria. Um exemplo de profissional que orgulha seus amigos.




segunda-feira, 24 de setembro de 2012

ABRIGO CENTRAL






Wilson Ibiapina

Esta foto do Abrigo Central foi enviada pela engenheira Tereza Câmara Costa, mulher do meu amigo Rubens. Ela sabe que curto a Fortaleza que o progresso carregou e que existe hoje apenas na memória dos mais velhos.

Eu estava na praça do Ferreira, coração de Fortaleza, na véspera da demolição do Abrigo. Lembro da foto tirada naquela noite. Era o ano de 1967, não sei mais o dia. O pessoal que frequentava a praça à noite posou para a posteridade. Estava lá, mas não apareço na foto. Tenho a impressão que me passaram a câmara e pediram para tirar o retrato. Só pode.

Prefeito Acrísio Moreira na central
Em 1949 o prefeito Acrísio Moreira da Rocha mandou abrir licitação para a construção de um abrigo para pessoas que esperavam ônibus. O empresário Edson Queiroz ganhou e em novembro daquele ano ele inaugurou o Abrigo Três de Setembro, o maior ponto de encontro da capital. Os ônibus que passavam na porta da minha casa, na avenida Padre Ibiapina, os circulares 24 e 25, faziam ponto no Abrigo. Era lá que políticos, comerciantes, estudantes, músicos, gente de todas as classes se reuniam para discussões, comentários sobre política, futebol, religião, mulher, enfim, todos os assuntos que chegassem na roda. 



Pedão da Bananada
Além dos cafés Wal-Can, Hawaí e Presidente, funcionavam também a Livraria Alaor, a banca de revista e jornais do Bodinho. Não sai da memória as casas de merendas. A do Pedão da Bananada era a mais conhecida. Ele era torcedor fanático do Ceará. Um empregado dele, Colares, era fã do Gamaliel Noronha, pra quem ligava diariamente para pedir uma música no programa Alma Sertaneja, que ia ao ar na Dragão do Mar: "Maiel, aqui é o Colais, do Pedão. Fala neu, bota uma música e depois passa aqui pra tomar uma verdinha.” Ele se referia a vitamina de abacate, que no Ceará é conhecida como abacatada. Os liquidificadores rodavam sem parar preparando as vitaminas de frutas que eram acompanhadas de sanduíches, os famosos “cai-duro”, “espera-me no céu”, pão com carne moida e coentro. Pastéis de carne de alma e caldo quente para os que chegavam da farra. 
Parte interna do abrigo
Naquele tempo todo mundo merendava. Não se ouvia a palavra lanche, muito menos lanchonete. Sem que soubessemos, inauguramos alí as primeiras casas de Fast-food da cidade. Aliás, o fast-food virou sinônimo de um estilo de vida estressante que vem sendo criticado desde o final do século passado. Mas aí é papo pra outra conversa piaba.








CLIMA NO CENTRO-OESTE



Aqui em Brasília é assim. Na época da seca e baixa umidade, as aves aproveitam até sombra de poste. 




domingo, 23 de setembro de 2012

PROJEÇÃO INTERNACIONAL DE SOBRAL



República Dominicana 




A PREFEITURA DE SOBRAL PRESTA COOPERAÇÃO TÉCNICA À REPUBLICA DOMINICANA COM APOIO DA AGÊNCIA BRASILEIRA DE COOPERAÇÃO –ABC DO ITAMARATY.



O diplomata cearense Marcus Vinicius de Souza é o novo embaixador do Brasil na República Dominicana. Ao chegar a São Domingos deparou-se com vários fatos que ligam aquele país ao Ceará. O segundo diplomata na hierarquia da Embaixada, Catunda Resende, também é cearense. Uma das pessoas mais influentes do país chama-se Ceará, mas isso será alvo de uma outra matéria que faremos com base na pesquisa que o embaixador fará, logo que arranje tempo. O que vou destacar agora é o Projeto Internacional de Sobral que Marcus Vinicius de Souza encontrou em plena execução e que poucas pessoas conhecem.

