domingo, 28 de agosto de 2011

HINO NACIONAL VERSÃO CEARENSE


Em janeiro de 1999, o Pirata (bar de Fortaleza famoso por sua noite de segunda-feira) gravou, para o álbum Forró do Pirata, um arranjo instrumental do Hino Nacional Brasileiro
Sem a menor intenção de afrontar os emblemas nacionais e a liturgia militar, o Pirata acredita ter o direito, como qualquer brasileiro, de tocar o nosso Hino do jeito que o nosso coração, patriota, cearense e "cabra da peste", bate.
Mesmo assim, antes de iniciar a divulgação, foi enviada a gravação para o então Ministro da Cultura, Francisco Weffort. Por telegrama, ele respondeu que não via "nenhum desrespeito nem depreciação do Hino Nacional no arranjo popular do sanfoneiro Adelson Viana e Pirata".
O Ministério Público Federal, porém, não entendeu o mesmo e entrou com uma ação na justiça contra a apresentação do Hino Nacional em ritmo de forró.
Apenas em setembro de 2007, o Juiz Federal Substituto da 6ª Vara da Justiça Federal do Ceará, José Eduardo de Melo Vilar Filho, autorizou, enfim, a gravação e execução da versão em forró do Hino pelo Pirata na TV, rádio e shows ao vivo.
Todos os direitos autorais da versão em forró do Hino Nacional Brasileiro serão revertidos para as ações e projetos da Fundação Pirata Marinheiros.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

DOMINISTRO



Quando se quer beber uma boa cachaça em Brasília a gente costuma pedir uma mineira. As de Januária são as mais famosas. Mas, aos poucos, a capital vai sendo dominada por uma aguardente que vem lá de Goiás. É a DOMINISTRO, que agora também pode ser encontrada nesta versão que o Hermínio Oliveira fotografou especialmente para o blog.


Tome uma.

O diplomata Carlos Átila era ministro do Itamarty quando foi convocado para ser Porta Voz da Presidência da República. Foi lá que ficou conhecido no país inteiro. Depois foi nomeado ministro do Tribunal de Contas da União.

Seu hobby nos fins de semana e feriado era a propriedade rural que tem em Goiás. Em um alambique produzia em pequena escala uma cachaça que costumava presentear os amigos. Foi logo batizada de a cachaça do Ministro. Quando se aposentou, resolveu incrementar a produção e a cachaça foi para o mercado com o nome criado pelos amigos.

A Cachaça DOMINISTRO hoje é marca respeitada no pais e no exterior. Quem gosta não pode deixar de provar.

Envelhecida 5 anos em barris de carvalho. Um néctar que você pode submeter ao mais exigente paladar.


domingo, 14 de agosto de 2011

CARTA DE ABRAHAN LINCOLN AO PROFESSOR DO SEU FILHO



Em tempos de pais que incentivam bulling, não aceitam notas, questionam e ameaçam professores, passam a mão na cabeça de filhos atropeladores, brigões, marginais... uma carta especial.



"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.

Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.

Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor."

Abraham Lincoln, 1830

SER PAI


Uma reflexão sobre a paternidade, feita pelo já falecido escritor português José Saramago.


“Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem.

Isso mesmo!

Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.

Perder? Como?
Não é nosso, recordam-se?
Foi apenas um empréstimo!"

José Saramago

ARROGÂNCIA



O diálogo abaixo é verídico, e foi travado em outubro de 1995 entre um navio da Marinha Norte Americana e as autoridades costeiras do Canadá, próximo ao litoral de Newfoundland.

Os americanos avistaram uma luz em rota de colisão com eles e começaram na maciota:

- Favor alterar seu curso 15 graus para norte para evitar colisão com nossa embarcação

Os canadenses responderam de pronto:

- Recomendo mudar o SEU curso 15 graus para sul.

O americano ficou mordido:

- Aqui é o capitão de um navio da Marinha Americana. Repito, mude o SEU curso.

