domingo, 29 de abril de 2018

Ricardo Bacelar - Oh Mana Deixa Eu Ir

Ricardo Bacelar ao piano canta a   canção "Oh Mana Deixa Eu Ir",  de Heitor Villa-Lobos, Milton Nascimento e Teca Calazans. 

A canção fala de sertão, de solitude. Nesse contexto entre o árido e o sensível, ele escolheu como cenário os monólitos de Quixadá, em pleno sertão cearense.

sábado, 28 de abril de 2018

Um super herói cearense




Wilson Ibiapina

A BandNews, rádio FM da Bandeirantes, em Brasília, apresenta, pela manhã, um programa em que são lembrados os super-heróis que marcaram a infância dos ouvintes.

Mino, pai do Capitão Rapadura
Não ouvi até hoje uma só referência ao primeiro super-herói brasileiro, personagem fictício de histórias em quadrinho criado pelo cartunista cearense Hermínio Castelo Branco. Mino, como ele assina suas histórias, diz que o lema do Capitão Rapadura é "O herói que tudo atura".  Trata-se de um humilde cearense, com aspecto de camponês, que usa um chapéu de couro daqueles que o sanfoneiro Dominguinhos carregava na cabeça. Sua fonte de energia é a rapadura, feita de cana-de-açúcar. Basta uma lambida num pedaço de rapadura para que aquele cearense se transforme num super-herói. 

Mino, que também é humorista, já levou o Capitão Rapadura por aventuras até no exterior. Ao contrário de outros super-heróis, o Capitão Rapadura se recusa a usar a violência para combater o mal. Seu maior super poder que aparece quando lambe a rapadura, é  poder  voar. A Wikipédia revela na Internet que as principais habilidades do Capitão Rapadura são a astúcia, a força de vontade e principalmente o bom humor.



A primeira historia desse super-herói que surgiu no Ceará foi publicada em 1973, no Almanaque do Mino, sob o título "Capitão Rapadura contra a Peba da Aldeota”. Mino satiriza os buracos que enchem as ruas do bairro mais elegante de Fortaleza.

Hoje, de quando em vez,  o Capitão aparece nas páginas do Diário do Nordeste. Atualmente o Capitão Rapadura tem sido assediado por partidos políticos que querem lançá-lo como candidato nas próximas eleições. O nosso herói tem resistido, preferindo aparecer somente nos momentos em que possa livrar nosso povo do mal, amém.




segunda-feira, 26 de março de 2018

Toninho Drummond, uma vida a serviço do jornalismo e dos amigos



Wilson Ibiapina


Não se tem notícia de que o  jornalista Antônio Carlos Drummond nos 82 anos de vida tenha cometido uma inconfidência. Nunca se ouviu falar que Toninho Drummond tenha sido desleal com alguém. Seu apelido era moita de tão reservado que era. Deixa como exemplo sua gentileza no trato com as pessoas, sua experiência  profissional. 


Chegou a Brasília no começo dos anos 70 para assumir a direção do telejornalismo da Tv Globo. Para minha surpresa, ele foi me visitar no hospital onde estava internado para retirar um cálculo renal. Foi um gesto voluntário, de afeto por quem nunca tinha visto. Aquilo fez nascer em mim  um respeito e admiração que virou uma amizade por toda vida. 



Trabalhamos juntos durante todo o tempo  em que esteve na Globo, primeiro como chefe do jornalismo, depois como diretor regional. Levou o jornalista  Carlos Henrique de Almeida Santos para comandar uma equipe que iniciou a  cobertura política da emissora. Estavam lá, entre outros, Geraldo Costa Manso, Hélio Doyle, Carlos Marchi, Leila Gebrim, Álvaro Pereira, José Carlos Bardawil. Ricardo Pereira, Pedro Rogério, Marilena Chiareli, Edilma Neiva, Ana Maria Rocha, João  Firmino Pena, Sérgio Mota, Airton Garcia, Ronan Soares e Flamarion Mossri, o turco que não usava gravador, tão na moda na época na cobertura  do Congresso Nacional. Ele também dirigiu a Tv Bandeirantes em Brasília e foi presidente da Radiobrás. 