  

A Secretaria de Saúde e Ação Social e a Prefeitura Municipal de Sobral-CE, através da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), assinaram em novembro de 2011 o projeto de cooperação “Apoio à Implementação do Programa de Redução da Morbimortalidade Materno-Infantil na República Dominicana”, com base na Estratégia Trevo de Quatro Folhas adotado pelo Governo de Sobral em 2001. É o próprio embaixador quem conta:



“As atividades de campo do projeto tiveram início no primeiro semestre de 2012, com a viagem de técnicos dominicanos ao Ceará para conhecer “in loco” a bem sucedida iniciativa sobralense, cuja repercussão se reflete em publicações internacionais da área da saúde.



O objetivo do projeto é o de auxiliar o Governo Dominicano na reorganização de seu sistema de saúde no que tange a atenção materno-infantil e a garantia de apoio social às famílias com gestantes, puérperas e crianças em situação de risco clínico e social. Para tanto, dando continuidade aos entendimentos mantidos em Sobral pelos técnicos dominicanos, delegação sobralense deverá visitar a República Dominicana. Vale registrar que na Prefeitura de Sobral o projeto está sendo acompanhado mais diretamente pela Coordenação da Atenção Primária à Saúde, Dra. Indhira Sherlock Melo de Aguiar e pela Coordenação da Estratégia Trevo de Quatro Folhas, Dra. Francisca Júlia dos Santos Sousa”.

República Dominicana 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

CARTA A VINÍCIUS DE MORAES





 CRÔNICA POEMA

Ayrton Rocha

Meu bom poeta Vinícius
Poeta do amor e da canção
Poeta dos poetas
Poeta da paixão.
Hoje bateu uma saudade grande de ti.
Nós poetas estamos sentindo tua falta por aqui.
Estamos com fome de poemas
E com sede de amor.
O mundo ficou louco
E o amor se transformou em dor.
Acabaram-se os bons tempos
Onde a madrugada era uma criança
E podíamos pegar o sol com as mãos
Hoje, a noite é só violência
E o mundo, um mundo cão.
Os bares estão vazios,
Como vazio está meu coração.
Sinto falta de ti,
Sinto saudades do Tom
Me sinto na solidão.
Nossos bares não existem mais!
O Veloso, “Garota de Ipanema”,
Virou bar com garçons chatos,
Velhos enjoados,
Atendendo a gringos tarados e prepotentes.
No Álvaros e no Degrau,
Hoje somos estranhos no ninho.
O Antonio's fechou
E do Antonino só sobrou à beleza da Lagoa Rodrigo de Freitas
E a saudade que comigo ficou.
Estão faltando mulheres bonitas nas praias de Ipanema,
De Copacabana, nem falar.
Sabe o que é poeta,
Não tem mais Leila Diniz,
A Danuza Leão, agora eu só a vejo
Em suas crônicas e nos seus livros.
Mas em compensação,
A nossa Tônia Carrero,
Fez agora, noventa anos de beleza.
O Copacabana Palace não é mais aquele,
Mudou até de dono.
Eu não vou mais lá.
Ele perdeu todo o glamour.
Sabe por que poeta,
Porque o glamour éramos nós.
Era o papo, as mulheres
E a beleza do mar,
Hoje tão mal freqüentado.
Ninguém encontra mais parceiros.
O Carlinhos Lyra eu nunca mais o vi,
E o Billy Blanco está por ai,
Foi encontrar vocês.
Eu acho que os dois de nossa turma,
Que nunca perderam o contato,
Somos eu e Tio Madi.
Estamos sempre trocando cartas,
Ou papeando por telefone.
Vez em quando sentamos num bar qualquer
Bebemos um chopinho,
Matamos a saudade
E a lembrança dos amigos.
A música brasileira ta tão brega,
E os políticos tão canalhas,
Que emporcalharam os brasileiros,
E enfeiaram o Brasil.
Precisamos urgente meu bom poeta,
Fazermos uma revolução cultural,
Tirarmos os corruptos dos poderes
E voltarmos a ser felizes,
E cantarmos novamente,
O teu poema “Eu sei que vou te amar”.

APONTAMENTOS COM AIRTON MONTE




João Soares Neto



Nunca abrirei mão dos meus sonhos, mesmo que eles se transformem em pesadelos”, dizia ele. 