Mas o canadense insistiu:

- Não. Mude o SEU curso atual.

O negócio começou a ficar feio. O capitão americano com raiva berrou ao microfone:

- FIQUE SABENDO, ESTE É O PORTA-AVIÕES USS LINCOLN, O SEGUNDO MAIOR NAVIO DA FROTA AMERICANA NO ATLÂNTICO. ESTAMOS ACOMPANHADOS DE TRÊS DESTROYERS, TRÊS FRAGATAS, SUBMARINOS E NAVIOS DE APOIO. EU EXIJO QUE VOCÊS MUDEM SEU CURSO 15 GRAUS PARA NORTE, OU ENTÃO TOMAREMOS CONTRAMEDIDAS PARA GARANTIR A SEGURANÇA DO NAVIO.

E o canadense calmamente respondeu:

- Aqui é um FAROL, ESTAMOS NUM ROCHEDO, desvie...câmbio!.


Comentário do Fernando Neves, lá de São Paulo:

"Às vezes a nossa arrogância nos faz cegos... quantas vezes criticamos a ação dos outros, quantas vezes exigimos mudanças de comportamento nas pessoas que vivem perto de nós, quando na verdade nós é que deveríamos mudar o nosso rumo..."






“Que país é este que junta milhões numa marcha gay, outros milhões numa marcha evangélica, muitas centenas numa marcha a favor da maconha, mas que não se mobiliza contra a corrupção?”

(07/07/2011 Juan Arias, correspondente no Brasil do jornal espanhol El País)


Triste ler isto escrito por um estrangeiro, que com toda propriedade e elegância pôs o dedo em uma ferida que nós brasileiros nos negamos a ver. Uma pena, pois um dia nosso país terá seu belo nome escrito em minúsculas devido a estes pulhas corruptos.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

CAMPANHA BOMBEIROS




BOPE: R$ 2.260,00 para arriscar a vida;
Bombeiros: R$ 960,00 para salvar vidas;
Professores: R$ 728,00 para preparar para a vida;
Profissional de saude: R$ 1.260,00 para manter a vida;
E um deputado federal? Ganha R$ 26.700,00 para ferrar a vida do brasileiro!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

PEGA-PINTO: UMA BEBIDA QUE REFRESCAVA OS FORTALEZENSES





O jornalista Gervásio de Paula me remeteu a Fortaleza dos anos 60, época em que o refrigerante preferido dos habitantes da cidade era o refresco - ou aluá? - de Pega-Pinto.

Trata-se de uma raiz que chegou a ser colhida entre os túmulos do cemitério São João Batista para poder garantir o consumo. Na praça do Ferreira, o comerciante Mundico abriu uma lanchonete - ou merendeira? - de apenas uma porta, bem pequena, que tinha como principal produto o Pega-Pinto, delicioso diurético que era servido com tapioca ou pedaço de bolo.

Depois dos filmes nos cines Moderno, Majestic, São Luiz ou Diogo, a rapaziada lotava o Pega-Pinto do Mundico, que concorria com o caldo de cana da Leão do Sul. O progresso expulsou o Mundico da rua Major Facundo para a Duque de Caxias, perto da praça do Carmo. Fui embora de Fortaleza e não tive mais notícia da garapeira famosa.

Hoje, o Gervásio espalha na Internet essa foto dele tomando aluá de Pega-Pinto por um Real. Vou saber onde fica para fazer o mesmo quando for a Fotaleza. Só espero que não seja armação dele para nos matar de inveja e saudade.

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O ALUÁ ESTÁ DE VOLTA EM FORTALEZA


Aí está a resposta do Gervásio:

Wilson,

O pega-pinto é vendido, atualmente, na lanchonete Azteca, no térreo do edificio da ACI, esquina das ruas Liberato com Pereboyre Siva, onde joguei muita conversa fora com omestre Américo Barreira, quando editei durante 10 anos a revista RMC, de responsabilidade jurídica dele.

