quarta-feira, 10 de abril de 2013

O MASSAFEIRA ESTÁ VIVO EM LIVRO E CDS





Os 30 anos do Massafeira, uma feira de artes em Fortaleza, não passaram em branco. Essa mobilização de artistas do Ceará, criada pelo Augusto Pontes e o Ednardo, que foi seu coordenador geral, tem sua história imortalizada num livro de 312 páginas e dois Cds, com algumas das canções mostradas no Teatro José de Alencar naquele longínquo 1979. Foram vários dias de atividades envolvendo música, artes plásticas, cinema, poesia, escultura, teatro, costumes. É o próprio Ednardo quem lembra a origem do movimento que ele vinha articulando desde 1978:


Patativa do Assaré

“A nossa leitura de Brasil incorporava intensamente a poesia popular do interior. Os tropicalistas já haviam feito isso de forma pontual, com Gilberto Gil, Torquato Neto. Os artistas do Cariri, região no sul do Ceará que tem uma cultura riquíssima, nunca tinham sido levados a Fortaleza. A Massafeira Livre foi a primeira vez na capital, por exemplo, do poeta Patativa do Assaré, que depois lançou vários discos, e cuja obra virou objeto de estudo em universidades na França”.




Ednardo

Ednardo recorda que, além de servir de palco a artistas cearenses de diferentes áreas e gerações (Fagner, Ednardo e Belchior, Rodger Rogério, Teti, Rosane Limaverde, Nonato Luis, Petrucio Maia, Brandão Rosemberg Cariy, Zé Pinto, Fausto Nilo, Francis Vale, Pedro Rogério, por exemplo, o evento aglutinou vanguardistas de outros estados, como Walter Franco e Zé Ramalho - que fez lá o show de lançamento de seu primeiro disco. Os irmãos piauienses de Brasília, Clodo, Clésio e Climério, Dominguinhos, Robertinho do Recife, Sérgio Boré, entre outros.


Agora, três décadas depois, a reedição em CD (Sony) e o lançamento do livro "Massafeira 30 anos" (Aura), repensam a importância do álbum/movimento . Ednardo chama a atenção para a capa com o desenho do arquiteto, poeta artista gráfico e compositor Antônio José Brandão, que simboliza o Massafeira. Os chifres de um carneiro estilizado fazem o desenho do oito deitado, símbolo do infinito. Para Ednardo, os discos e o livro são um registro físico de um movimento que entre 1978 e 1980 nasceu e amadureceu em Fortaleza e que trouxe um outro olhar sobre o Brasil e sua cultura, vindo de um ponto de vista fora do eixo RJ-SP, incorporando leituras de "primos" como Clube da Esquina e Tropicália". O movimento, segundo ainda Ednardo, trouxe colaborações originais como a do poeta e repentista Patativa do Assaré, que agora pode ser ouvido em CD: "Eu sou filho do Brasil e meu nome é Ceará."

Naquele tempo, as pessoas queriam um lugar na mídia, com suas músicas e versos elaborados. Não existia essa gana pelo dinheiro, pelo sucesso com músicas de versos fáceis, de consumo imediato. Não existia a Internet. O sonho era ir ao Rio, palco nacional de todos os artistas. Augusto Pontes e Ednardo fizeram o Carneiro, cuja letra é uma síntese da ambição dos artistas há 30 anos: “Amanhã se der carneiro, carneiro/ Vou embora daqui pro Rio de Janeiro/ As coisas vêm de lá, eu mesmo vou buscar/ E voltar em video-tape e revistas super coloridas/ Pra menina meio distraída/ Repetir a minha voz/ E Deus salve todos nós? E Deus guarde todos vós.”!


Rogério Soares, Zé Maia, Eugênio Stone, Augusto Pontes, Régis Soares, Silvia Parente, Gerardo Gondim, Rosane Limaverde, Graco, Luis Miguel, Teti, Stélio Valle, Vania Parente, Rodger Rogério

Foto Gentil Barreira - Acervo Aura











Um comentário:

  1. Ola, isto precisa ser mostrado para esta geração, tem que relançar esta OBRA PRIMA,

    ResponderExcluir

UM CEARENSE SURREAL

Wilson Ibiapina Darcílio Lima ainda jovem, no apogeu criativo O cantor e Compositor Raimundo Fagner, que também é pintor, foi quem lembrou-m...