1.Airton Monte viveu sempre na era de Aquário. Menino de colégio marista. Adolesceu no frigir dos anos 60, jogou peladas, pintou e bordou, sem esquecer-se de ler e estudar. Depois, já médico, andava com Rogaciano Leite Filho, entre outros, curtia os bares do Benfica, o Estoril, já na decadência, e amava a vida. Parecia o Leminski, a dizer: “Haja hoje para o tanto ontem”.

2. Tímido como um monge trapista limpava as grossas lentes ao ver os balanços das cadeiras. Não as de sentar. 

3.Deu-se um tempo nas traquinagens e casou-se com a prima, Sônia, sabedora de seus poréns, amante e companheira que lhe deu os filhos Bárbara e Pablo, hoje adultos e abalados pela perda do irmão maior que os adorava na sua esquisitice. Agora, eles são o Airton para a Sônia. Lutem pelo futuro para discernir o resultado do presente.

4.Sabia-se leitor e daí, sem deslize, passou a escrever. Como disse a poeta Cora Coralina: “Estamos todos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo”. O primeiro tempo, poemas. Vieram contos. A crônica já estava em seu alforje de letras fortalezenses, amante da cidade que se circunscrevia ao badalo, a casa e ao trabalho em hospitais de doentes mentais e, depois, como psiquiatra cooperado da Unimed. 

5.Desajeitado com o computador – presente do Carlos Augusto Viana- sofria com a “coisa”. Ele me ligava e eu já enviava a colaboradora Josilene Lima a sua casa para mexer no “bicho” que emperrava e, entre copos de cerveja, aplacar a sua saudade da senil máquina de escrever. Como dizia Borges: “O tempo é a substância de que sou feito”. Ele tinha pressa.

6. Pedi-lhe, certa vez, para cuidar de um jovem com transtorno de pânico e o fez hígido em pouco tempo. Poucas pílulas, boas risadas e papos entre um cigarro e outro. Era “assim, assim” com o citado Carlos Augusto que o transmudava do seu “solar suburbano” para os altos de um prédio mirando o mar entre rochas da Volta da Jurema

6. Quando seu pai, também Airton, estava na UTI, perguntei-lhe: já foi lá? Não tive coragem, disse-me. Apronte-se, vou apanhá-lo. E lá fomos nós ao hospital. Ele, olhos marejados, de comprida bata branca, parecia uma criança ao velar o pai inconsciente. Na volta, mãos enfiadas nos bolsos da bata fez do silêncio a dor do seu semblante. 

7. Há alguns anos queixou-se do corpo e o Dr. José Teles ataviou-se de irmão mais velho, cuidou de tudo e estava lá na cirurgia que se esperava salvadora. 

8. Foi amado por José Teles, colega medical e seu anjo da guarda na vida e na morte. Cuidou dele no último lustro e até o traficou do calor do ciumento Clube do Bode para o refrigério do restaurante do Ideal Clube Passou a beber cerveja sem álcool. O achaque retornou. Por fim, prostou-se e, resignado, voltou à sua casa de fachada verde , como a ouvir Fernando Pessoa: “Ouço cair o tempo, gota a gota, e nenhuma gosta que cai se ouve cair”. 

9. Estive lá há alguns dias. A filha Bárbara me recebeu. Pilha de jornais não lidos. Depois, entrei em seu quarto. Televisão ligada, ele sentado na cama. Sem camisa, comia pipoca vagarosamente, floco a floco. Pediu água e, depois, um refrigerante. Conversamos, rimos até. Voltava a ser menino, parecia querer ver o pai que se fora. 

10.Terça, 21 de setembro de 2012, 17h30, seu ataúde foi fechado. Batemos palmas. Era a última cena.



PAULO ROBERTO COELHO PINTO



O professor Paulo Roberto Pinto chega aos 80 anos com a mesma elegância de quando o conheci nos anos 60 em Fortaleza. A mulher dele, Albina Maria Kida Pinto preparou uma festa no Náutico para comemorar com os amigos.