O escritório do Estadista do Municipalismo, nome que deiquando escrevi a biografia do Américo, em 2003, com capa de Audifax Rios e prefácio de Blanchard Girão, pela Fundação de Cultura, Esportes e Turismo (Funcet). Na época dirigida pelo poeta Barros Pinho.

A foto do pega-pinto foi feita recentemente pelo Antônio Duarte, profissional da velha Última Hora, do SamuelWainer e outras publicações de renome na década de 60. Ele veio para Fortaleza com promessa de se fixar, numa empresa de comunicação - mesmo após as eleiçõesrecentes - para quem trabalhou. Levou bolo. E, agora, está desempregado, sobrevivendo numa quitinete com umas economias que fez. Aqui e ali faz free-lancer para o DN. Fez, inclusive, um documentário sobre a Praça do Ferreira.

O seu blog está bom...Precisa de um cronista leve para contar, com lirismo, fatos ocorridos diariamente nas ruas.

Abrs

Gervásio de Paula

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

BURACO NA CALÇADA DA FAMA




A coisa não vai mesmo bem na maior potência do mundo. O Carequinha, famoso repórter cinematográfico da Globo, nos mandou, com exclusividade, um flagrante:

Buracos na famosa Calçada da Fama, em Hollywood.

As fotos foram feitas na Estrela de William Billy Graham Jr, um pregador batista norte-americano, que foi conselheiro espiritual de vários presidentes dos EUA.

Se eu fosse Obama, mandava arrumar a calçada. Em tempos de crise, melhor não desagradar o espírito do ex-conselheiro. Nessas horas toda ajuda é bem-vinda. Vai que o homem se zanga?!










O APOCALIPSE



Preocupai-vos, oh reles mortais...

... quando o Superman tem que rezar, é porque a coisa tá feia.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A MORTE DO PIRATA


A história do português que alegrou Fortaleza


Morreu em Fortaleza Júlio Trindade, o português que transformou a cearense noite de segunda-feira na Segunda mais louca do Mundo.

Sem perder o bom humor e alto astral, mesmo no momento difícil que vivia, Júlio ainda teve forças para surpreender, com sua irreverência, fazendo uma "entrevista post-mortem"! Na verdade, um depoimento da sua trajetória de vida dado a Marcos André Borges, que o Augusto César Benevides passou e publicamos pra vocês:


JÚLIO PIRATA D’IRACEMA
Por Júlio Trindade

  • Origem
Meu nome é Antonio Julio de Jesus Trindade, mas gosto de assinar como Júlio Pirata d’Iracema. Nasci em Lisboa, em 10 de março de 1946 e orgulho-me de ser filho de mãe camponesa e de um pai torneiro mecânico, criado com todo amor e carinho que puderam me oferecer. Tive uma infância maravilhosa e quando adolescente, joguei como goleiro pela Seleção Juvenil de Portugal. Meu pai tinha ideologias muito fortes, e com ele aprendi a defender meus princípios e contestar diretrizes que considero injustas. Sou da geração de 60, que viveu muito intensamente a quebra de paradigmas, período em que deixei Portugal (1964), pois não queria servir ao exército em uma guerra colonial na Angola, pois o Rambo americano já é triste, imagine o português!Paris foi meu primeiro destino e me ensinou muitas coisas. Aprendi a falar francês fluente com sotaque parisiense e nenhum francês percebe que sou de fora. Conheci Yane em 1966 e então casamos, hoje somamos 45 anos de convivência. Em 68 tivemos o Rodolphe, nosso único filho. Fizemos muitas viagens pelo mundo, mas sempre retornávamos para a França, aquele país foi nossa casa durante 15 anos.

  • Viagens e Aventuras
Na minha concepção, passar a vida num lugar só porque nasceu ali é muito comodismo. Sempre procurei o lugar ideal para viver e este seria o que eu mais me identificasse. Em busca de qualidade de vida, passei um período de 5 anos em Nice, no Sul da França, como agricultor.

