segunda-feira, 16 de julho de 2018

O GENERAL DANILO VENTURINI E AS PROFISSÕES DO FILHO



Wilson Ibiapina

General Danilo Venturini

Você não imagina a alegria do general Danilo Venturini quando soube que seu filho Danilinho estava estudando karate com o  professor Flávio Testa. 

O general, capixaba de Itarena, de ascendência italiana, foi ministro da Casa Militar do governo Figueiredo. Foi também, ministro para Assuntos Fundiários, ministro de segurança institucional. Fez parte da cúpula dos governos militares nos anos 60 e 70, destacando-se como um defensor da transição  dos militares para a democracia.

Casado  com dona Amarílis Portugal Venturini, o casal teve três filhos: Angela, Danilo e Márcio. Além de suas preocupações profissionais, esteve sempre ligado na educação dos filhos. A sua formação militar o levou pela vida a seguir o método cartesiano de aceitar apenas aquilo que é certo e irrefutável e consequentemente eliminar todo o conhecimento inseguro ou sujeito a controvérsias. Quando soube que o Danilo estava cursando arquitetura tomou um susto. Na época, confundia-se arquitetura com decoração, coisa afeminada, parecia curso destinado a mulher. Dizia a todo mundo que o filho que levava seu próprio nome, estudava engenharia. Decepção, mesmo, foi quando encontrou em uma mesa de casa um folder com a propaganda de um  balé que tinha como destaque, pasme, Danilo Venturini Filho. O general quase que teve um troço. Bailarino, era demais. Hoje , já casado, morando nos Estados Unidos, Danilo Filho, resolveu fazer gastronomia, virou master chef.

Um dia visitando seus pais em Brasília, resolveu fazer um almoço, para mostrar suas qualidades culinárias. O general chamou uns colegas com suas respectivas esposas. Ao final o elogio foi geral. Quem fez tão saboroso ágape, queriam saber. O general mais uma vez, mostrando que também não gostara da nova profissão do filho, apontou pro Danilinho e apresentou: 

- Foi aqui o meu filho. Ele é formado em hotelaria.

domingo, 15 de julho de 2018

HISTÓRIAS CEARENSES – OS CAVALCANTE E A SOLIDARIEDADE


Wilson Ibiapina


Dia desses fui almoçar no restaurante Ki-Filé e me lembrei de um de seus fundadores que faleceu em maio de 2018, o cearense Raimundo Nonato Cavalcante. Ele foi um dos cozinheiros pioneiros de Brasília.

O pioneiro Raimundo Nonato Cavalcante
Antes de ter seu próprio negócio, Raimundo chegou a trabalhar como servente de pedreiro e em um restaurante de comida italiana com o irmão, Anastácio Cavalcante Vasconcelos, que depois foi apelidado de Somoza, alusão ao ditador da Nicaragua.

Os dois irmãos trabalharam na cozinha do restaurante  Romanina, que ficava na 303 Sul e pertencia a dona Nanci, tia da jornalista Célia De Nadai, que me disse lembrar, como se fosse hoje, da torta de frango que ele fazia. O "Chicken pie"  era o prato preferido do dr. Ulisses Guimarães, um dos ilustres frequentadores da casa.

Quando inauguraram o restaurante deles, na Asa Norte, frequentado por  estudantes da UnB, professores, jornalistas, servidores púbicos, políticos e boemios, ficaram famosos pelos pratos que o Raimundo preparava. Chamaram  muito a atenção dos clientes os temperos e os pratos regionais como a feijoada carioca, o carneiro cearense, a rabada e dobradinha paulista. O  carro chefe  continua sendo o saboroso filé-mignon que vem à cavalo e deu nome à casa: Ki-Filé. Hoje, o restaurante é comandado pelo Roberto, filho de Anastácio que trabalha com primos e colaboradores.

