quarta-feira, 21 de outubro de 2015

POR QUE OS CÃES VIVEM MENOS QUE AS PESSOAS?

 
 
Aqui está a resposta (por uma criança de 6 anos):
...
Sendo um veterinário, fui chamado para examinar um cão irlandês de 13 anos de idade chamado Belker. A família do cão, Ron, sua esposa Lisa e seu pequeno Shane, eram muito ligados a Belker e esperavam por um milagre.
 
Examinei Belker e descobri que ele estava morrendo de câncer. Eu disse à família que não poderia fazer nada por Belker, e me ofereci para realizar o procedimento de eutanásia em sua casa. No dia seguinte, eu senti a sensação familiar na minha garganta quando Belker foi cercado pela família. Shane parecia tão calmo, acariciando o cão pela última vez, e eu me perguntava se ele entendia o que estava acontecendo. Em poucos minutos, Belker caiu pacificamente dormindo para nunca mais acordar.
 
O garotinho parecia aceitar a transição de Belker sem dificuldade. Sentamo-nos por um momento nos perguntando por que do infeliz fato de que a vida dos cães é mais curta do que a dos seres humanos. Shane, que tinha estado escutando atentamente, disse:'' Eu sei por quê.''
 
O que ele disse depois me espantou: Eu nunca tinha escutado uma explicação mais reconfortante que esta. Este momento mudou minha maneira de ver a vida.
 
Ele disse: - ''A gente vem ao mundo para aprender a viver uma boa vida, como amar aos outros o tempo todo e ser boa pessoa, né?! Como os cães já nascem sabendo fazer tudo isso, eles não têm que viver por tanto tempo como nós.''
 
O moral da história é:
 
Se um cão fosse seu professor, você aprenderia coisas como:
 
* Quando teus entes queridos chegarem em casa, sempre corra para cumprimentá-los.
 
* Nunca deixe passar uma oportunidade de ir passear.
 
* Permita que a experiência do ar fresco e do vento, na sua cara, seja de puro êxtase.
 
* Tire cochilos.
 
* Alongue-se antes de se levantar.
 
* Corra, salte e brinque diariamente.
 
* Melhore a sua atenção e deixe as pessoas te tocarem.
 
* Evite "morder" quando apenas um "rosnado" seria suficiente.
 
* Em dias quentes, deite-se de costas sobre a grama.
 
* Em um clima muito quente, beba muita água e deite-se na sombra de uma árvore frondosa.
 
* Quando você estiver feliz, dance movendo todo o seu corpo.
 
* Delicie-se com a simples alegria de uma longa caminhada.
 
* Seja fiel.
 
* Nunca pretenda ser algo que não é.
 
* Se o que você quer, está "enterrado"... cave até encontrar.
E nunca se esqueça: " Quando alguém tiver um mau dia, fique em silêncio, sente-se próximo e suavemente faça-o sentir que está aí...
 
EIS O SEGREDO DA FELICIDADE QUE OS CÃES TODOS OS DIAS NOS ENSINAM.
 
 
 
 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

FERNANDO MILFONT LANÇA NO RIO SEU NOVO LIVRO

 
JORNALISTA, ESCRITOR, SOCIÓLOGO, FERNANDO MILFONT, LANÇA DIA 15 DE OUTUBRO AO CAIR DA TARDE EM COPACABANA, NO RESTAURANTE " CORUJINHA DE COPACABANA ", SEU NOVO LIVRO, O ROMANCE " A RUA DO FIM ".
 
SOBRE O LIVRO
"A RUA DO FIM" ROMANCE DO JORNALISTA FERNANDO MILFONT, SERÁ LANÇADO NO RIO, NO PRÓXIMO DIA 15. O LIVRO FOI ESTRUTURADO COM SEUS PERSONAGENS VIVENDO SEUS SONHOS, SUAS ESPERANÇAS, SUAS AVENTURAS E SUAS TRAGÉDIAS, NUMA RUA EM CUJO COMEÇO HÁ UM CEMITÉRIO. E É PARA ONDE VÃO INAPELAVELMENTE, SEUS MORADORES, CUJO FIM É A VOLTA AO PÓ, SEGUNDO OS PRECEITOS BÍBLICOS DO REVERTERE AD LOCUM TUUM. PARA UNS, É O FIM TOTAL, DEFINITIVO. PARA OUTROS, APENAS O CORPO FÍSICO SE TRANSFORMA EM PÓ. RESTARÁ A ALMA (OU ESPÍRITO). "PARA MIM, MISTÉRIO INSONDÁVEL. ... QUE DELE SE PREOCUPEM OS FILÓSFOS.."

