quarta-feira, 15 de maio de 2013



O poeta e escritor Durval Aires esteve no lançamento do livro da Edilma Neiva em Fortaleza e depois na homenagem ao chanceler Airton Queiroz prestada pela Academia Cearense de Literatura e Jornalismo. Veja o registro que ele fez em seu blog Clareiras:   
Em noite animadíssima de cultura ideal, a goiana Edilma Neiva, após a posse de seu esposo (Wilson Ibiapina se fez membro da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo) lançou seu primeiro trabalho ficcional, intitulado de “Ciclos da Vida”. Pois bem: entre autógrafos, livros e taças,  registro presenças prestigiadíssimas, notadamente, nomes da imprensa cearense. Logo na entrada, abraço Edilmar Norões, comprimento Macário Batista, Guto Benevides, depois Fernando César Mesquita e Pádua Lopes, que, noutra celebração que a mesma ACLJ homenageou o Chanceler Ayrton Queiroz, quer saber como sobrevivi. Respondi: "sem dificuldade, e, mais ainda, apesar do festejo ter prosseguido em altas horas, (havia me encontrado com o Flávio Torres), hoje, já li o romance por inteiro, meu amigo".

Realmente, depois da leitura, observo que Edilma vai a um alvo mais forte, certeiro, estreando com um empreendimento literário que mexe com a sensibilidade e emoção do leitor. Aviso aos viajantes de primeira volta: "Ciclos da Vida" é um livro bem editado, comovente, bonito,  desses que a gente abre e não tem mais vontade de fechá-lo. Quando acaba, remanesce um gostinho de "eu quero mais". Um livro natural, como o ar que respiramos, portanto, formalmente, horizontal, sem rompantes estéticos, sem discursos livres ou revolucionários, tão em voga após os anos 60. O que se descortina pela leitura, essencialmente, é um tecido de um trabalho brilhante, mas com aquele sol que abre o primeiro capítulo (volta ao passado), astro a lumiar o extremo do horizonte, anunciando o final de mais um monótono dia. 

Também arrisco a dizer, em vista deste solar, duas coisas: primeiramente, trata-se de um romance telúrico-proviniciano, no melhor sentido, embora dele se extraia alguns takes rodados em Londres. Ainda bem. Basta de cidades grandes com os seus imensos problemas urbanos. Outra, é  que Edilma produz um romance outonal, posto que o amor entre os personagens principais se consumam de forma indireta, depois de muitos ciclos, pelos filhos, dadas as circunstâncias e contingências que tangenciaram as suas vidas. Quero dizer mais do que isso: o romance fecha o seu último ciclo, mas a vida dos personagens continua além texto, ultrapassando os episódios mais corriqueiros, ao encontro do que é  mais  eterno e duradouro.


Primeira capa do livro de Edilma 
 lançado no Ideal Clube
A rigor,  se fosse possível classificar esse romance, (uma ação meio démodé após os ditos anos da nouvelle vague) diria cuidar-se de uma perfeita narrativa infanto-juvenil, ou um livro para todas as idades, não só pelo êxito da simplicidade do texto, mas em vista da fabricação do próprio enredo, a fabulação em si, que oferece alternativas para que os seus personagens se encontrem, transitem em diversas proporções geográficas, resolvam seus próprios conflitos, através de uma técnica macia, encantadora, construindo uma narrativa uniforme, sem surpresas, mas, ao mesmo tempo, surpreendente, por que o simples é algo deveras difícil de ser alcançado. E mesmo nos momentos mais tensos, devido a truculência de um dos personagens, o curso da narração não sofre nenhuma alteridade. O tom da narrativa termina exatamente como começa. Muita gente poderia nomear isso de estilo, mas eu prefiro defender esse tom como uma unidade textual, concisa e clara, uma virtude que certamente traz da marca expressa na profissão que a escritora adotou como forma material: o jornalismo.


A autora com Raquel e este Blogueiro, no momento do autógrafo 

Após o exame desses ciclos, é claro que o grosseiro do Adolfo Caldas (que partiu dessa para uma melhor), a Dona Irina (uma santa, mulher sensível e decente), o Joslau Montenegro e os  demais personagens (os filhos), todos ganhando dimensões existenciais, se movimentando nas locações imaginadas pela autora, e tomando decisões, acertadas ou não, mas decisões que são absolutamente adequadas ao tempo em que passa a narrativa,  bem poderiam ser sujeitos de um enredo para uma telenovela ou mesmo servir de matéria prima para um roteiro cinematográfico. Uma série, em poucos capítulos, quem sabe. Aliás, o próprio livro já se apresenta assim pela escrita fácil que Edilma Neiva instaurou nesse belo romance, lançado sem alarde, sem impacto, com certa timidez até, comparada as estreias, seguidas de muitos barulhos e diversas resenhas, com o entusiamo que se apaga com a leitura das primeiras linhas do novel texto festejado.