"Passar a vida num lugar só porque nasceu ali é muito comodismo"

Minha família foi a primeira a exercer uma postura ecológica na região que vivíamos. De forma auto-sustentável, experimentamos comer só o que plantávamos, sem qualquer agrotóxico. Criávamos cabras e nosso sustento vinha da venda de queijos da produção de leite. Por duas vezes o nosso queijo foi eleito o melhor da região em feiras agrícolas.
Nas viagens seguintes, conheci os Estados Unidos começando de San Diego até Seattle. Também subi para a British Columbia, no Canadá, que gostei mais pelo sistema político, por ser uma sociedade muito tranquila e democrática. Morei um tempo em Saint Martin, no Caribe. Para quem quer desbravar o mundo, é importante estar atento ao que está acontecendo no destino desejado. Eu procurava informações dos lugares que pretendia visitar, lia jornais e me atualizava a respeito dos países na minha rota e era infalível, isso facilitava minhas estadias.


  • Trabalho

Por onde passei, exerci diversas funções e muitas delas pela primeira vez. Lavei pratos, faxinei banheiros, descarreguei caixas de frutas e legumes no antigo Mercado Les Halles em Paris, fui recepcionista noturno de hotel, garçom e maitre no Chez Antoine, um restaurante finíssimo de San Martin, no Caribe. Lá, servi grandes personalidades como o ex-presidente Richard Nixon e Jaqueline Kennedy Onassis, eu tinha um ótimo salário e recebia generosas gorjetas. Além disso, tive uma banca de jornal, e prestei serviço de analista de sistema para as Forças Armadas Francesas na década de 70. Ainda pesquei Salmão no Canadá, dirigi o Banzo Bar, o restaurante do Hotel Pelourinho e a Pousada da Praia do Forte na Bahia. No Ceará tentei pescar lagosta sem sucesso, até abrir o Pirata, minha caminhada foi longa e cheia de imprevistos.


  • O Brasil começou na Bahia

Entrei no Brasil em 1981, através da região Norte. Trindade não é só o nosso nome, eu, Yane e Rodolphe estamos juntos o tempo todo. Pegamos um ônibus semi-leito em Belém do Pará e descemos até Salvador, onde um dia após nossa chegada iniciei meu primeiro negócio, o Banzo Bar, no Pelourinho. Mais tarde também arrendei o restaurante do Hotel Pelourinho e abri uma pousada na Praia do Forte. Na Bahia fiz muitos contatos e vivi um momento privilegiado social e empresarialmente falando. Lembro da primeira vez em 1982 que o Olodum saiu no carnaval de Salvador. O grupo estava sem dinheiro para abastecer seu trio elétrico e eu fiquei sabendo. Decidi que o Olodum não podia ficar de fora da Avenida, e forneci todo o diesel necessário para o circuito.

O Projeto Tamar é outro trabalho que tive a oportunidade de participar no início, me orgulho de ter criado o primeiro logotipo da marca que é muito conhecida hoje em dia. Quando abri a Pousada da Praia do Forte, a região era muito primitiva, nesses tempos não existia ponte sobre o Rio Pojuca e a travessia para a praia era feita de balsa. A energia tinha acabado de chegar no local. Nenhum trabalhador tinha carteira profissional assinada, eu fui o primeiro empregador a assiná-las e praticar a legislação trabalhista. Por dois anos seguidos (83, 84), a nossa pousada foi eleita pela Revista Playboy como o melhor empreendimento do Brasil.