 

SOBRE O AUTOR
FERNANDO MILFONT, CEARENSE, RADICADO A MAIS DE 60 ANOS NO RIO DE JANEIRO É UM DOS MAIS RENOMADOS INTELECTUAIS DO JORNALISMO BRASILEIRO.
FOI REDADOR DO REPÓRTER ESSO NA RÁDIO NACIONAL, RADIO GLOBO, JORNAL O GLOBO, JORNAL DO COMERCIO, ULTIMA HORA, AGENCIA JB, EDITOR DO TELEJORNALISMO DA TV TUPY.
OCUPOU AS FUNÇÕES DE CONSUL DO BRASIL EM CHIGACO, FEZ POLÍTICA INTERNACIONAL NA UNIVERSIDADE DE CHICAGO COM PASSAGENS PELA ONU E OEA.
COM A SUA IMORTAL JOVIALIDADE, SEU BOM HUMOR CONTAGIANTE, E SUAS HISTÓRIAS FILOSÓFICAS DA VIDA, MILFONT, VAI VIVENDO A ALEGRIA DO DIA A DIA, DE SUA COPACABANA, DO SEU RIO DE JANEIRO, DE SEUS AMIGOS INSEPARÁVEIS E DE SUA CIDADE NATAL, FORTALEZA, QUE ELE FAZ QUESTÃO DE CONSERVA-LA NA SUA ALMA E SEU CORAÇÃO, DE POETA.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O MEDO DE CADA UM

 

 
Wilson Ibiapina
O ex governador de Minas, Magalhães Pinto, dizia que  “a política é como nuvem. Você olha, ela está assim. Olha de novo e ela já mudou”.
Quem fica olhando para o céu vai descobrir que a nuvem, além de mudar de posição também forma figuras incríveis. Não precisa esperar muito para terminar descobrindo um rosto, um animal, ou mesmo um monstro formado pelas nuvens. Tem  gente que jura enxergar disco voador se movendo. O que poucos sabem é que esse tipo de visão tem nome. Chama-se pareidolia.
O cientista americano Carl Sagan diz que é um fenômeno psicológico que envolve estimulo vago e aleatório. Nós, explica o cientista,  somos programados desde pequenos para identificar  um rosto humano. Ele acha que, provavelmente, como uma técnica de sobrevivência natural para escapar dos inimigos predadores.
A pareidolia, assim como a miragem, são tipos de  Apofenia, termo proposto em 1959 por Klaus Conrad para o fenômeno cognitivo de percepção de padrões ou conexôes em dados aleatórios, quer dizer um fenômeno  relacionado com o processo de aquisição de conhecimento.
Menino, no interior do Ceará,  certa noite voltava a cavalo da fazenda do meu avô, em companhia do meu pai e um vaqueiro. De repente, os animais pararam assustados, de orelha em pé, como estivessem vendo assombração. E estavam. Tamanho foi o meu medo quando ví  num lajedo um vulto branco se  mexendo. Era como  estivesse se abaixando e levantando. A lua, por entre nuvens, clareava e escurecia o bicho. Quando me preparava para fugir, o vaqueiro informou ao meu pai que era um cavalo, com uma mancha branca na testa, comendo capim.
A Apofenia ocorre em indivíduos saudáveis mentalmente e é uma fonte, um importante fator na criação de crenças supersticiosas, da crença no paranormal. É uma ilusão de ótica que já fez muito valente correr de medo, se sujando todo.
A partir de agora, contemple as nuvens e procure os monstros sabendo que se trata de pareidolia, um fenômeno da Apofenia.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

