terça-feira, 8 de março de 2016

NELSON RODRIGUES - O REACIONÁRIO




Wilson Ibiapina

O pernambucano de Recife, Nelson Rodrigues, é tido como o mais influente dramaturgo do Brasil. Jornalista policial durante anos, adquiriu experiência para escrever suas peças sobre a sociedade.

A vida como ela é, Vestida de Noiva, Mulher sem Pecado, Beijo no Asfalto são algumas de suas peças que ajudaram a modernizar o teatro brasileiro.

Nelson Rodrigues é autor de frases inesquecíveis como:

"Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante."

No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte.”

"Deus só frequenta as igrejas vazias.”

"Copacabana vive, por semana, sete domingos."

"Não reparem que eu misture os tratamentos de tu e você. Não acredito em brasileiro sem erro de concordância.

"Não há ninguém mais vago, mais irrelevante, mais contínuo do que o ex-ministro".

"O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento."

"Toda a unanimidade é burra."

Numa entrevista à repórter Luciane Louzeiro, do Jornal do Brasil, Nelson falou sobre seu livro o Reacionário. Já doente , conversou mais de uma hora com a jornalista sobre o livro. Editado pela Record, O Reacionário  é uma autobiografia. Reúne confissões e memórias. Disse pra Luciane: "O sujeito que ler o livro poderá me ver por dentro. Recordo quando, aos 13 anos de idade, entrei para o jornalismo como repórter de polícia. Esta opção eu explico: eu tinha muita curiosidade pelas adúlteras, as adúlteras que o marido mata ou que se mata ou nem uma coisa nem outra e continua traíndo". Na verdade, trata-se de uma coletânea de crônicas que ele publicou no jornal O Globo e no Correio da Manhã, no período de 1969 a 1974.



Nelson é convidado por uma livraria para lançar o livro em Florianópolis. Como ele detestava viajar de avião, resolve ir de carro. Com a saúde abalada, decide levar a irmã para cuidar dele. Foram 17 horas de viagem do Rio até Florianópolis . Na capital catarinense vai direto pra livraria carregando uma montanha de livros. Cansado, mas resistente. Ficou das 19 horas até às 23 horas sentado em uma cadeira à espera de compradores. Não apareceu um só catarinense para comprar seu livro O Reacionário. O jornalista Carlos Henrique de Almeida Santos tem quase certeza que foi lá, naquele  noite sem autógrafo, que ele cunhou  a frase: "Se Deus não gostasse dos idiotas não teria feito tantos."

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