Quem viu o Toninho muito calado, nos seus últimos dias de
vida, nunca imaginou que ele era um sujeito espirituoso,  um exímio contador de causos. Seus amigos não esquecem a história do tio Nestor, fazendeiro rico, que namorou  a mulher do vaqueiro. Um dia, o marido enganado disse que precisava ter uma conversa séria e reservada com o fazendeiro namorador. Tio Nestor se preparou para o pior. O vaqueiro, quase  cochichando, disse-lhe ao pé do ouvido:

- Dr. Nestor, tô com a impressão que a Matilde está nos traindo....

Mineiro de Araxá, Toninho dizia que toda vez que via o mar se sentia longe de casa. Orlando Brito lembra que estavam em Recife acompanhando uma viagem presidencial. Depois da cobertura foram dar uma volta na praia de Boa Viagem:

– Mr. Brito, estamos muito longe de casa. Olha o tal de mar aí! Nascemos em Minas e moramos em Brasília. Uai, o que nós estamos fazendo nesse fim de mundo?

" Toninho era um  cidadão do mundo. Transitava em Belo Horizonte ou Juiz de Fora, Paris ou Nova Iorque com toda desenvoltura. Porém jamais abriu mão um segundo ou um milímetro de sua mineiridade."

Orlando Brito conta ainda que  "no  avião de volta a Brasília, para bem longe do Atlântico, o amigo esqueceu o cidadão do mundo que era para ser mineiro original. Olhou pela janela do Boeing e comentou com alegria quando viu do alto o Rio São Francisco cortar o interior do Brasil:

– Olha lá em baixo que beleza. E parece que o São Francisco nasce lá em Minas Gerais.

Conhecedor do puro refinamento dos comentários do Toninho,  fiquei sorrindo também discretamente, como mineiro que igualmente sou, da palavra "parece". Aquele cuidado para não afirmar nada."

A jornalista Olga Bardawil lembra que Toninho participou da cobertura política de onze diferentes presidentes do país, "mas, mineiríssimo, sabia muito mais do que contava. 

Ricardo Pereira, que foi repórter em Brasília e hoje dirige o escritório da Globo em Portugal, lembra que quando  os amigos cobravam um livro de memórias, que nunca veio, ele dizia que um dia iria escrever e que já tinha até o título: "Minhas Amnésias".

Eduardo Simbalista, que foi editor-chefe  do Jornal Nacional, lembra em artigo publicado no site Diário do Poder, que Toninho, como bom "coach", tinha faro para os melhores talentos. Com o carinho e a paciência do jornalista que já vira de tudo um pouco, Toninho só se mostrava intolerante com a burrice e com a teimosia. Mas, mesmo assim, não levantava a voz. Jornalista tinha de ser inteligente e persistente, sem empacar. Um passo de cada vez, sempre perguntando por quê.

O jornalista Fábio Ibiapina escreveu: "Toninho, um ser humano doce e carinhoso que no seu jeitinho mineiro ajudou a transformar o país, o jornalismo e a vida dos amigos".

Toninho saiu de cena, mas fica na história da imprensa.

Toninho Drummond e Wilson Ibiapina nas ilhas U-Matic da TV Globo

Toninho Drummond e Fábio Ibiapina nas ilhas Betacam da TV Globo

Dia que Toninho deixou a TV Globo

Festa de Ano Novo 2017 na casa da Família Ibiapina
Fábio Ibiapina, Daniela Ramalho e Toninho Drummond

Ano Novo 2018



sábado, 11 de novembro de 2017

HOMENAGEM AOS AMIGOS QUE PARTIRAM



Wilson Ibiapina


Estão chamando nossa turma

O pernambucano Antônio Maria, cronista, jornalista, colunista, compositor, antes de ficar famoso no Rio passou por Fortaleza, onde fez sucesso como locutor esportivo. 

Chico Anísio contava que um dia, quase ele mata a mulher do atacante Pipiu, durante um jogo em que o goleiro do time adversário era um tal de Puxa a Faca. Na época, a bola era chamada de pelota ou couro. E Maria transmite: 

- Pipiu vai cabecear, vem Puxa Faca e arranca o couro da cabeça do Pipiu. 