"No ano em que comecei a pescar, a lagosta sumiu do mar do Ceará, tudo conspirou para o fracasso"

Um lar no Ceará
Morávamos na Bahia quando um amigo cearense convidou-nos a conhecer a Praia da Baleia. Em menos de seis meses após a visita nos mudamos para cá. A Família Trindade escolheu o Ceará, pois se apaixonou por ele. Vendemos todos os nossos negócios na Bahia e começamos do zero aqui. Em 85, comprei um barco lagosteiro de primeira linha e tinha uma equipe de oito homens para executar a pesca profissional. Nos anos anteriores, os pescadores voltavam com até 1 tonelada de calda. Mas no ano em que comecei a pescar, a lagosta sumiu do mar do Ceará, tudo conspirou para o fracasso, choveu muito, o clima mudou e anteriormente, houve muita pesca predatória.

Meses depois eu descobri que tinha iniciado um mau negócio, após investir grande parte do dinheiro. Mais tarde, investiguei a história do barco com proprietários anteriores que fizeram tudo certo e também quebraram, ouvi relatos de mortes no mar e em terra, durante consertos da embarcação. Eu o vendi para outro pescador profissional de lagosta que veio a quebrar. Hoje sei que o barco era amaldiçoado.

Queríamos muito viver num lugar tranquilo, em paz com a natureza, mas com o projeto lagosteiro arruinado, decidimos nos mudar para Fortaleza, que em 85 ainda era uma cidade provinciana. Enfrentei muito nariz torcido por causa do meu bigodão, cabelos compridos e as roupas coloridas. No comércio, as pessoas verificavam meu cheque várias vezes antes de recebê-lo. A Fortaleza de hoje é outra cidade, não para de crescer, tem muitos executivos formados, empreendedores e gente que entende de negócios.

  • O Pirata: dificuldades até o sucesso
Como empreendedor, o Pirata representa meu último suspiro. Não era novidade na minha vida abrir um negócio em que só eu acreditava. Para abrir o Pirata, vendi os últimos bens de valor fazendo fundo de caixa: uma coleção de whikys famosos, um excelente aparelho de som que quase ninguém tinha na época e até meu carro. Inaugurei o Bar às pressas sem estar pronto para isso, porque precisava levantar dinheiro e depositar alguma coisa na conta do banco evitando que ela fosse encerrada por falta de fundos.

O nome “Pirata” provocou comentários de rejeição entre os meus amigos. Encontrei dificuldade até para fazer os cartões de visita. Eu e meu filho Rodolphe, que já éramos sócios, custamos a encontrar o único tipógrafo no centro da cidade que usava a fonte que queríamos impressa nos cartões. Até a escolha pela cor do papel foi complicada, porque queríamos que fosse preto e não existia no mercado, o tipógrafo deu-se o trabalho de pintar.

Depois de ter o Banzo e a Pousada da Praia do Forte, era evidente que eu tinha de recomeçar no ramo de bar e restaurante e que seria na Praia de Iracema, pois me identifiquei com o bairro. Em 1986 Fortaleza tinha uma lacuna nesta área e havia poucas opções que agradavam a juventude.
Hoje, em qualquer lugar do Brasil ou do mundo, quando se fala de Fortaleza, na maioria das vezes fala-se do Pirata também. Como empresário isso me enche de orgulho e felicidade.

"Foi propagando a música, o forró e a música brasileira para dançar a todos os cantos que o Pirata se tornou referência de Fortaleza"

Julio e a música
O grande sanfoneiro Azeitona e seu trio pé de serra deram início ao Forró do Pirata e desde então este ritmo e suas tradições tem ocupado um espaço muito importante na programação da casa e na minha vida. Dorgival Dantas também fez parte da família Pirata durante cinco anos, e há mais de 11 anos que a quadrilha do Zé Testinha se apresenta todas as segundas-feiras no Pirata, mostrando toda a força da cultura do cangaço. O primeiro show Profissionalmente fuleiro do Falcão foi no Pirata, assim como Lailtinho brega vencedor da Meirinha e Rosicléa na final do 1º festival brega e corno do Brasil em 1989. E inúmeros músicos e artistas deixando um grande legado musical e cultural.