OS CHEFS CEARENSES


Wilson Ibiapina
A minha incompetência culinária começa no frigir dos ovos. Cozido ou estrelado vem sempre cheio de casca. No meu tempo de criança, no interior do Ceará, cozinhar era coisa de mulher. Homem na cozinha é só para atrapalhar, diziam.
Por ironia do destino, o macho cearense, apesar de todo o patrulhamento paterno, é hoje grande chef. Eu continuo  sem passar um café. Na cozinha me sinto um macaco numa casa de louça mas admirando, principalmente os  japoneses. O que causa inveja é a habilidade deles. O japonês vai usando, faca, prato, panela, colher e vai lavando na hora. Não deixa nada sujo.  Quanto termina a cozinha está um brilho.
O cearense, principalmente, o mais humilde, do norte do estado, que foge da seca, da fome e da miséria, procura trabalho nas cidades grandes. Como leva apenas a experiência  na roça ,  vai ser porteiro de prédio ou   lavar pratos em restaurantes e  até em navios. Já disseram que o cearense é o japonês da cozinha. Não cria nada, mas copia tudo que é uma beleza.  O jornalista, Marbo Giannaccini, morou no Japão como correspondente de jornais e revistas do Brasil. Toda vez que fala da coragem e da audácia dos cearenses na luta pela sobrevivência, principalmente lá fora, Marbo costuma contar uma história que ele batiza de Meu Japonês Inesquecível!. “Década de setenta no Japão. Uma reportagem me leva de Tóquio à Kobe, com uma excelente recomendação do Osvaldo Peralva, correspondente da Folha de São Paulo, ao Press Club local, que facilitou meu trabalho e, às duas horas da tarde, já havia enviado minha matéria para São Paulo.  Os jornalistas japoneses, amigos do Peralva, me levaram ao que disseram ser o melhor sushi do Japão.
Não acreditei, pois em Tóquio estão todos grandes chefes japoneses incensados pela mídia e pelos clubes gastronômicos, mas o ver para crer e o dever cumprido me fizeram acompanhá-los. Ao entrarmos no Sushiya, que é como os japoneses chamam as casas especializadas em sushi, fiquei meio decepcionado com o ambiente, que parecia um corredor longo com um balcão contínuo.
A fome e a curiosidade, porém, falaram mais alto e, depois de duas taças de sake, meus novos amigos pediram o famoso sushi.
Servido de modo tradicional, aos pares, tive uma sensação muito estranha quando o primeiro sushi se desfez na boca, aguçando todas as papilas do paladar a apreciar o que concordei em denominar o melhor sushi do Japão.
Embora a gastronomia não fosse meu forte, minha experiência, desde a infância em São Paulo no convívio com nisseis e japoneses, me permitia identificar uma boa ou má comida nipônica.
Repetimos algumas vezes aquela dupla maravilhosa e, no final, perguntei se podia conhecer o sushiasan, o chefe da casa de sushi. Não demora muito, lá vem o japonesinho jogando o corpo de um lado para outro, com o tradicional lenço amarrado na testa e nos cumprimenta com uma reverência.
Depois de apresentado como jornalista brasileiro, perguntei de chofre em japonês
 – Como é seu nome?
Foi aí que conheci meu japonês inesquecível!
 
– SEVERINO, de Ibiapina, lá na Serra da Ibiapaba, no Ceará. Mas pode me chamar de Severino da Serra Grande.
Saiu um dia do  Mucuripe, onde trabalhava carregando navio e foi navegar pelo mundo lavando prato, limpando a cozinha, fazendo comida..
Estava ali o ex-cozinheiro de navio que um dia aportou em Kobe e uma linda japonesa retemperou seu querer.”

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

50 ANOS DE COLUNISMO POLÍTICO DIÁRIO

Edilmar Norões
 
Jota Alcides
 
Certa vez, num evento social em Brasília, tive a chance de perguntar ao jornalista e acadêmico Carlos Castelo Branco, o famoso Castelinho do Jornal do Brasil, o que era essencial para ser um bom cronista político. Era tão grande a importância dele que diziam na época: “O Congresso trabalha muito mais na coluna do Castelo do que no próprio Congresso”. Respondeu-me, aristotelicamente, curto e pleno: "Ser um animal político”. Enquanto animal, uma raposa felpuda, cheia de sagacidade e sabedoria. Foi assim que Carlos Castelo Branco tornou-se o patrono dos colunistas políticos brasileiros, o maior de todos nos últimos 50 anos. Ao lado dele, outros mestres: Carlos Chagas, Vilas-Bôas Corrêa e Jânio de Freitas. Há ainda os notáveis da atualidade: Clovis Rossi, Jozias de Souza, Ilimar Franco, Merval Pereira, Ricardo Noblat, Eliane Cantanhêde, Dora Kramer. São nomes de prestígio nacional. Eles tem em comum a filosofia jornalística do saudoso Luiz Beltrão, o primeiro doutor em comunicação no Brasil, ex-professor da Universidade Católica de Pernambuco e do Centro Universitário de Brasília-Uniceub, maior universidade privada do Centro-Oeste brasileiro. Beltrão centra sua proposta de fundamento ético na prática noticiosa orientada à valorização humana na sociedade. Segundo ele, quase como numa balança, o jornalismo precisa se equilibrar em dois valores ligados intrinsecamente, assim como o direito e o dever: a liberdade e a responsabilidade, valores inseparáveis.
 