Para quem não o conhece, apresento:

Paulo Roberto Coelho Pinto, Professor Catedrático do Curso de Economia da Universidade Federal do Ceará, Bacharel e Licenciado em Filosofia, Bacharel e Licenciado em Pedagogia, Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFC e Bacharel em Ciências Econômicas pela mesma Universidade. Com livro premiado pela Academia Brasileira de Letras em 1972, foi diretor do Instituto de Pesquisas Econômicas desde a sua criação até o encerramento de seus trabalhos. Nessa condição elaborou em Washington, junto à OEA (Organização dos Estados Americanos), o Projeto de Funcionamento do CETRED (Centro de Treinamento em Desenvolvimento Econômico), que funcionou inicialmente sob sua direção. Igualmente coordenou a elaboração em New York junto à Fundação Ford o Projeto de criação do CAEN (Centro de Aperfeiçoamento de Economistas do Nordeste) e depois transferido para a Faculdade de Ciências Econômicas. Superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Estado do Ceará (SUDEC), de 1971 a 1974. Secretário de Planejamento do Município de Fortaleza, de 1975 a 1979. Foi ainda Presidente do Conselho Estadual de Economia e Presidente do Conselho Regional de Economia da 8ª Região (CORECON). Paulo Roberto é ainda escritor e colaborador de vários jornais.

Para homenageá-lo, transcrevo parte de uma entrevista que ele deu à historiadora Luciara Silveira de Aragão e Frota, professora da UnB. Paulo Roberto falou sobre Fortaleza para a Cordis, Revista Eletrônica de História Social da Cidade. Luciara perguntou o que é para ele a Fortaleza Bela, Slogan da 1ª campanha de Luisiane Lins, reeleita ao cargo de prefeita. A entrevista é de 07.10.2008, mas como estamos às vésperas da eleição de um novo prefeito, vale a pena ler a opinião do querido octogenário mestre:

"Tenho uma visão realística de como seria Fortaleza, se tivesse sido governada por prefeitos que possuíssem uma proposição prospectiva de desenvolvimento urbano como ocorreu em Curitiba, sob a inspiração de Jaime Lerner. Minha concepção, pode parecer à primeira vista quixotesca e, de fato, ter-se-ia convertido numa realidade palpável e útil nos moldes pragmáticos de Sancho Pança. Vale salientar não ser da atual administração fortalezense a culpa de todas as mazelas e atormentantes da vida nesta cidade que bem poderia e deveria ser bela.

Face a tantos desmandos atuais e passados no manejo da vida pública local esse slogan Fortaleza Bela parece mais uma alto ironia que os dirigentes prefeiturais estão a fazer a si mesmos e a sua cândida incompetência no tocante à atual administração o pecado maior é o da incompetência.

Explicando melhor, essa incompetência decorre de que os quadros do Partido dos Trabalhadores são integrados, no geral, por pessoas que mesmo tendo freqüentado a Universidade não o fizeram com o intuito de aprender, de aperfeiçoar-se profissionalmente. O objetivo maior de todos eles era o de reunir- se extra classe para tramar greves, passeatas, pichações de monumentos públicos e outras formas de badernas. A prova é que a maioria deles foi jubilada, pois repetidamente reprovados em seus cursos por anos sucessivos. Não obstante, eram tão criativos que chegaram a usar uma terminologia própria bem característica como “reunir-se para tirar resoluções”.

Luciara perguntou: Na sua opinião, quais seriam as outras variantes que se prendem à administrações anteriores?

R. Quando exerci a Superintendência do Desenvolvimento do Ceará (SUDEC) e depois a Secretaria de Planejamento da Prefeitura de Fortaleza na década de 1970, tive a oportunidade de insistir junto às autoridades maiores para que se procurasse frear a inchação de Fortaleza. Elaborei inclusive um plano que estancaria em grande parte o fluxo desordenado de pessoas do interior para a Capital. Era um plano de concepção simples mas que dependia da ação governamental. Consistia em criar “pólos ancilares “ em cidades estratégicas do interior do estado de modo a conter a onda migratória do sertão para a capital. A idéia era criar, em cidades vocacionadas como pólos regionais, uma estrutura capaz de atrair indústrias, comércio e serviços de molde a gerar empregos em cada região, impedindo a migração de levas para Fortaleza.


