sexta-feira, 10 de novembro de 2017

UMA SERENATA COM LUPICINIO RODRIGUES



AYRTON ROCHA


Belos tempos e lindas madrugadas
Onde a noite ainda era criança
Nos tempos dourados dos anos cinqüenta.
O Rio de Janeiro, tão adolescente quanto eu
Era um poema de amor
Que nem Drummond conseguiu fazer
As mulheres eram lindas,
E para felicidade nossa, continuam belas
Copacabana era um Oásis nos meus olhos,
Na minha alma e no meu coração
Ipanema ainda engatinhava
Igualzinha a uma criança aprendendo a andar
Mas já precocemente, chamando todos nós para lá
As mulheres tomavam conta da praia
E o samba canção da noite
Tom Jobim fazia samba canção
Melhor que ninguém
Dolores Duran e Tito Madi
Faziam melhor ainda.
Antonio Maria apaixonava as mulheres
Com seus poemas sofridos e musicados
Johonny Alf dava os primeiros acordes dissonantes
Anunciando que alguma Bossa Nova
Estava para acontecer na musica popular
Era tanta gente boa e musicas tão linda
Que as lembranças e a saudade
Me trazem lágrimas aos olhos
Quantas noites e madrugadas inesquecíveis
Fizeram do meu viver mais feliz
A Lagoa Rodrigues de Freitas
Bela, cristalina e pura,
Era o espelho onde a Lua narcisava
Toda sua luz, seu encanto e sua beleza,
Cenário que a natureza criou
Apaixonada por seus amantes
E para os boêmios fazerem serenatas
Tão puras quanto suas águas
Daquele lindo espelho da Lua
Onde a saudade chorava a sua dor
Foi lá, na linda Lagoa,
O meu encontro marcado com Lupicínio Rodrigues
Para uma serenata que jamais esqueci
Com meu violão cantei as minhas canções
E minha saudade
Com meu violão
Acompanhei Lupicínio cantando a sua dor,
Com suas musicas tão lindas e sofridas
Que jamais vou esquecer.
Voz com gosto de muito Whisky,
Ele cantava baixinho ao som do meu violão,
"As Aparências Enganam", "Dona do Bar",
"Cadeira Vazia", "Dona Divergência" sem faltar nunca "Nervos de Aço".
Hoje, volto a Lagoa, com meu Violão
Para uma serenata solitária
Porque hoje, noite de lua, é noite de Serenata no Céu
Onde todos os santos, rezam a música de Lupicínio Rodrigues

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