A mulher do craque, ouvindo a transmissão do jogo pelo rádio, não pensou duas vezes antes de desmaiar. "Escalparam meu marido." 

Em 1952, Antônio Maria fez a letra e Zé Gonzaga, irmão do Rei do baião colocou a música e cantou:

Nós era sete
Fumo morrendo
Fumo morrendo
E só fiquemo eu
Não houve reza
Não houve nada
Fumo morrendo
E só fiquemo eu


Essa música só lembra os amigos jornalistas que vão ficando pelo caminho. E não são poucos. No Ceará , o Galeguinho, repórter policial, Flávio Pontes, Odalves Lima, Agladir Moura. Carlos Paiva, Ciro Saraiva ,Edmundo Castro, Edmundo Maia, Ezaclir Aragão, Venelois Xavier, Vander Silva, Edilmar Noroes, Durval Aires, Francisco Bilas, Neno, Guilherme Neto, Dário Macedo, Tomas Coelho, Rangel Cavalcante, Lustosa da Costa…

Aqui em Brasília nem se fala. Carlos Castelo Branco, Abdias Silva, João Emílio Falcão, Alfredo Obleziner, Elisio Pontes, Carlos Chagas, Pompeu, o do Ceará e o do Pará. É gente demais. São tantos, que nem lembro todos.

Enfim, nós era sete
E só fiquemo eu


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

UMA SERENATA COM LUPICINIO RODRIGUES



AYRTON ROCHA


Belos tempos e lindas madrugadas
Onde a noite ainda era criança
Nos tempos dourados dos anos cinqüenta.
O Rio de Janeiro, tão adolescente quanto eu
Era um poema de amor
Que nem Drummond conseguiu fazer
As mulheres eram lindas,
E para felicidade nossa, continuam belas
Copacabana era um Oásis nos meus olhos,
Na minha alma e no meu coração
Ipanema ainda engatinhava
Igualzinha a uma criança aprendendo a andar
Mas já precocemente, chamando todos nós para lá
As mulheres tomavam conta da praia
E o samba canção da noite
Tom Jobim fazia samba canção
Melhor que ninguém
Dolores Duran e Tito Madi
Faziam melhor ainda.
Antonio Maria apaixonava as mulheres
Com seus poemas sofridos e musicados
Johonny Alf dava os primeiros acordes dissonantes
Anunciando que alguma Bossa Nova
Estava para acontecer na musica popular
Era tanta gente boa e musicas tão linda
Que as lembranças e a saudade
Me trazem lágrimas aos olhos
Quantas noites e madrugadas inesquecíveis
Fizeram do meu viver mais feliz
A Lagoa Rodrigues de Freitas
Bela, cristalina e pura,
Era o espelho onde a Lua narcisava
Toda sua luz, seu encanto e sua beleza,
Cenário que a natureza criou
Apaixonada por seus amantes
E para os boêmios fazerem serenatas
Tão puras quanto suas águas
Daquele lindo espelho da Lua
Onde a saudade chorava a sua dor
Foi lá, na linda Lagoa,
O meu encontro marcado com Lupicínio Rodrigues
Para uma serenata que jamais esqueci
Com meu violão cantei as minhas canções
E minha saudade
Com meu violão
Acompanhei Lupicínio cantando a sua dor,
Com suas musicas tão lindas e sofridas
Que jamais vou esquecer.
Voz com gosto de muito Whisky,
Ele cantava baixinho ao som do meu violão,
"As Aparências Enganam", "Dona do Bar",
"Cadeira Vazia", "Dona Divergência" sem faltar nunca "Nervos de Aço".
Hoje, volto a Lagoa, com meu Violão
Para uma serenata solitária
Porque hoje, noite de lua, é noite de Serenata no Céu
Onde todos os santos, rezam a música de Lupicínio Rodrigues

Ricardo Bacelar - Oh Mana Deixa Eu Ir

Ricardo Bacelar ao piano canta a   canção "Oh Mana Deixa Eu Ir",  de Heitor Villa-Lobos, Milton Nascimento e Teca Calazans.  A can...