Mas, há também colunistas políticos regionais que adotam Beltrão e que seriam igualmente consagrados nacionalmente se escrevessem em jornais de referência nacional. É o caso de Edilmar Norões, radilalista, jornalista, advogado e acadêmico, que está completando neste julho de 2015 exatos 50 anos de colunismo político diário no Nordeste brasileiro Já tem mais de 18 mil colunas diárias publicadas, um acervo respeitável. É um animal político, diria Castelinho.“O que dá ao homem um mínimo de unidade interior é a soma de suas obsessões”, dizia o cronista e dramaturgo Nelson Rodrigues. Edilmar Noroes é a soma de suas três grandes obsessões: radio, jornal e televisão. Devotado ao jornalismo desde a mocidade, compreendeu cedo, como Bismarck, que a política não é uma ciência exata, exigindo flexibilidade e maleabilidade, e que os políticos não amam nem odeiam. Muito pelo contrário. Diretor, há muitos anos, da TV Verdes Mares e da Rádio Verdes Mares, de Fortaleza, além de atuação no jornalismo impresso diário, Edilmar Norões tem sua trajetória quase toda ligada ao Sistema Verdes Mares, maior grupo de comunicação do Ceará. Conheço-o desde 1967, dos bons tempos do Radio-Noticias Verdes Mares com ele, Mardônio Sampaio, Cirênio Cordeiro e Paulino Rocha. Sua conduta de profissional e de cidadão é irrepreensível. É o maior ícone do jornalismo político do Ceará Começou sua coluna política em 1965 no jornal Tribuna do Ceará, mantida desde 1981 no Diário do Nordeste, principal jornal do Estado, sendo leitura obrigatória de autoridades e personalidades do mundo político e empresarial do Ceará.
 
Caririense de origem, Edilmar Norões projetou-se como multimídia no Ceará e se tornou tão influente que está para o jornalismo cearense como estão Parsifal Barroso, Virgilio Távora, Paulo Sarasate, Lúcio Alcântara e Tasso Jereissati para a história política da Terra da Luz no último meio século. Todos esses grandes líderes passaram ou estão passando, mas Edilmar permanece iluminando o cenário político cearense com sua ética e seu profissionalismo: É um jornalista com atitude de servidor público, que devia ser mas não é a atitude de muitos políticos.“Cada um de nós, sejamos jornalistas, médicos, engenheiros ou de qualquer outra profissão, deve exercer sua atividade com responsabilidade, com ética e procurar nunca se desviar, pois esses desvios é que, na certa, atrapalham e jamais permitirão que o profissional seja reconhecido pelo seu trabalho. Com responsabilidade, ética e profissionalismo, a gente chega lá”, sintetiza o cronista político do Diário do Nordeste, aos 78 anos de idade, decano da crônica política no Ceará.
 
De espírito dialogal e conciliador, sua norma de vida profissional é inspirada em máxima do romancista Gabriel Garcia Márquez: “A ética deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro”. Seu legado é o do jornalismo que extrapola o dever de informar por informar para o dever de informar para formar buscando estimular as forças criativas da cidadania nas conquistas do bem comum e no fortalecimento da construção democrática.
 
Sempre admirado por sua sobriedade, sua seriedade, sua serenidade, sua cordialidade e sua afabilidade, Edilmar é adepto do credo do jornalista norte-americano Walter Williams: ”Ninguém deve escrever como jornalista o que não possa dizer como cavalheiro”. Mas, pode um comentarista político escrever durante 50 anos, diariamente, sem ferir alguém? Pode. Prova-o Edilmar Norões. Até a mais dura verdade, nua e crua, ele consegue suavizar, se necessário, com tratamento equilibrado, civilizado e adequado, mas sem mascará-la. Parece ter sido formado em jornalismo pelo Instituto Rio Branco. É um diplomata da notícia.