Raimundo pouco antes de morrer, contou-me a viagem sentimental que fizera  à Serra da Ibiapaba, no Ceará. Percorreu o mesmo trajeto que fez em 1958 com os pais e os irmãos. Fugindo da seca braba que açoitou o Ceará naquele ano, foram parar num sitio, em Ibiapina. O proprietário recebeu os  Cavalcante com todas as honras, como se fossem velhos amigos. Não faltou água limpa, comida e rede cheirosa e limpa para acariciar o corpo nas noites frias da Serra Grande. Raimundo ainda teve tempo de agradecer a hospitalidade  tão generosa que salvou sua família da fome e da sede. O escritor tcheco Franz Kafka dizia que a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana.

Muita gente não acredita mais na solidariedade desinteressada, como antigamente. As pessoas querem sempre algo em troca do menor favor. Mas esses egoístas ainda não dominam o mundo. Ainda existem gestos humanitários que separam o ser humano dos irracionais.

Um outro exemplo de solidariedade, também, vem do Ceará. Alunos da Escola de Ensino Profissionalizante Balbina Viana Arrais, de Brejo Santo, são protagonistas de um ato que emocionou a cidade. Ao descobrirem que o professor de artes, Bruno Rafael, de 28 anos, estava passando necessidade financeira, resolveram ajudar. O professor que é pernambucano, estava há dois meses sem receber e já se preparava pra ir embora para o Crato. Seus alunos rifaram uma  caixa de chocolate e conseguiram  R$ 400,00. O dinheiro foi entregue na sala de aula, o professor chorou de emoção diante do gesto bonito. Feia mesmo é a falta de  vergonha dos administradores que humilham o professor que trabalha sem receber. A solidariedade dos jovens adolescentes não deixa  de ser um vexame para quem não cumpre suas  obrigações.

Aqui o vídeo que o professor postou nas redes sociais:




domingo, 29 de abril de 2018

Ricardo Bacelar - Oh Mana Deixa Eu Ir

Ricardo Bacelar ao piano canta a   canção "Oh Mana Deixa Eu Ir",  de Heitor Villa-Lobos, Milton Nascimento e Teca Calazans. 

A canção fala de sertão, de solitude. Nesse contexto entre o árido e o sensível, ele escolheu como cenário os monólitos de Quixadá, em pleno sertão cearense.

sábado, 28 de abril de 2018

Um super herói cearense




Wilson Ibiapina

A BandNews, rádio FM da Bandeirantes, em Brasília, apresenta, pela manhã, um programa em que são lembrados os super-heróis que marcaram a infância dos ouvintes.

Mino, pai do Capitão Rapadura
Não ouvi até hoje uma só referência ao primeiro super-herói brasileiro, personagem fictício de histórias em quadrinho criado pelo cartunista cearense Hermínio Castelo Branco. Mino, como ele assina suas histórias, diz que o lema do Capitão Rapadura é "O herói que tudo atura".  Trata-se de um humilde cearense, com aspecto de camponês, que usa um chapéu de couro daqueles que o sanfoneiro Dominguinhos carregava na cabeça. Sua fonte de energia é a rapadura, feita de cana-de-açúcar. Basta uma lambida num pedaço de rapadura para que aquele cearense se transforme num super-herói. 

Mino, que também é humorista, já levou o Capitão Rapadura por aventuras até no exterior. Ao contrário de outros super-heróis, o Capitão Rapadura se recusa a usar a violência para combater o mal. Seu maior super poder que aparece quando lambe a rapadura, é  poder  voar. A Wikipédia revela na Internet que as principais habilidades do Capitão Rapadura são a astúcia, a força de vontade e principalmente o bom humor.



A primeira historia desse super-herói que surgiu no Ceará foi publicada em 1973, no Almanaque do Mino, sob o título "Capitão Rapadura contra a Peba da Aldeota”. Mino satiriza os buracos que enchem as ruas do bairro mais elegante de Fortaleza.

Hoje, de quando em vez,  o Capitão aparece nas páginas do Diário do Nordeste. Atualmente o Capitão Rapadura tem sido assediado por partidos políticos que querem lançá-lo como candidato nas próximas eleições. O nosso herói tem resistido, preferindo aparecer somente nos momentos em que possa livrar nosso povo do mal, amém.




O GENERAL DANILO VENTURINI E AS PROFISSÕES DO FILHO

Wilson Ibiapina General Danilo Venturini Você não imagina a alegria do general Danilo Venturini quando soube ...