quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

NELSINHO MOTA, UM SETENTÃO VICIADO EM TRABALHO E MULHER




Wilson Ibiapina

Lembro quando vi pela primeira o jornalista Nelson Mota. Ele, bem novinho, participava do juri do programa de Flávio Cavalcanti, exibido em preto e branco pela Tv Tupi. Nelsinho aparecia ao lado de Sérgio Bittencourt, filho de Jacob do Bandolim; Sargentelli, Márcia de Windson, Mister Eco, maestro Erlon Chaves, Cidinha Campos e outros. Anos depois fomos contemporâneos na Globo. Ele tinha uma participação no Jornal Hoje, falando de música. 

Além do jornalismo, revelou-se como compositor. Ganhou o Primeiro Festival Internacional da Canção com Saveiro, que fez em parceria com Dori Caymmi. Foi diretor de gravadoras, produtor musical, escreveu biografias, romances, é roteirista, enfim joga em todas as posições, ocupa toda a área. Um profissional completo. 

Não se sabe como arranja tempo para as mulheres. Nessa sua trajetória contabiliza quatro casamentos, três filhas e três netos. Em recente entrevista ao jornalista Tom Cardoso, publicado na Status de dezembro/janeiro, Nelson Mota diz não ter nenhuma dúvida de que a pílula anticoncepcional e o Viagra foram os dois principais acontecimentos da geração dele. “Só quem viveu os terrores do pré-pílula sabe do que estou falando. O pavor que as meninas tinham de ficar grávidas; o medo de pegar doenças venéreas. Mulher nenhuma dava. Aí começamos a viver a suprema felicidade com a descoberta da pílula. Foi a chegada do Messias sexual. As mulheres ficaram enlouquecidas. Quiseram descontar em seis meses os seis milênios de opressão. Foi como disse o Vinícius: Foi um beber e um dar sem conta.” 

Nelsinho conta à revista que embora não seja promíscuo, aproveitou bastante. Mas depois apareceu a Aids, um choque terrível, segundo ele: “a gente, que era obrigado a usar camisinha antes da pílula, teve de voltar a usar com a Aids.” 

Em outro trecho da entrevista, Nelson Mota fala sobre o surgimento do Viagra, que ele chama de o grande trovão azul. “Foi maravilhoso, surgiu justamente quando completava 60 anos. Imagine quantos homens viris, machões, valentões evitariam passar por momentos de suprema humilhação, de impotência em todos os sentidos, se esse remedinho tivesse sido inventado antes. Eu acho que o Ernest Hemningway não teria se suicidado aos 61 anos, não teria morrido do jeito que morreu.” Paulista de nascimento e carioca por adoção, Nelson Cândido Mota Filho vai chegar aos 70 anos idade em outubro de 2014 com a esperança de ainda viver muito.

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