domingo, 4 de dezembro de 2011


Sócrates era filho de cearense, deixou amigos em Fortaleza como o cantor e compositor  Raimundo Fagner e o arquiteto Totonho Laprovitera, que escreveu no blog dele essa nota que transcrevemos abaixo.


Doutor Sócrates

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira


- Totonho, você é um homem sem identidade! - Pegando a deixa, disse o Magrão.

Foi o seguinte. Em mil novecentos e noventa e pouco, Sócrates veio ao Ceará para passar uns dias e, anfitrionado pelo Fagner, o primeiro compromisso do ex-jogador da seleção brasileira não podia deixar de ter sido uma boa pelada de futebol. Pois bem, nos encontramos e combinamos de ir em dois carros: no do Fagner e no meu. Magrão escolheu de ir comigo e eu avisei pra ele que há pouco eu havia perdido a minha carteira com todos os documentos. Foi quando ele fez valer a sua espirituosa veia de filho de cearense que era e me mandou a tirada com a qual eu comecei esta história.

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira e eu, fomos apresentados pelo Fagner e, desde aí, não nos perdemos mais de vista. Quando demorávamos a nos visitar, nos telefonávamos e lembro sempre dele falando de maneira arrastada, caricaturizando o linguajar cearense, ao me cumprimentar:

- Totooonho... Cadê você, meu bichim?...
- Magrãããooo... Tô aqui, mortim de saudade do amigo véi... - Eu respondia.

Aí, dávamos aquela gargalhada e cobrávamos de nos vermos.

Quando o Magrão vinha à Fortaleza, quase sempre era assim: hospedava-se em hotel, mas tomava o café da manhã aqui em casa. Chegava pelas nove, pedia o computador para escrever sua coluna e ficava trabalhando até meio-dia, mais ou menos. Ficava só, à vontade, e ao voltarmos pra casa, na hora do almoço, deparávamos com os vestígios da sua presença na cozinha da casa, pelo deixado castelo metálico bem construído com latinhas vazias.

São muitas histórias com o inesquecível Sócrates. Certa vez, eu inventei de comprar um Puma. Diziam os amigos que o carro me dava status de colecionador de automóveis antigos. A verdade não era bem essa. Na época, liso eu estava e a oportunidade da aquisição do esportivo me caiu baratamente bem. Nele, fomos ao bar do Vaval e quando o Magrão entrou no bólido, grandalhão que só, parecia mais que estava era vestindo o automóvel. Foi engraçado, mas conseguimos ir e voltar tranquilos.

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