sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O JUMENTO NOSSO IRMÃO



O animal que transportou Maria com o menino Jesus e que no Nordeste ajudava o sertanejo nas suas tarefas diárias, está ameaçado de extinção. No Ceará, onde o Padre Antonio Vieira escreveu livros em defesa do animal, que ele considerava irmão, está sendo substituido por motos até para campear gado. O triste fim do jumento foi matéria no jornal O Globo, onde Cleide Carvalho escreveu: 

"A seca dos últimos dois anos agravou a situação de abandono dos jumentos no Nordeste. Companheiro do sertanejo no trabalho duro e ícone da resistência no semiárido, o jumento ficou, na expressão dos próprios nordestinos, “sem serventia”. De nada lhe adiantou o costume a longas jornadas, pouca água e comida escassa. Descartado no transporte de cargas, idosos e crianças, centenas deles estão sendo expulsas das fazendas, colocadas do lado de fora das cercas, ao deus-dará. Com fome e sem ter onde ficar, perambulam pelas estradas em busca de comida. Provocam acidentes graves. Morrem e causam mortes."

Nos anos 60, o presidente Juscelino Kubitschek chegou a ser comparado a um jumento por um camponês. No tempo em que o animal ainda estava com prestigio e era respeitado, JK foi ao Ceará, em 1960, visitar o Orós que acabara de arrombar. O açude que foi batizado com o nome dele, foi reconstruído em tempo recorde, por sua determinação. Foi inaugurado por ele a 11 de janeiro de 1961. Num almoço, impressionado com a determinação do presidente e sua força de trabalho, um caboclo pediu a palavra, queria saudar o presidente. Foi interrompido quando começou sua oração afirmando que estava ali o presidente JK, um verdadeiro jumento. "Esse presidente é um jumento." Gerou um mal estar que só foi sanado quando alguém da terra explicou que o matuto estava elogiando JK, estava querendo dizer que o presidente era um trabalhador incansável, um fiel amigo que nem um jumento. Ganhou foi um abraço de JK que se emocionou  com a comparação. 

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