domingo, 28 de outubro de 2012

O FADO MORA EM ALFAMA




Quem vai a Lisboa tem que reservar pelo menos uma noite para ir ouvir o fado. Foi o que fizemos. Fomos ao Guitarras de Lisboa, restaurante que fica no beco do Melo, 1 à rua Jardim do Tabaco 1.100-345. 

Cantores, como Maria Armanda, se revezam enquanto você toma um tinto saboreando os melhores pratos da tradicional cozinha portuguesa. O gerente da casa, cantor Antônio Mendes, me disse que o objetivo dele é não deixar que o Fado se perca na memória do tempo. Mendes já esteve no Brasil. Cantou em Recife e curtiu as praias de Fortaleza. Promete voltar para trabalhar e se divertir no Nordeste.




Fado com amigos

Edilma e eu fomos ao restaurante na companhia de dois casais portugueses. Branca e Miguel Bragança, que moram em Brasília e Agostinho Gonçalves e Celeste, de Lisboa. Agostinho pediu que nos brindassem com o fado de Amália Rodrigues “Gente da Minha Terra”. Emocionou a todos. 

Antônio Mendes antes do show

Depois, o próprio Antônio Mendes, embora resfriado e rouco, também cantou:



TEORIA DE BIRITEIRO:



“Se passando álcool nas mãos você fica imune a várias bactérias, bebendo então, você deve ficar quase imortal!”


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

UM PARAIBANO QUE AMAVA SOBRAL



 
Wilson Ibiapina
 
Lá se foi nosso amigo Lustosa da Costa. Francisco José Lustosa da Costa, o primeiro de mais de dez irmãos. Paulo, Elcias, Fred, Isabel, Alberto, Carlos, Roberto Aurélio e o resto do pessoal, como diria Juarez Barroso. Todos filhos de dona Dolores e seu Costa. Todos cearenses, menos ele. Lustosão nasceu em Cajazeiras, na Paraíba, no dia 10 de setembro de 1938. Mas foi o mais sobralense de todos.

Se orgulhava de ter começado menino, em 1954, no Correio da Semana, em Sobral. De ter morado na casa do bispo. Seu primeiro livro acabou de ser reeditado pelos amigos. “Sobral do Meu Tempo.” Na última coluna publicada pelo Diário do Nordeste, ele agradeceu a Edmo Linhares, Sérgio Braga, Juarez Leitão e José Teles, que promoveram a reedição do livro que completa 30 anos. Já doente, foi representado na noite de autografos pela mãe, dona Dolores que aos 98 anos cumpriu a tarefa com desembaraço. A irmã Isabel, historiadora famosa, fez o discurso de agradecimento. O poeta Juarez Leitão fez a apresentação do livro que lhe deu mais satisfação. Aliás, Sobral foi cenário dos mais de 25 livros que publicou, dois deles em Portugal. Coordenou livros em homagem ao grande colunista Lúcio Brasileiro, ao médico Regis Jucá e a Tarcísio Tavares, o papa da publicidade, do rádio e televisão cearense.



A trajetoria profissional foi rica. Trabalhou na Ceará Rádio Clube, TV Ceará, depois foi editor chefe dos jornais Correio do Ceará e Unitário, todos veículos dos Diários Associados. Em Brasília, o jornalista Fernando César, o mesmo que arranjou emprego pra mim na sucursal do Correio do Povo de Porto Alegre, empregou Lustosa como repórter no jornal O Estado de São Paulo. Foi também colunista do Correio Braziliense. Escrevia no Diário do Nordeste desde 1985, quando foi inaugurada a sucursal do Sistema Verdes Mares em Brasília. O convite foi feito por Ednilton Soarez, na época Superintendente do sistema de comunicação do Grupo Edson Queiroz. 

Formado em direito, Lustosa da Costa foi também professor de sociologia brasileira da Universidade Federal do Ceará, procurador do IPASE e técnico em comunicação da Câmara dos Deputados. Entre os poucos amigos estão Lúcio Brasileiro, Juarez Leitão, Fernando César, Edmo Linhares. Gostava de beber uisque, mas foi um câncer no pulmão provocado pelo cigarro que lhe tirou de cena. 

