sexta-feira, 7 de agosto de 2015

FAMÍLIA GUINLE: DO ARMARINHO À DINASTIA

 
Copacabana Palace
 
João Soares Neto
 
“Se você deseja, não lhe fará mal”. Máxima dos Guinle
Clayton Lima, da Livraria Smile, deu-me um exemplar do livro “Os Guinle – A História de uma Dinastia”, obra do historiador e professor Clóvis Bulcão. “Os Guinle” foi elaborado com cuidado, lançado em junho pela “Intrínseca”. Começa com frase de Nelson Rodrigues: “Quando desaparece um Guinle, morre um pouco do nosso passado”.
Em seguida há a genealogia da família, descendente de imigrantes franceses, iniciada com Eduardo Palassim Guinle e Guilhermina Coutinho Guinle e vai até a sua quinta geração. Há uma cronologia, a partir de 1840, mas, na verdade, o ponto de partida é o nascimento  de Eduardo Guinle, em 1846.
 
No mundo dos negócios a vida começa em 1871, com a abertura de um armarinho, no antigo centro do Rio de Janeiro, quando os sócios Eduardo Guinle e Cândido Gaffrée fundaram o “Aux Tuileries” que vendia um pouco de muitas coisas.
 
Eduardo e Guilhermina, casados em 1878, tiveram os filhos Eduardo, Guilherme, Carlos, Arnaldo, Octávio, Celina e Heloísa.  Uma das características da família foi morar bem, cultivar relacionamentos  com o poder, e dar aos filhos  instrução, oportunidade de aprenderem línguas e obter graus de ensino superior.
 
O ponto de inflexão da ascensão de Eduardo, o patriarca, e de seu sócio Cândido Gaffrée, foi a disputa da licitação para operar e ampliar o Porto de Santos. O fato aconteceu em1888, depois de duro embate. Já em 1892 era inaugurado o novo porto com 260 metros de caís construído pela sociedade.
 
Daí para frente há a entrada na área elétrica, concorrendo com a Light, poderosa empresa canadense. Esse novo ramo de atividade também foi decisivo para o crescimento da engrenagem empresarial e social dos Guinle. 
 
Por outro lado, em 1902, surge o Fluminense Football Clube, do qual os Guinle viraram sócios. O Fluminense, ainda hoje, leva o nome de “pó de arroz”, por ter sido fundado por pessoas de bom nível social. Os Guinle tiveram influência na construção do estádio do clube onde foi disputado a decisão do campeonato Sul-americano de 1918, quando o Brasil venceu o Uruguai.
 
Eduardo, o patriarca, morre em 1912. Em 1914, seu  filho Octávio - que procurava entrar no “jet-set" americano- é preso em Nova Iorque por suposto ataque físico à americana Monica Borden, com quem, depois de um acordo em que desembolsa 50 mil dólares da época, resolve casar. Esse casamento, como era de se esperar, durou apenas dois anos.
 
Com a urbanização do Rio de Janeiro e a inauguração da nova Avenida Central (hoje, Rio Branco) que seguia os passos da modernização de Paris de Haussmann, a família funda uma hotelaria. Em 1918, e surge o Hotel Palace no centro.
 
Copacabana era o futuro do Rio e a família comprou as terras que pode e,  em uma delas, resolve construir o hotel Copacabana Palace, inaugurado em 1923. “O Copa” sempre foi a obra mais visível da família, embora o grosso da fortuna da dinastia esteja ligada aos 92 anos de controle ininterrupto do Porto de Santos.
 
Saindo da cronologia, para não atrapalhar a quem desejar ler o livro, um fato peculiar chamou-me a atenção. O regente cearense Eleazar de  Carvalho foi beneficiado com uma bolsa de estudos por Arnaldo, filho de Eduardo, que assumira, em 1941, a presidência do conselho da Orquestra Sinfônica Brasileira. Eleazar foi para a Berkshire Music Centre, em Massachussets, e recebia duzentos dólares- que valiam muito - a cada mês.
 
Dou por terminado este relato, mas sem esquecer que o perigeu dos Guinle acontece em 2004 com a morte do “playboy” Jorginho Guinle, que foi o garoto propaganda do Copacabana Palace. O Copa foi vendido a grupo estrangeiro em 1989.

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