terça-feira, 9 de abril de 2013

OS PARAQUEDISTAS DA POLÍTICA



 
Wilson Ibiapina

Eles descem em todo lugar. São os aventureiros da política em busca do voto do eleitor pobre e ignorante. A necessidade e a falta de educação levam o nosso eleitor a trocar o voto por dentadura, óculos, um par de chinelos. Entra dinheiro também. Não tem como impedí-los.

Compram o mandato e chegam a Brasília sem a menor experiência política, mas dispostos a recuperar o dinheiro gasto. Vendem até a alma. Como pagaram pelo mandato não se sentem na obrigação de trabalhar pelos que votaram nele. Se metem em trambiques, empobrecem a vida política da nação, desmoralizam o Congresso onde se juntam àqueles que fazem qualquer negócio. Hoje temos até partidos paraquedistas, aqueles que abrigam os oportunistas que se engajam aos governos em troca de benesses.

O jornalista J. Ciro Saraiva no seu livro “Antes dos Coronéis”, recém lançado em Fortaleza, revela o nome do cidadão que introduziu o paraquedismo na política cearense:

“Os jornais de 23 de setembro de 1950 – conta ele- registram, com destaque, a chegada a Fortaleza do dr. Antônio Horácio Pereira, diretor de divisão de administração do Sesi, no Rio de Janeiro, que seria candidato (e eleito) a deputado federal pelo PSD. Foi ele depois considerado pela imprensa como o pioneiro dos “paraquedistas” no Ceará. Eram assim chamados os políticos que passaram a ser eleitos comprando votos. Viajando por terra, “para manter contato” e fechar contratos (teve votos no Rio Grande do Norte e na Paraíba), Horácio Pereira seria recepcionado em Messejana, distrito de Fortaleza, por um grupo de motoristas.”

O jornalista Ciro lembra que um dia, ele ainda menino, viu o dr. Horácio visitar o pai dele, Raimundo Cristino, na localidade de Lacerda, Quixeramobim: “os dois lembraram os tempos de telegrafista da Estrada de Ferro e ele deu à minha mãe, para espanto de todos, uma cédula de mil cruzeiros, daquelas vermelhinhas que traziam a efígie de Pedro Álvares Cabral. Ganhou com isso, um almoço de galinha guisada que só dona Amanda sabia preparar. A partir daí, sempre que havia eleição, ela lamentava: - Antônio Horácio não apareceu mais!

Foi eleito uma vez.”

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