Foi propagando a música, o forró e a música brasileira para dançar a todos os cantos que o Pirata se tornou referência de Fortaleza e do Ceará para o Brasil e para o mundo. Oferecendo espaço e condições de trabalho para novos artistas, hoje, tenho a sensação de dever cumprido por lutar pela cultura de Fortaleza e do Ceará e perceber o valor dos artistas locais.

  • Um Pirata de princípios
O Pirata é um lugar que encontrou no Ceará sua razão de existir e para mim é muito mais que uma empresa, é um elo privilegiado à sociedade, me deu oportunidade de exercer cidadania de forma grandiosa, é bom sentir que podemos exercer boas influências nas pessoas, ter um discurso prático através do exemplo, mostrando como se faz.

Defendendo este pensamento, comprei uma briga nos anos 90, no Distrito de Caetanos, em Amontada, quando tentaram injustamente expulsar mais de cem famílias de pescadores a fim de criar um assentamento. Foram muitos anos de batalha sofrendo atentados, e graças a uma reportagem do Moacir Maia, no Fantástico denunciando tamanha crueldade, conseguimos com que estas famílias não fossem expulsas. De lá para cá sou visto como amigos por uns, e por outros como um empreendedor predatório do grande capital internacional querendo explorar o trabalhador. Talvez minha maior tristeza seja não ter o reconhecimento do trabalho feito nesta região, onde fundamos a primeira Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN de praia do Brasil em 1993 com mais de 500 hectares e mais de 2 km de praia. Como eu poderia preservar de um lado e destruir do outro?

"Dói meu coração quando ouço comentários maldosos a respeito do Pirata"

Temos ações importantes há mais de 20 anos através da Fundação Pirata Marinheiros criada em 1991. Nunca saí gritando nas ruas nem fiz propaganda pelas minhas contribuições sociais, apenas fiz o que foi preciso e estava ao meu alcance para melhorar a vida das pessoas dentro das suas necessidades. O trabalho social não é apenas usufruir do mérito de fazê-lo, mas sim instinto, sensibilidade e o olhar que temos para com o outro. Por causa disso, fui agraciado em 99 com o título de Cidadão Fortalezense, concedido pela Prefeitura de Fortaleza. Em março de 2007, recebi outro título, o de Cidadão Amontadense, conferido pela Prefeitura Municipal de Amontada e em agosto do mesmo ano, a Assembléia Legislativa do Ceará me presenteou com o título de Cidadão Cearense. Tudo isso faz parte da pessoa que sou hoje, não somente porque me naturalizei brasileiro, mas porque me sinto verdadeiramente daqui, sem precisar me dissociar das outras origens.

Dói meu coração quando ouço comentários maldosos a respeito do Pirata. Infelizmente, ainda existe muita gente preconceituosa em Fortaleza, que desconhece nossa filosofia de trabalho, que nunca teve o prazer de brincar sequer uma segunda-feira, mas blasfema contra um dos patrimônios do Ceará e da Humanidade.

Sei que muitos me amam e muitos outros me odeiam, mas todos me respeitam, não sei ser metade, sou sempre inteiro! Sou Antonio Julio Pirata d’Iracema, devoto de Santo Antonio, filho de Ogum e brasileiro por amor.

“O tumor na minha cabeça tem um lindo nome – astrocitoma, e me fez viver a maior de todas as minhas aventuras.” (Julio Pirata, falando de forma bem humorada da convivência com a doença)

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REPERCUSSÕES

  • Ibiapina,
Que sujeito extraordinário foi mesmo o Pirata!
Parabéns
MATTA MACHADO

SOBRE O PIRATA



  • Prezado Ibiapina,

Não sabia da morte desse importante e empreendedor personagem, que muito fez para alegrar a noite cearense.

Segunda-Feira, que é para o mundo todo um dia maldito, em Fortaleza era um dia de alegria e de festa. O cearense acordava esfregando as mãos dizendo - poxa, hoje é dia do Pirata -, que eu, paulista, também incorporava quando morei lá.

