segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

MORRE O JUDEU QUE ENSINOU O POBRE COMPRAR A PRESTAÇÃO


"A riqueza do pobre é o nome. O credito é uma ciência humana, não exata. Não importa se o cliente é um faxineiro ou um pedreiro, se ele for bom pagador, a Casas Bahia dará credito para que ele resgate a cidadania e realize seus sonhos"

A frase é do judeu polones Samuel Klein, o fundador da rede de lojas de departamento Casas Bahia. O nome é uma homenagem aos nordestinos humildes que vivem em São Paulo, escapando da fome e da miséria. No Rio, qualquer nordestino é paraíba. Em São Paulo são os baianos. A capacidade de sobrevivência desse polonês é tema para livros e filmes. Samuel Klein deixou a Europa durante a Segunda Guerra Mundial depois de fugir dos nazistas.

Nascido em Lublin em 1923, ele foi o terceiro de nove irmãos. Chegou a ser preso aos 19 anos pelos nazistas e enviado com o pai para o campo de concentração em Maidanek, na Polônia, enquanto a mãe o cinco irmãos foram exterminados no campo de Treblinka.

Sobreviveu graças às habilidades de carpinteiro. Samuel conseguiu fugir durante uma transferência de presos em 1944. Depois, foi para Munique onde vendeu artigos para as tropas aliadas. Em 1951 mudou-se para Bolívia. Chegou ao Brasil em 1952 trazendo a mulher Ana e o filho Michael, então com dois anos e que tinha nascido na Alemanha.

Escolheu São Caetano do Sul para morar. Lá, começou a atuar como mascate revendendo roupas de cama, mesa e banho de porta em porta usando uma charrete. À época, segundo relato da família, já adotava a possibilidade de pagamentos parcelados, cuja contabilidade era executada pela mulher. Praticamente inventou o crediário.

Em 1957, Samuel instalou sua primeira Casa Bahia, famosa por vender a prestação. Com a ampliação para outras unidades, o nome da primeira loja ganhou o plural, Casas Bahia.

Em 2009, Samuel fechou um acordo de fusão com o Grupo Pão de Açucar, unindo as operações do Ponto Frio (Globex), das Casas Bahia e do Extra Eletro (Grupo Pão de Açúcar) em uma única e nova sociedade. A rede tem mais de 56 mil funcionários e 620 lojas e está presente em 17 estados e no DF A marca Casas Bahia foi avaliada em US$ 420 milhões e é considerada a 6ª marca de varejo mais valiosa da América Latina e a 2ª do Brasil, segundo ranking “Best Retail Brands”, divulgado pela consultoria Interbrand. Nada caiu do céu. Tudo foi fruto de seu trabalho.

No livro “Samuel Klein e Casas Bahia – Uma Trajetória de Sucesso”, lançado em novembro de 2003, Samuel Klein registrou suas memórias:

“Que país abençoado esse Brasil. O povo também é pacato e acolhedor. O Brasil é um país que dá oportunidades para quem quer trabalhar e crescer na vida. Cresci junto com o Brasil. Não fiquei parado vendo o país crescer.”

Naturalizado brasileiro, Samuel Klein havia completado 91 anos em 15 de novembro passado. Foi enterrado no Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo. Dizia ele:

“Meu lema é confiar. Confiar no freguês, nos fornecedores, nos funcionários, nos amigos e, principalmente, em mim" .

Na foto, Samuel e seu filho Michael Klein


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