P. E quais seriam esses pólos além de Crato e Sobral?

R. Camocim, Crateús, que assim como Sobral estão na Zona Norte do Ceará; Tauá e Itapipoca no meio norte; Icó, Quixadá, Iguatu e Baturité, no centro; Crato que você já nomeou, Juazeiro e Barbalha no sul; e na zona jaguaribana Aracati e o binômio Limoeiro Russas. Dessa concepção
de pólos somente floresceu o pólo Barbalha, Juazeiro e Crato, fundamentalmente pela ação indutora da Universidade Federal do Ceará por meio do projeto AZIMOV, concebido além de mim, como diretor do Instituto de Pesquisas Econômicas pelo magnífico reitor Martins Filho e por João José de Sá Parente. Conseguimos apoio da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da Universidade da Califórnia (USA), sob o comando do Professor Morris Azimov, para desenvolver no Cariri cearense um esforço de progresso regional. O êxito obtido na região do Cariri foi à comprovação de que se tivesse sido implementada a estratégia de desconcentracão do desenvolvimento em Fortaleza, outra e bem melhor seria a situação da cidade, hoje padecente de verdadeira “ macrocefalia inchação demo-social não congênita mas endêmica”, no dizer inspirado do intelectual conterrâneo Caio Lóscio Botelho, de tantas contribuições científicas ao Ceará. São portanto, vários os fatores que contribuíram para a agudização caótica da má situação da vida urbana em Fortaleza. Destacamos como causadoras diretas dos problemas,a incúria de uns e a má fé de outros administradores, além da paixão desenfreada de lucro da maioria dos empresários, os quais somente pensaram na obtenção desse lucro imediato sem vislumbre de projeções futuras.

P. Poderia enumerar exemplos concretos das suas afirmações?

R. Uma prova clara do que ora colocamos está na construção do Porto do Pecém, a 40 quilômetros do Porto do Mucuripe. Trata-se de uma duplicação desnecessária e um disperdício de recursos públicos que poderiam ter uma melhor e mais adequada destinação. Neste caso, teria sido mais racional projetar um porto adicional em Camocim, o qual serviria não apenas à Zona Norte mas como escoamento do vizinho Estado do Piauí. É que o Porto de Parnaíba apesar da grande soma de recursos nele investido não se viabilizou em face de sua localização em um Delta, com a descarga do rio aterrando a saída da barra. Bem que o governo do Piauí em conjugação com o do Ceará poderiam ter projetado a reativação do Porto de Camocim, com a simples dragagem da foz do rio Coreaú e a recuperação dos ancoradouros de um porto natural que já foi à porta de saída marítima do Estado."

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

UMA LEI PARA A INTERNET




hildeberto Aleluia

Difundiu-se, irresponsavelmente , que na web, desde que você não apareça, estará anônimo. E pior: uma infinidade de pessoas acredita nisso. Trata-se de um grande engano na internet. Nesse novo mundo tecnológico, você plugou, está monitorado. Ligou o telefone, o celular, o computador, a televisão, acionou a geladeira com internet, o automóvel, entrou no e-mail, na rede social, navegou para ver sua conta bancária, sua conta de milhas ou de viagens ou uma simples entrada para olhar seus e-mails estará devidamente identificada. Não existe anonimato na internet. Todos os seus passos, absolutamente todos, estão devidamente monitorados por provedores e empresas de serviços. E os governos, quando querem, têm fácil acesso a esses dados através deles. Tudo pode ser monitorado. A não ser que você esteja disposto a pagar uma nota preta por um programa criptografado. Eles saberão mesmo assim que você entrou na rede, a hora e o local. Mas não identificarão o conteúdo. É algo assim como embaralhar tudo que você escreve e fala e tornar ininteligível para os outros. Mas custa caro isso. Muito caro.

Mas as pessoas acreditam na história de editar perfil falso, ou criar endereços estéreis ou acessar a partir de computadores distantes de suas bases na convicção de que ninguém irá descobrir. Ledo engano. Os pobres mortais não descobrirão mesmo, mas as autoridades e os provedores sim. Não se engane. Mas é baseado nessa crença que bandidos virtuais invadem e-mails, sites e contas alheias. Praticam roubos, enxovalham reputações e promovem difamações e calúnias contra pessoas e entidades.

O que não difundem é que as autoridades podem ir atrás e descobrir os autores e que os provedores possuem os dados de todo mundo que navega na rede. Como é muita gente e os bandidos virtuais são milhares, ou milhões, os custos para monitorá-los também são estratosféricos. Como ninguém quer assumir a despesa e como ninguém obriga, nem leis existem para isso, por hora esses bandidos virtuais agem quase que livrementes. E aqueles que se sentem prejudicados, atingidos, agredidos, devem se preparar para gastar um bom dinheiro com advogados e uma considerável perda de tempo para ir atrás de um modelo de encontrar o culpado e buscar as devidas reparações pelos danos.