Que Deus receba bem esse luso- cearense cuja bela trajetória de vida culminou com sua vinda a Fortaleza onde fincou sólidas raízes e onde deixou indeléveis marcas no entretenimento dessa linda cidade que também nunca o esquecerá.

Orlando Campos


PADRE CORAJOSO







O Ministério Público Federal de São Paulo ajuizou ação pedindo a
retirada dos símbolos religiosas das repartições publicas. Pois bem, veja o que diz o Frade Demetrius dos Santos Silva:

"Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de
São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas…

Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião. A Cruz deve ser retirada!

Aliás, nunca gostei de ver a Cruz em Tribunais, onde os pobres têmmenos direitos que os ricos e onde sentenças são barganhadas, vendidas e compradas.

Não quero mais ver a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.

Não quero ver, também, a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.

Não quero ver, muito menos, a Cruz em prontos-socorros e hospitais,onde pessoas pobres morrem sem atendimento.

É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa das desgraças, das misérias e sofrimentos dos pequenos, dos pobres e dos menos favorecidos".

Frade Demetrius dos Santos Silva
* São Paulo/SP

RATOLÂNDIA - O discurso-parábola de Tommy Douglas


O discurso, apesar de ter mais de 60 anos, continua atualíssimo e nele nós nos encontramos, pois continuamos elegendo os mesmos gatos, que, como reza a sabedoria popular, à noite, são todos pardos...

A BELA FEIA


A jornalista cearense Maria Inês Saboia morava em São Luiz, onde
escrevia em jornais. Um dia, convidou o colunista Lúcio Brasileiro para ser júri na escolha da Miss Maranhão.

Lúcio achou as candidatas feias. E feia por feia, resolveu apoiar a mais feia delas, que era protegida da Maria Inês.

Conchavou com outros membros do júri. Ele conta no livro “500 Contos” que trabalhou as juradas que estavam ao lado dele na mesa. Não deu outra. Mas Lúcio não esperou pelo resultado: “já estava na calçada quando ouvi a maior vaia".

No dia seguinte, a notícia estampada no jornal: “Jornalista cearense acaba com Miss Maranhão”.

RIO ANTIGO



Rua Paissandu ao fundo Palácio da Guanabara.




A Avenida Rio Branco era assim, sem buracos.




Havia uma garagem de bondes no Largo dos Leões, onde hoje é o MERCADO DA COBAL.




A Praia do Flamengo tinha apenas uma calçadinha e era fechada com mureta de granito.
Em frente à Rua Paissandu havia uma passagem aberta e uma escadinha para a pequena faixa de areia.


O Rio já teve ônibus de 2 andares. Eram conhecidos como CHOPP DUPLO.


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

NO CEARÁ É ASSIM...



FIM DE GOVERNO

Faltava pouco mais de um mês para César Cals deixar o governo do Ceará, quando recebeu uma delegação de professores que foi pedir aumento de vencimentos. O jornalista Newton Pedrosa lembra que o governador ouviu com atenção o pleito e quando ninguém mais quis falar
ele tomou a palavra e disse: "Nada mais posso fazer por vocês. Sou o sol poente. Procurem o Adauto Bezerra que é o sol nascente..."


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SÓ OS MORTOS

Um grupo de estudantes foi pedir ao governador Virgílio Távora autorização para fazer o enterro do embaixador americano Lincoln Gordon. Estava no auge da repressão da ditadura. Era pura confusão o que os estudantes queriam.. O governador se fez de surpreso e perguntou: O embaixador morreu?

-Não, governador. Será um enterro simbólico.
-Negativo. No meu governo só enterramos os mortos.

HEBDOMADÁRIOS CEARENSES

  Wilson Ibiapina Jornais de pequenas cidades do interior do Ceará, principalmente no século passado, sempre se manifestavam em defesa de ca...