Na coluna que publicou dia 1º de outubro, segunda feira, ele fez uma declaração de amor ao Ceará. Disse ele, me citando: “Wilson Ibiapina, num destes encontros mensais em Brasília, de cearenses nostálgicos da terra natal, cunhou a frase: “A gente sai do Ceará, mas o Ceará não sai de nós'. No meu caso – disse ele - “estou fora da terrinha desde 2 de dezembro de 1974, mas apenas fisicamente. Nunca deixei de ler or jornais da terra, escrever neles e visitar Fortaleza e Sobral. Sou e continuo a ser cearense por vontade própria. E quando digo que Sobral não é uma cidade, é uma saudade chorando baixinho em mim, não se trata de força de expressão, nem de licença poética.” A família vai espalhar as cinzas dele em Sobral.


´´A gente percebe que ficou velho no olhar das mulheres que só nos prestam atenção para ver se estamos na fila certa, a dos idosos"
Lustosa da Costa
Jornalista e escritor




quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O FOTÓGRAFO E O REPÓRTER



Dinossauros de redação



A jornalista Luana Karen usou o celular para registrar meu encontro com o decano do fotojornalismo brasileiro, o baiano Gervásio Batista. Sua história profissional está intimamente ligada à história da nossa imprensa. Começou aos onze anos, fotografando como assistente para o jornal O Estado da Bahia.Transferiu-se para o Rio nos anos 50 atendendo convite do paraibano Assis Chateaubriand, que o queria na revista O Cruzeiro. 

Gervásio conheceu o dono dos Diários Associados durante visita de Chatô à Feira de Santana. Mas foi na revista Manchete que, a partir de 1954, ele consagrou-se na profissão. Ficou com os Bloch até a revista fechar em 2000. No período em que esteve na Manchete foi escalado para registrar o dia a dia da construção de Brasília. Foi aí que nasceu seu amor pela cidade, onde mora até hoje. É dele a conhecida foto de Juscelino Kubitschek acenando com a cartola para o povo.

A famosa foto de JK

A foto saiu na capa da Manchete sobre a inauguração de Brasília. Suas fotos do enterro de Getúlio Vargas, em São Borja, no Rio Grande do Sul, também geraram um número especial da revista.
Como fotógrafo oficial dos concursos Miss Brasil e Miss Universo, Gervásio viajou o mundo para retratar a beleza da mulher brasileira no período áureo desses eventos. Fotografou Fidel Castro, Che Guevara e fez um registro diferenciado da revolução cubana. Cobriu a Revolução dos Cravos, em Portugal, acompanhou e registrou a queda do presidente argentino Juan Peron. Esteve em Saigon para registrar a guerra do Vietnã.

Teve várias passagens pela prisão, no tempo da ditadura. Como não tem engajamento político, sempre foi libertado rapidamente e sem maiores conseqüências.

Fotógrafo oficial deTancredo Neves, fez, com exclusividade, a última foto do presidente, acompanhado da equipe médica do Hospital de base de Brasília. 


Continuou como fotográfo oficial da presidência durante o governo de José Sarney. Com mais de 80 anos idade, Gervásio continua no batente. Pode ser visto diariamente no Supremo Tribunal Federal e na Agência Brasil, onde presta serviços e contamina a todos com sua simplicidade, simpatia e alegria. Um exemplo de profissional que orgulha seus amigos.




segunda-feira, 24 de setembro de 2012

ABRIGO CENTRAL






Wilson Ibiapina

Esta foto do Abrigo Central foi enviada pela engenheira Tereza Câmara Costa, mulher do meu amigo Rubens. Ela sabe que curto a Fortaleza que o progresso carregou e que existe hoje apenas na memória dos mais velhos.

Eu estava na praça do Ferreira, coração de Fortaleza, na véspera da demolição do Abrigo. Lembro da foto tirada naquela noite. Era o ano de 1967, não sei mais o dia. O pessoal que frequentava a praça à noite posou para a posteridade. Estava lá, mas não apareço na foto. Tenho a impressão que me passaram a câmara e pediram para tirar o retrato. Só pode.

Prefeito Acrísio Moreira na central
Em 1949 o prefeito Acrísio Moreira da Rocha mandou abrir licitação para a construção de um abrigo para pessoas que esperavam ônibus. O empresário Edson Queiroz ganhou e em novembro daquele ano ele inaugurou o Abrigo Três de Setembro, o maior ponto de encontro da capital. Os ônibus que passavam na porta da minha casa, na avenida Padre Ibiapina, os circulares 24 e 25, faziam ponto no Abrigo. Era lá que políticos, comerciantes, estudantes, músicos, gente de todas as classes se reuniam para discussões, comentários sobre política, futebol, religião, mulher, enfim, todos os assuntos que chegassem na roda. 



