domingo, 27 de julho de 2014

JOÃO UBALDO RIBEIRO - BAIANO BOM DE PROSA





Entre as suas obras mais famosas estão “Viva o povo brasileiro”, “A arte de roubar as galinhas”,“Sargento Getúlio”, “O sorriso dos lagartos” e “A casa dos budas ditosos”.Em 2008, o escritor ganhou o prêmio Camões, considerado o mais importante da literatura brasileira. Além de escritor, era jornalista, roteirista, advogado e professor.

João Ubaldo achava Fernando Henrique Cardoso um sociólogo mediocre: “Porque ele é um sociólogo medíocre. Eu sou do campo. Eu sou... eu fui professor de ciência política, li os livros dele, e você não tem nos livros dele nenhuma contribuição significativa para o pensamento sociológico brasileiro. É um sociólogo medíocre”.

O VÍCIO

João Ubaldo tinha sérios problemas com o álcool. O escritor, que começou a beber aos 53 anos, chegou a frequentar o grupo Alcoólicos Anônimos e conseguiu superar o vício com ajuda da religião. “Foi uma luta de oito anos, complicadíssima. Tudo começou com uma depressão, em 1994, quando voltei da Copa do Mundo dos Estados Unidos. Uma depressão sem motivo, mas eu caí de cama, só não quis me suicidar. Tomei todos os remédios possíveis. Eu, que já bebia bastante, tentei curar a depressão com álcool, que é a pior burrice que alguém pode fazer”, contou em entrevista à revista Veja. Ele era o 7º ocupante da cadeira número 34 da Academia Brasileira de Letras desde 1993, quando se tornou sucessor do piauiense Carlos Castello Branco.Candidato à Academia Brasileira de Letras teve que visitar os imortais em busca de voto. Certo dia, já na terceira visita, doido pra tomar uma e só lhe ofereciam chá, café. E aí ele armou. Ao chegar ao apartamento de um imortal foi logo dizendo: - O Thómas pediu-me para lhe dar um abraço. - Que Thómas? - Ah, eu tomo uísque com gelo.

Dizia ele : “ Bebida não é tratamento para nada. E isso eu comprovei através do estado a que eu cheguei, fiquei inchado, fiquei... praticamente imprestável alguns meses. E procurei ajuda."   Em entrevista ao Roda Viva, Marcelo Rubens Paiva: perguntou se ele já escreveu de porre e percebeu que é melhor do que lucidamente?

João Ubaldo Ribeiro: “Não, eu acho escrever de porre absolutamente impossível. Quer dizer, possível, fisicamente, é. Mas só sai porcaria. [apontando para si] Na minha experiência. Eu já escrevi de porre pouquíssimas vezes, porque acabei desistindo logo quando vi o resultado. É... A ponto de chorar de emoção com a beleza e a grandeza literária do texto que eu estava fazendo, para no dia seguinte, descobrir que se tratava de um delírio de bêbado, uma besteirada completamente asnática.

CIGARRO


Ele conta que começou a fumar por causa de uma namorada. Ele tinha 15 anos e ela 16. Na época ele detestava cigarro. Um dia, ela falou para uma amiga: “"Você tem um cigarro aí?" - eu me lembro do nome das duas, mas não vou citar, evidentemente. Disse a outra: "Você tem um cigarro aí?". A outra disse: "Tenho.". Ela fez "É, porque aqui é ao contrário: o homem não fuma e a mulher fuma.". Eu achei que ela estava agredindo minha... minha masculinidade, e achei que estava realmente, que eu era um efeminado... .. e comprei uma carteira de Columbia, um maço de Columbia, ao sair da casa dela, nesse mesmo dia. E passei cerca de uns dois meses me forçando a fumar, até que me viciei. Até hoje. João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro, baiano da Ilha de Itaparica,estava em casa no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro,  no momento em que teve uma embolia pulmonar. Foi na madrugada da sexta feira, 18 de julho de 2014 que ele morreu aos 73 anos.

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