O ato de bisbilhotar, e invadir a vida digital das pessoas com roubos, calúnias e difamações está cada vez mais comum no mundo virtual. Segundo a revista The Economist, edição de julho de 2012, no ano de 2011 a empresa Google Corporation recebeu 12.711 pedidos de dados do governo americano e atendeu a quase todos. Informa ainda que as empresas de telefonia móvel americanas receberam mais 1,3 milhões de pedidos semelhantes. Um pedido específico do governo americano requereu a revelação de números de telefones de todos – suspeitos ou não- dentro da área de cobertura de uma torre de telefone celular em um dado período, numa determinada cidade do país.


Na mesa matéria a Economist informa ainda que a taxa de pedidos de dados do governo americano tem crescido: a Verizon, a maior empresa de serviços de telefone celular do país revelou à revista que tais pedidos aumentaram em 15 por cento em cada um dos últimos cinco anos. Ela descobriu ainda, em território americano, que grandes empresas de telefonia celular hoje em dia contam com uma equipe de funcionários que não faz nada além de atender a pedidos de dados do governo.

A revista nesta mesma matéria chama a atenção para o fato que isso está acontecendo em parte porque a tecnologia facilita a bisbilhotice, e em parte porque as leis ainda não alcançaram a tecnologia. Lembra que no mundo off line, os governos em geral precisam de um juiz que assine um mandado para que um grampo seja instalado, o mesmo que se aplica à inspeção física de propriedades pela polícia. Na matéria a revista arremata lembrando que no mundo online, a maior parte dos dados relacionados a quem ligou ou enviou e-mail para alguém, ou visitou um site- ainda que o conteúdo da comunicação continue preservado- é entregue sem qualquer supervisão jurídica.


A Economist diz ainda existir bons argumentos a favor de conceder esses poderes aos governos. Os criminosos- lembra ela- bem como agências policiais, fazem um uso efetivo das comunicações digitais, de modo que os estados precisam ter a capacidade de responder no mesmo nível. Serviços de resgate às vezes precisam de dados de telefone para localizar alguém que precisa de ajuda urgente, tais informações deve ser fornecidas nos casos em que fazê-lo pode ajudar a pegar criminosos.

Mas existe também a turma com argumentos contrários que defendem uma restrição ainda maior ao acesso aos dados particulares. Diz a revista que a tecnologia da comunicação hoje em dia pode comprometer mais ainda a privacidade das pessoas do que costumava ser no passado, ao lembrar que os registros de ligações de telefones celulares podem revelar onde as pessoas estavam, quais sites elas visitaram, no que elas estão interessadas e o que compraram. As Agencias policias não deveriam ter acesso irrestrito a esses retratos tão completos e invasivos das vidas das pessoas, defende ela.

Ao finalizar a reportagem sobre o assunto a revista defende que um bom princípio geral seria conferir aos dados armazenados em uma conta de e-mail a mesma proteção concedida a carta guardadas em gaveta trancada de uma escrivaninha, isto é, agencias policiais precisariam de uma mandado para dar uma olhada neles.

Defende também a Economist que empresas de internet e de telefonia móvel, e as agências que requerem dados destas, devem ser submetidas a protocolos de operações claros. Finaliza com esse argumento exemplar:

as pessoas só poderão julgar se os benefício de segurança ocasionados pelo estado de vigilância superam a enorme perda de privacidade caso saibam com mais clareza quais informações estão sendo coletadas a respeito de quem e quais usos estão sendo feitos das mesmas.

A Economist , para quem não sabe, é uma revista que pertence a uma empresa editorial inglesa. Lá também está localizado o maior banco de dados, econômicos, sobre a terra. E ela está falando neste capítulo sobre os Estados Unidos e a Inglaterra.

Nós brasileiros, também devemos também buscar um caminho, e urgente.



HEBDOMADÁRIOS CEARENSES

  Wilson Ibiapina Jornais de pequenas cidades do interior do Ceará, principalmente no século passado, sempre se manifestavam em defesa de ca...