Bem, estas são as minhas  impressões, o que desaconselham a penetrar na estória, na trama e na sua exitosa resolução. A propósito, os círculos são construídos e, sequencialmente,  inicia-se um, ao término do outro, como a vida dos personagens, a nossa vida. Afinal, a arte é imitação de tudo isso que nos rodeia, circula e fecha. Essa é a lição dessa maravilhosa composição literária. Nessa altura, comentar a estória seria como contar o enredo de uma película, com todos os detalhes, antecipando o seu grand finale justamente para quem está na fila do cinema. Não vou estragar esse prazer que eu experimentei depois de  JB Serra e Gurgel, do Ministro Ubiratan Aguiar e, com certeza, do novo acadêmico Wilson Ibiapina, que, por razões óbvias, constitui o primeiro leitor de Edilma, desde quando o livro era apenas originais. Nada mais a dizer, senão desejar uma boa leitura dessa viagem sensacional. A literatura orgulhosamente agradece!

HORAS CONCEDIDAS

O poeta Luciano Maia, o único de gravata cor de vinho, ao cunhar a expressão,  define-a como aquele momento em que há concessões em todos os sentidos. Normalmente, essas horas chegam quando  o tempo é de despedida, coroado com o último brinde (daquela noitada), a saideira, bem próximo ao pedido da despesa. É a quadra de partir, a hora "h" de bater em retirada, no idioma popular, o momento de "capar o gato".  Todos sabem que é hora de ir embora, mas mesmo assim há flexibilidade, alargamento, benevolência, um pequeno adiamento, acréscimo de tempo que está, certamente, na contabilidade da vida. Afinal, o relaxamento, o encontro com os amigos, as rodadas ou os bons tragos, não podem ser uma coisa assim rigidamente marcada ,  técnica, e burocrática. É justamente dessa burocracia que se quer afastado.  Não adianta romper esse hábito que é quase uma religião entre os que habitam as tabernas e os restaurantes da cidade. Duvida, amigo? Você pensa que é brincadeira, desobedecer esse credo?

Outro dia, era uma noite escura e chuvosa, um amigo saiu às pressas, sem o ritual do último trago, atendendo a ordem da mulher amada, que, por celular, o avisara do adiantado da hora. Mal rompia a primeira esquina, ao fazer uma curva, águas represadas em altura do cinto, as quais não passaram por mal cuidadas bocas lobos, fizeram o motor do carro enguiçar de vez. Se tivesse tomado a saideira, diria o Velho Noé (a maior autoridade em prevenção e dilúvios), certamente a chuva diminuiria de intensidade ou passaria de vez e as insolentes águas desagrupariam, escapando por algum outro orifício, privando o apresado amigo da inconveniência de chamar o reboque. Conclusão: chegou tarde em casa, teve prejuízos, como reprimenda, devido a recusa das horas concedidas. Sim, vale a advertência oficial: se beber, não dirija. Esse ônus pode ser desempenhado pela esposa, no caso de dispensa de motorista, e esta disposição também faz parte das "horas consentidas". 

Estas três imagens, fotos colhidas da homenagem em que ACLJ prestou ao Chanceler Ayrton Queiroz, são flagrantes bem sucedidos de "horas concedidas". As locações são da cobertura da sede da Associação Cearense de Imprensa, antigo prédio da Rua Major Facundo, porém, conservado.


Este é o primeiro brinde, entre outros, o famoso "trinca de cristais"
                               

                      O blogueiro está entre Edson Neto, Wilson Ibiapina e Luciano Maia

Momento alto das "horas concedidas". Ricardo Bacela (conselheiro da OAB), Igor Queiroz Barroso, Luciano Maia, Wilson Ibiapina  e José Augusto Bezerra (Presidente da ACL) ladeiam o blogueiro e os confrades. Todos já haviam sido notificados pelas respectivas mulheres sobre o retorno que só aconteceu após alguns adiamentos.
                              

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