Pedão da Bananada
Além dos cafés Wal-Can, Hawaí e Presidente, funcionavam também a Livraria Alaor, a banca de revista e jornais do Bodinho. Não sai da memória as casas de merendas. A do Pedão da Bananada era a mais conhecida. Ele era torcedor fanático do Ceará. Um empregado dele, Colares, era fã do Gamaliel Noronha, pra quem ligava diariamente para pedir uma música no programa Alma Sertaneja, que ia ao ar na Dragão do Mar: "Maiel, aqui é o Colais, do Pedão. Fala neu, bota uma música e depois passa aqui pra tomar uma verdinha.” Ele se referia a vitamina de abacate, que no Ceará é conhecida como abacatada. Os liquidificadores rodavam sem parar preparando as vitaminas de frutas que eram acompanhadas de sanduíches, os famosos “cai-duro”, “espera-me no céu”, pão com carne moida e coentro. Pastéis de carne de alma e caldo quente para os que chegavam da farra. 
Parte interna do abrigo
Naquele tempo todo mundo merendava. Não se ouvia a palavra lanche, muito menos lanchonete. Sem que soubessemos, inauguramos alí as primeiras casas de Fast-food da cidade. Aliás, o fast-food virou sinônimo de um estilo de vida estressante que vem sendo criticado desde o final do século passado. Mas aí é papo pra outra conversa piaba.








CLIMA NO CENTRO-OESTE



Aqui em Brasília é assim. Na época da seca e baixa umidade, as aves aproveitam até sombra de poste. 




domingo, 23 de setembro de 2012

PROJEÇÃO INTERNACIONAL DE SOBRAL



República Dominicana 




A PREFEITURA DE SOBRAL PRESTA COOPERAÇÃO TÉCNICA À REPUBLICA DOMINICANA COM APOIO DA AGÊNCIA BRASILEIRA DE COOPERAÇÃO –ABC– DO ITAMARATY.



O diplomata cearense Marcus Vinicius de Souza é o novo embaixador do Brasil na República Dominicana. Ao chegar a São Domingos deparou-se com vários fatos que ligam aquele país ao Ceará. O segundo diplomata na hierarquia da Embaixada, Catunda Resende, também é cearense. Uma das pessoas mais influentes do país chama-se Ceará, mas isso será alvo de uma outra matéria que faremos com base na pesquisa que o embaixador fará, logo que arranje tempo. O que vou destacar agora é o Projeto Internacional de Sobral que Marcus Vinicius de Souza encontrou em plena execução e que poucas pessoas conhecem.

  

A Secretaria de Saúde e Ação Social e a Prefeitura Municipal de Sobral-CE, através da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), assinaram em novembro de 2011 o projeto de cooperação “Apoio à Implementação do Programa de Redução da Morbimortalidade Materno-Infantil na República Dominicana”, com base na Estratégia Trevo de Quatro Folhas adotado pelo Governo de Sobral em 2001. É o próprio embaixador quem conta:



“As atividades de campo do projeto tiveram início no primeiro semestre de 2012, com a viagem de técnicos dominicanos ao Ceará para conhecer “in loco” a bem sucedida iniciativa sobralense, cuja repercussão se reflete em publicações internacionais da área da saúde.



O objetivo do projeto é o de auxiliar o Governo Dominicano na reorganização de seu sistema de saúde no que tange a atenção materno-infantil e a garantia de apoio social às famílias com gestantes, puérperas e crianças em situação de risco clínico e social. Para tanto, dando continuidade aos entendimentos mantidos em Sobral pelos técnicos dominicanos, delegação sobralense deverá visitar a República Dominicana. Vale registrar que na Prefeitura de Sobral o projeto está sendo acompanhado mais diretamente pela Coordenação da Atenção Primária à Saúde, Dra. Indhira Sherlock Melo de Aguiar e pela Coordenação da Estratégia Trevo de Quatro Folhas, Dra. Francisca Júlia dos Santos Sousa”.

República Dominicana 

Homenagem 80 anos Wilson Ibiapina