quarta-feira, 30 de maio de 2012


COISAS DO ALÉM” SEMPRE ATORMENTARAM O CEARÁ





Wilson Ibiapina

Ninguém sabe o que está acontecendo em Itatira, município cearense que fica a 220 quilômetros de Fortaleza. Um fenômeno paranormal está mexendo com alunas da Escola de Ensino Fundamental Eduardo Barbosa. Fica no distrito de Cachoeira BR. As meninas, entre 11 e 19 anos, ficam em transe, agressivas, falam grosso e não se lembram de nada quando voltam ao normal.

Não é de hoje que o Ceará vive em contato com fenômenos sobrenaturais. Desde menino que ouço falar em histórias de assombração. O cearense impressiona-se, acredita e, gosta tanto, que o jornalista Edmundo Vitoriano ficou famoso nos anos 50 e 60 escrevendo um programa que a Rádio Iracema de Fortaleza apresentava toda segunda feira, “Meia noite, feche a janela, trave a porta, apague a luz. Silêncio. Edmundo Vitoriano, sentado na catacumba número 13 apresenta.. Assombraçãaoooo”

Era de arrepiar. Histórias de almas, que desciam de taxi na porta do cemitério São João Batista. Não faltavam as histórias de lobisomem, mula-sem-cabeça, tudo que alimentava a crença popular. Algumas inventadas por ele, outras enviadas pelos ouvintes.


Quando menino em Ibiapina, na Serra da Ibiapaba, ouvia comentários sobre uma casa mal-assombrada na vizinha cidade de São Benedito. O fogão pegava fogo sozinho, quadros caiam das paredes, panelas e cadeiras voavam pela casa da família Ximenes. Nunca deram uma explicação científica, ficou como coisa do diabo mesmo.

Em Fortaleza, no início dos anos 60, os moradores do populoso bairro de Itaoca foram tomados pelo medo com a notícia de que o capeta estava aparecendo por lá. A imprensa encarregou-se de divulgar as estripulias do cão de Itaoca, como logo foi batizado..

Foi nessa época, no auge do rádio, que os jornalistas Ciro Saraiva, Paulo Limaverde e Oliveira Ramos deram asas ao imaginário popular com histórias do outro mundo. Foram craques na criação de causos que eram dramatizados e apresentados por radioatores e radioatrizes na programação de almoço das emissoras. Eles povoaram a lenda urbana de fantasmas, o monstro da lagoa verde e outros seres que ameaçam pacatos cidadãos.

Agora, quem entra no noticiário é o município de Itatira. O mistério que atinge adolescentes está sem explicações da medicina. O povo tem certeza que é assombração. As alunas sentem dores musculares, sufoco no sistema respiratório, palidez, calafrios, a pressão sobe e elas ficam com medo de morrer. Há algum tempo, três alunos da escola morreram em acidentes e já há quem ache que são eles que estão pedindo reza. Os pais das meninas, atônitos, temem pelas filhas. Veja os depoimentos de algumas delas, que estão no blog Canindé Agora:


ANDRÉIA ALVES MARCOLINO - de 16 anos, disse que vem sendo perseguida por este fenômeno há um mês. ‘’É tudo muito rápido, começa com um calafrio, depois as mãos ficam trêmulas, os batimentos do coração ficam acelerados, dar sede, um sufocamento toma conta do torax, as pernas não seguram o corpo e aos poucos vem o desmaio. Quando volta ao normal não da para relembrar de nada’’, narra Andréia.

MARLEI ALVES MARCOLINO – 14 anos, diz que as coisas acontecem em série. Quando tudo começa dar uma dor no peito, um arrepio, uma agitação que dar vontade de correr, gritar e pedir para não morrer. ‘’A gente desmaia, perde o sentido e o que pior fica com a voz conturbada. No dia que aconteceu comigo, a professora disse que mais seis alunas sofreram o mesmo ataque’’, falou Marlei.