A INVASÃO DO “ENXAME’’ DOS EX- COLONIZADOS

João Soares Neto 

Enquanto nós, brasileiros, acreditamos estar no pior dos mundos, é preciso abrir os olhos para o que está ocorrendo por aí. A Europa, constituída por países que têm nas suas histórias a adjetivação pejorativa de colonizadores, sofre, desde 2011, com a migração constante de africanos e árabes. 
 
Há oito dias, exato em 30 de julho, o Premiê da Inglaterra, David Cameron, disse o seguinte: “Há um enxame de pessoas vindo pelo Mediterrâneo em busca de uma vida melhor, porque o Reino Unido tem bons empregos, a economia está crescendo, mas precisamos proteger nossas fronteiras”. E arrematou: “Devemos proteger as fronteiras para ter certeza de que os turistas britânicos poderão ir para as suas férias”. É verão na Europa. Seu pronunciamento não foi bem recebido por alguns. O Eurotúnel agora é foco de ataques. 
 
Um pouquinho de história. Quando a escravatura foi abolida, na primeira metade do século XIX, os europeus, que detiveram o comércio de seres humanos, resolveram repensar o que inventar para que as riquezas continuassem a fluir e a nutrir o progresso em curso face à revolução industrial.
 
Levariam 
 
Houve em setembro de 1884 o “startup” - palavra da moda atual - de uma grande reunião na Alemanha que viria a ser conhecida como “Conferência de Berlim”. Desse conclave, encerrado em fevereiro de 1885, participaram, além do país sede,  Reino Unido, França, Bélgica, Holanda ,Áustria/Hungria, Dinamarca, Itália, Espanha, Portugal e os Estados Unidos, o único não europeu. 
 
Esses países dividiram a África segundo os seus interesses próprios,  desrespeitando etnias, crenças e geografias. Atinaram que, além de mão-de-obra barata, teriam os virgens subsolos africanos para extrair as riquezas minerais possíveis. Do ouro ao ferro, do chumbo ao diamante. Admite-se que 90% do  território da África foi dominado até grande parte do século passado. Encerrada a dominação colonial – e mesmo na sua constância – começa o êxodo e o desejo dos ex-colonizados de habitarem os melhores ares dos países que os dominaram de forma não muito gentil. 
 
Não muito diferente do que aconteceu na África, quase a mesma constelação de países, a partir dos grandes descobrimentos, com a chegada do português Vasco da Gama à Ásia, invadiu o sudeste asiático e o Oriente Médio. Sem precisar de Conferência, houve o que se convencionou chamar de “Partilha da Ásia”. 
 
Foi o “enxame” da voracidade europeia de expansão comercial e a introdução, por exemplo, de “plantations” para o cultivo de arroz, pelos franceses; da seringueira, pela Grã Bretanha; e da cana-de-açúcar pelos holandeses.
 
O continente asiático, depois do fim da dominação europeia, tendo a China, o Japão e a Índia como referências, está em notável ritmo de crescimento. O mesmo, entretanto, não acontece com o Oriente Médio, onde cristãos e muçulmanos, especialmente os xiitas, os curdos e os sunitas, parecem ter despertado após as invasões do Afeganistão, da Síria e do Iraque, e do recente acordo com o Irã para a não fabricação de armas nucleares. Há muitos lados em luta, desde o surgimento e a posterior morte de Osama Bin-Laden. Estima-se que existam hoje cerca de quatro milhões de refugiados no Oriente Médio.
 
Por tudo isso, muitos jovens árabes saíram e continuarão a tentar sair de seus países, ou do que resta deles. O caminho natural da fuga, a pé ou por veículo, passa, entre outros, pela Turquia. Os turcos já prometem construir um alto muro que impeça ou dificulte a invasão de seu território, uma das rotas para o norte da Europa. Por outro meio, o mar Mediterrâneo é o cemitério e o estuário dos africanos que fogem de problemas similares e têm morrido, aos milhares, nas travessias em velhos navios mercantes, cargueiros e até batelões improvisados.
 
Há campos para atendimentos a refugiados, em especial na Itália e na França, trens e veículos sofrem ataques. Tudo leva a desdobramentos que ainda não sabemos onde irão parar. 

