domingo, 3 de outubro de 2021

HEBDOMADÁRIOS CEARENSES



 Wilson Ibiapina

Jornais de pequenas cidades do interior do Ceará, principalmente no século passado, sempre se manifestavam em defesa de causas internacionais. O dono do jornal, na maioria semanários,  procurava impor seu ponto de vista, chamando a atenção dos litigantes.  Sem satélite, as comunicações eram difíceis, as notícias chegavam com atraso, mesmo assim os jornais interioranos não deixavam passar em branco as   que mais repercutiam. 


Em Ubajara, na Serra da Ibiapaba, em 1910, o jornalista Manoel Miranda, que sempre comentava os principais  acontecimentos do país, apareceu no mês de junho de 1910 dizendo: "O nosso Serrano, poderá bipartir-se no ardor de refregas desiguais, poderá  fragmentar-se no reencontro  de arbitrariedades odiosas e inconfessáveis, mas nunca amoldar-se-á aos caprichos de estranhos". A raiva toda é que ele ficou sabendo que uns argentinos tinham rasgado a bandeira brasileira. A rivalidade Brasil x Argentina vem bem antes  das disputas em campos de futebol. Antes das brigas para saber quem era o melhor, Pelé ou Maradona? Há quem diga que vem do tempo do Tratado de Tordesilha, quando a Espanha e Portugal resolveram dividir as terras que tinham na América do Sul.  E o jornalista Manoel Miranda, mesmo sem confirmação da notícia, mandou tinta:  “Se assim foi, acabaram de insultar-nos gravemente  e exigimos uma satisfação em regra. Provemos à essa  gente que não somos  nenhuns palermas, mas macaquitos de força e sentimentos patrióticos incontestáveis!”

 

Em outra serra cearense, a de Baturité, durante a segunda grande guerra,  um outro jornal, A Verdade, vociferava contra os nazistas.  O comendador da Igreja Católica,  Ananias Arruda, não perdia  oportunidade  para  criticar Adolf Hitler e o exército alemão, que fez juramento de lealdade ao Chanceler do Reich (chefe de governo) e Führer (chefe do Partido Nazista), palavra que Hitler usou para se designar líder da  Alemanha Nazista. No dia que acabou a  guerra o Comendador publicou uma edição extra de A Verdade. O jornal destacava na primeira página um editorial em que Ananias Arruda dizia:  Hitler perdeu porque não ouviu nossos conselhos. Bem que avisei.

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