domingo, 14 de novembro de 2010

CEARENSE: A CARA DO BRASIL





Wilson Ibiapina


A coisa mais facíl é você identificar um estrangeiro, já que a maioria possuiu um biotipo imediatamente reconhecido. Hoje, em qualquer país, o passaporte brasileiro tem um grande valor no mundo do crime. É que nós não temos uma cara, um tipo físico definido. Tem brasileiro com cara de japonês, árabe, índio, europeu, alto, baixo, preto, louro, de tudo quando é jeito. Qualquer um pode se passar por brasileiro.

A nossa miscigenação entre portugueses, índios e africanos tem pouco mais de 500 anos. Essa mistura chegou a preocupar os europeus, influenciados na época pelas teorias raciais. Achavam que a miscigenação era uma ameaça de degeneração de todas as raças. Nos séculos passados chegaram os ingleses, alemães, italianos e japoneses.

E nós fomos surgindo dessa mistura de raças, aumentando as interpretações dos estudiosos sobre o que é o brasileiro. Estamos todos nesse caldeirão cultural efervescente. É a carga genética de nossos antepassados europeus que se relacionaram com indias e negras, procurando o nosso biotipo. Deve sair dessa mistura um sujeito criativo, indiscreto, malandro, cordial, extrovertido, corruptível, com todos os defeitos e qualidades que já temos, mas com traços comuns que vão nos identificar em meio a multidão.

O pernambucano Gilberto Freyre, que tentou responder a pergunta sobre o que é o brasileiro no seu livro Casa-Grande & Senzala, afirmou em 1980 numa conferência no Teatro José de Alencar, em Fortaleza, que a raça brasileira, sendo feita de imigrantes, não tem um biotipo próprio e que quando viesse a tê-lo, deveria ser parecido com o do cearense.

Essa revelação, fabulosa para mim, foi feita pelo bibliófilo José Augusto Bezerra no discurso que fez quando recebia a Sereia de Ouro, comenda outorgada pelo Sistema Verdes Mares, na noite de 24 de setembro passado.

José Augusto Bezerra disse que ouviu Gilberto Freyre assegurar que foi o cearense quem dera a grande contribuição étnica por estado à nação, ao emigrar para todos os recantos do País e miscigenar-se em todas as camadas sociais. Bezerra ressalta que, nas palavras de Gilberto Freyre, “ o cearense é o modelo para que o tempo pinte, numa tela, um biotipo para o Brasil.”

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