FAMÍLIA GUINLE: DO ARMARINHO À DINASTIA

 
Copacabana Palace
 
João Soares Neto
 
“Se você deseja, não lhe fará mal”. Máxima dos Guinle
Clayton Lima, da Livraria Smile, deu-me um exemplar do livro “Os Guinle – A História de uma Dinastia”, obra do historiador e professor Clóvis Bulcão. “Os Guinle” foi elaborado com cuidado, lançado em junho pela “Intrínseca”. Começa com frase de Nelson Rodrigues: “Quando desaparece um Guinle, morre um pouco do nosso passado”.
Em seguida há a genealogia da família, descendente de imigrantes franceses, iniciada com Eduardo Palassim Guinle e Guilhermina Coutinho Guinle e vai até a sua quinta geração. Há uma cronologia, a partir de 1840, mas, na verdade, o ponto de partida é o nascimento  de Eduardo Guinle, em 1846.
 
No mundo dos negócios a vida começa em 1871, com a abertura de um armarinho, no antigo centro do Rio de Janeiro, quando os sócios Eduardo Guinle e Cândido Gaffrée fundaram o “Aux Tuileries” que vendia um pouco de muitas coisas.
 
Eduardo e Guilhermina, casados em 1878, tiveram os filhos Eduardo, Guilherme, Carlos, Arnaldo, Octávio, Celina e Heloísa.  Uma das características da família foi morar bem, cultivar relacionamentos  com o poder, e dar aos filhos  instrução, oportunidade de aprenderem línguas e obter graus de ensino superior.
 
O ponto de inflexão da ascensão de Eduardo, o patriarca, e de seu sócio Cândido Gaffrée, foi a disputa da licitação para operar e ampliar o Porto de Santos. O fato aconteceu em1888, depois de duro embate. Já em 1892 era inaugurado o novo porto com 260 metros de caís construído pela sociedade.
 
Daí para frente há a entrada na área elétrica, concorrendo com a Light, poderosa empresa canadense. Esse novo ramo de atividade também foi decisivo para o crescimento da engrenagem empresarial e social dos Guinle. 
 
Por outro lado, em 1902, surge o Fluminense Football Clube, do qual os Guinle viraram sócios. O Fluminense, ainda hoje, leva o nome de “pó de arroz”, por ter sido fundado por pessoas de bom nível social. Os Guinle tiveram influência na construção do estádio do clube onde foi disputado a decisão do campeonato Sul-americano de 1918, quando o Brasil venceu o Uruguai.
 
Eduardo, o patriarca, morre em 1912. Em 1914, seu  filho Octávio - que procurava entrar no “jet-set" americano- é preso em Nova Iorque por suposto ataque físico à americana Monica Borden, com quem, depois de um acordo em que desembolsa 50 mil dólares da época, resolve casar. Esse casamento, como era de se esperar, durou apenas dois anos.
 
Com a urbanização do Rio de Janeiro e a inauguração da nova Avenida Central (hoje, Rio Branco) que seguia os passos da modernização de Paris de Haussmann, a família funda uma hotelaria. Em 1918, e surge o Hotel Palace no centro.
 
Copacabana era o futuro do Rio e a família comprou as terras que pode e,  em uma delas, resolve construir o hotel Copacabana Palace, inaugurado em 1923. “O Copa” sempre foi a obra mais visível da família, embora o grosso da fortuna da dinastia esteja ligada aos 92 anos de controle ininterrupto do Porto de Santos.
 
Saindo da cronologia, para não atrapalhar a quem desejar ler o livro, um fato peculiar chamou-me a atenção. O regente cearense Eleazar de  Carvalho foi beneficiado com uma bolsa de estudos por Arnaldo, filho de Eduardo, que assumira, em 1941, a presidência do conselho da Orquestra Sinfônica Brasileira. Eleazar foi para a Berkshire Music Centre, em Massachussets, e recebia duzentos dólares- que valiam muito - a cada mês.
 
Dou por terminado este relato, mas sem esquecer que o perigeu dos Guinle acontece em 2004 com a morte do “playboy” Jorginho Guinle, que foi o garoto propaganda do Copacabana Palace. O Copa foi vendido a grupo estrangeiro em 1989.

Homenagem 80 anos Wilson Ibiapina