FRANCISCA DIANA LÔBO LOIOLA – 18 anos, chora ao falar. ‘’De imediato dar um nervosismo, fiquei tonta, me bateu um suor frio, a voz fica enrolada e grossa e a força que penetra na mente perde que reze missa e faça orações porque ele não vai ficar satisfeito enquanto não realizar a sua missão. É uma adrenalina muito forte. Estou com muito medo de voltar à sala de aula.”


O que está acontecendo na Escola Eduardo Barbosa? Ufologia, espiritualidade ou histeria coletiva, esse distúrbio psicológico em, que um grupo de pessoas passa a ter, ao mesmo tempo, um comportamento estranho ou adoece sem uma causa aparente?
Caso não apareça uma explicação plausível, o povo vai colocar esse caso de Itatira na longa lista de assombrações .

A CPI E OS JOGOS




João Soares Neto

No Brasil todos acreditam na sorte. Vai dar certo. Deus ajuda. Por essa razão traquinam, apostam ou jogam em tudo. Jogam no “bicho”, diversas loterias, cavalos, galos e futebol. Em praças públicas, bancos, botecos e bancas. Em 1946, na redemocratização, o presidente Eurico Gaspar Dutra baixou decreto fechando os cassinos e proibiu os jogos de azar. Na verdade, atendia, a pedido de sua mulher, Carmela, a D. Santinha. Ela pedira ao marido: 1. acabar com os cassinos e jogos; 2. fechar o Partido Comunista Brasileiro e; 3) construir capela, nos jardins do Palácio da Guanabara, então residência oficial. Dutra, honesto, marido ardoroso e católico, atendeu aos pedidos.

Hoje, 2012, o Partido Comunista Brasileiro é aliado do governo, sua dissidência criou o Partido Comunista do Brasil (PC do B), também aliado, e a capela está intacta no Rio. Neste país laico, segundo a Constituição de 1988, mantiveram-se os feriados religiosos. De fora, apenas, os cassinos e os jogos de azar. Na realidade, só os cassinos, pois a Caixa patrocina jogos diários/semanais nas análises combinatórias possíveis.

Dizia Câmara Cascudo, no Dicionário do Folclore, jogo “é um vício irresistível. Contra ele a repressão policial apenas multiplica a clandestinidade”. O sociólogo Gilberto Freyre comentava que era “uma das poucas atividades sem discriminação de classes”. 



Agora, por que não se aproveita a atual CPI mista e se dá, além da pauta, uma geral nos jogos da Caixa, nas concessões públicas das loterias e se deslinda o “invisível” jogo do bicho?

LÁ VAI A YPIÓCA DO BOTECO PARA O PUB





Wilson Ibiapina

Um dia, os jornalistas Macário Batista, Nelson Faheina e eu bebíamos uísque num bar da avenida Beira Mar, em Fortaleza, quando notamos um cidadão que, à curta distância, não tirava os olhos de cima de nós. Aquilo começou a incomodar. 

- Estará curioso pra saber o que estamos bebendo? perguntou o Macário. 

- Acho que ele está querendo é tomar uma. 

Disse o Faheina, que colocou uma lapada do “red” num copo e ofereceu ao rapaz. Ele bebeu de uma vez, lambeu os lábios e perguntou: 

- Doutor, essa é a tal da Coca-Cola?


Pois não é que agora, antes mesmo de chegar ao povão, o Johnnie Walker, o famoso Joãozinho Andador desembarca ao Ceará e abocanha a Ypióca, a nossa marca de cachaça mais conhecida no Brasil e no mundo.

Assim como o sabonete Phebo, que foi criado pelos primos portugueses Antônio Lourenço da Silva e Mário Santiago, a Ypióca surgiu no Ceará em 1846 por obra e graça da família portuguesa Teles Menezes e agora, também passa para o domínio britânico.

A cachaça é a segunda bebida alcoólica mais consumida no país, só perde pra cerveja. Quero ver se vão dizer agora que beber pinga é coisa de pé sujo.

A família Teles vendeu a marca, uma destilaria em Paraipaba, uma fábrica de envasamento em Fortaleza e um centro de distribuição em São Paulo. Mete R$ 900 milhões no bolso e ainda vai fornecer cachaça pra multinacional.

Ainda bem que o dia vai continuar amanhecendo colonial. A cachaça Colonial, fundada por Tibúrcio Targino em 1923 é a preferida pelo cearense, principalmente nos dias de chuva. Quando o céu está nublado, a turma diz que o dia está colonial.

Os mais velhos dizem que a aguardente serve para curar gripe, abrir o apetite, cortar a fome. Pode ser consumida nos momentos de alegria e de tristeza. Um santo remédio.

Vejo que não era 
invenção dos mais velhos. A aguardente, que na Europa 
era feita de cereais, frutos, raízes e sementes, era usada desde a 
Idade Média como medicamento.


A palavra água+ardente aparece com o sentido de água da vida em vários idiomas. O professor Reinaldo Pimenta, mestre de português, que especializou-se em descobrir a origem das palavras, conta que tudo começou em 1300. O alquimista espanhol Arnau de Villanova destilou o vinho e obteve álcool, pela primeira vez.

Foi chamado em latim de spiritus vini (espirito do vinho). Até hoje, em 
inglês, a palavra spirits serve para designar bebida alcoólica 
destilada. O químico suíço Paracelso foi o primeiro a substituir
 spiritus vini pela palavra álcool. Outra explicação dele: A palavra 
vem do espanhol alcohol, que veio do árabe al-kuhl. Deu origem a
 cachaça árabe Arake, que tem gosto de aniz. Nas línguas européias a
palavra álcool passou a designar qualquer substância produzida por
 destilação.

A água da vida foi batizada pelos irlandeses de uisce
beatha - água da vida. Depois passou a ser chamada só de uisce (água, 
termo que virou em inglês whisky, que passou para uísque em português).


Os russos batizaram sua cachaça de Vodka (aguinha). 
Essas são as explicações verdadeiras para a etimologia da
 aguardente. Mas há os que preferem as explicações inventadas pelo
 povo, que são mais sedutoras.

Antigamente, no Brasil, para se ter melado os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse.
 Conta a lenda que, num dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou! O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. 

No dia seguinte, encontraram o melado
azedo (fermentado). Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. Resultado: o "azedo" do melado antigo era álcool que aos poucos foi evaporando, formando no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente.
Era a cachaça já formada que pingava 
(por isso o nome PINGA) As gotas, quando batiam nas costas dos escravos, marcadas com as chibatadas, ardiam muito, por isso o nome "AGUARDENTE". 

Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca, os escravos viram que a tal goteira dava um barato, e passaram a repetir o processo constantemente. Êta, como a mentira fica bem mais interessante que a verdade!


Se for beber, não dirija.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O JORNALISTA CEARENSE FERNANDO MILFONT LANÇA NO RIO SEU LIVRO "O SACO DE DÓLARES"






Ayrton Rocha, velho amigo de Fernando, lembra que o jornalista da velha guarda é sociólogo e escritor. Foi o principal redator do Repórter Esso, ainda na Rádio Nacional, com Heron Domingues. Atuou como editor de O Globo, Jornal do Brasil, Última Hora e Agência JB. Trabalhou também como adido cultural do Brasil na embaixada brasileira nos Estados Unidos.
Com 86 anos de idade, este crearense que mora no Rio, continua em plena forma física e intelectual.


O livro



O SACO DE DÓLARES, que dá título ao livro, está mais para uma pequena novela onde ocorre uma discussão filosófica sobre a existência de Deus. Os demais contos são curtos, leves, mas nem por isso destituídos de emoção. Enfocam personagens de ficção, calcados em pessoas reais, cujo mau caráter se assemelha, nas aventuras narradas.Um dos contos é baseado numa história de Machado de Assis – “A missa do galo” - cujo final é reescrito à la Nelson Rodrigues.

IMPROVISAR

Buscar soluções para realizar nossos sonhos...


Com as ferramentas que estão disponíveis...


E gostar do que temos!

Este é o desafio!




MENSAGEM DO AMIGO AYRTON ROCHA


Homenagem 80 anos Wilson Ibiapina