domingo, 30 de janeiro de 2011

CEARÁ CULTURAL



O sertão, a serra, o interior do Ceará é um caldeirão cultural fervendo. Ligo pro Angelim do Icó e pergunto pelas novidades e ele vai contando:

"Camarada, estarei de 29 de janeiro até 20 de fevereiro gravando no Sertão de Quixeramobim a Sedição de Juazeiro - a 1ª Minissérie Cearense".


Angelim não brinca em serviço. Olha só o que é essa ‪Minissérie Cearense SEDIÇÃO DE JUAZEIRO:‬

"Será uma minissérie de onde se estrairá um longametragem, parecido com o procedimento da mini-serie e filme o auto da compadecida de Miguel Arraes. Iremos contar a historia do Padre Cícero e a emancipação de Juazeiro do Norte de forma dramática para televisão e cinema.
A produção deverá envolver mais de 200 participantes e contará com efeitos especiais. Esta parte do trabalho será desenvolvida por meio da experiência do diretor Daniel Abreu. Ele buscou nos Estados Unidos as técnicas que não irá poupar na minissérie", conta Angelim.


O projeto da produção foi aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura do Estado, e tem o patrocínio da Coelce. O roteiro da produção é assinado por Jonas Luis da Silva, de Icapuí.


Algumas emissoras foram contatadas e farão parceria para exibir o trabalho, a exemplo da TV Assembleia e do Canal Universitário.


A Sedição de Juazeiro foi um conflito entre o Governo Federal e forças que buscavam manter a hegemonia da oligarquia Accioly no Ceará, apoiada pelo Padre Cícero. O interventor Franco Rabelo iniciou uma perseguição ao "Padim". A região foi defendida pelas tropas de Floro Bartolomeu e por jagunços devotos do "Padim". O conflito resultou na deposição de Franco Rabelo.

SOLUÇÃO DE EMERGÊNCIA

SÓSIA DO CARTOLA NO BLUES




O amigo Ayrton Rocha, amante e pleno conhecedor da música, nos mandou essa foto.

Trata-se de Sam Ligtning Hopkins, um dos expoentes do Blues texano, que na imagem mais parece o nosso grande compositor Cartola, um dos maiores da MPB.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

CARTA DE UM POLICIAL PARA UM BANDIDO



Estamos vivendo uma época de violência desenfreada. A cada dia os bandidos ficam mais ousados e destemidos. Os exemplos estão diariamente na mídia: Prefeitura do Rio metralhada, assalto a delegacia de polícia, policial refém participando e assaltos... e por aí vai.

Para homenagear nossas autoridades, o Luiz Pinto (conhecido como Carequinha), assíduo leitor do Blog, nos mandou esse texto:


CARTA DE UM POLICIAL PARA UM BANDIDO


Senhor Bandido.

Esse termo de senhor que estou usando é para evitar que macule sua imagem ao lhe chamar de bandido, marginal, delinquente ou outro atributo que possa ferir sua dignidade, conforme orientações de entidades de defesa dos Direitos Humanos.

Durante vinte e quatro anos de atividade policial, tenho acompanhado suas "conquistas" quanto à preservação de seus direitos, pois os cidadãos, e especialmente nós policiais, estamos atrelados às suas vitórias, ou seja, quanto mais direito você adquire, maior é nossa obrigação de lhe dar segurança e de lhe encaminhar para um julgamento justo, apesar de muitas vezes você não dar esse direito às suas vítimas.

Todavia, não cabe a mim contrariar a lei, pois me ensinaram que o Direito Penal é a ciência que protege o criminoso, assim como o Direito do Trabalho protege o trabalhador, e assim por diante.

Questiono que hoje em dia você tem mais atenção do que muitos cidadãos e policiais. Antigamente você se escondia quando avistava um carro da polícia; hoje, você atira, porque sabe que numa troca de tiros o policial sempre será irresponsável em revidar. Não existe bala perdida, pois a mesma sempre é encontrada na arma de um policial ou pelo menos a arma dele é a primeira a ser suspeita.

Sei que você é um pobre coitado. Quando encarcerado, reclama que não possuímos dependências dignas para você se ressocializar. Porém, quero que saiba que construímos mais penitenciárias do que escolas ou espaço social, ou seja, gastamos mais dinheiro para você voltar ao seio da sociedade de forma digna do que com a segurança pública para que a sociedade possa viver com dignidade.

Quando você mantém um refém, são tantas suas exigências que deixam qualquer grevista envergonhado.

Presença de advogados, imprensa, colete à prova de balas, parentes, até juízes e promotores você consegue que saiam de seus gabinetes para protegê-los. Mas se isso é seu direito, vamos respeitá-lo.

Enfim, espero que seus direitos de marginal não se ampliem, pois nossa obrigação também aumentará.
Precisamos nos proteger. Ter nossos direitos, não de lhe matar, mas sim de viver sem medo de ser um policial.

Dois colegas de vocês morreram, assim como dois de nossos policiais sucumbiram devido ao excesso de proteção aos seus direitos. Rogo para que o inquérito policial instaurado, o qual certamente será acompanhado por um membro do Ministério Público e outro da Ordem dos Advogados do Brasil, não seja encerrado com a conclusão de que houve execução, ou melhor, violação aos Direitos Humanos, afinal, vocês morreram em pleno exercício de seus direitos.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O PRIMEIRO TEATRO DO CEARÁ ESTÁ ABANDONADO NO ICÓ



Wilson Ibiapina

Localizada no sertão cearense, a 375km de Fortaleza, a cidade do Icó é destaque nacional pelo seu sítio histórico oriundo das charqueaduras que fizeram desta cidade entreposto entre a capital e o interior do Nordeste.


Icó foi elevada a vila em 1738. Em 1842 obteve a categoria de cidade, a terceira do Ceará logo após Aquiraz e Fortaleza.


Por falta de divulgação, quase nenhum brasileiro e poucos cearenses conhecem a importância do sítio histórico. Falta divulgação para atrair turistas. Destacam-se ali a Casa da Câmara e Cadeia, seis igrejas e o teatro da Ribeira dos Icós. É o mais antigo teatro do Ceará. Foi construído em 1860, sessenta anos antes do afamado teatro José de Alencar de Fortaleza.


O teatro da Ribeira dos Icós é obra do arquiteto Henrique Théberge, filho do médico e historiador Pedro Théberge, que financiou a obra neoclássica, que contem dois pavimentos onde o interior térreo compõe-se de três galerias, além de camarotes superiores no primeiro andar.


Agora mesmo, no Rio de Janeiro, um Fórum de Teatro está fazendo um levantamento de todos os teatros do Brasil. Foi nesse encontro que o professor Marbo Giannaccini, diretor executivo do NAC - Nucleo de Arte e Cultura de Brasília, encontrou um pedido de socorro feito por Angelim do Icó. Leia a mensagem dele: “O Teatro mais antigo do estado, em estilo neoclássico no frontispício e elisabetano em seu interior, teve sua caixa cênica drasticamente danificada quando passou pelo restauro do IPHAN, que o deixou sem luz, sem som, sem cortinas, sem pernas ou bambolinas, triste sina, e sem energia elétrica suficiente para que se monte o Kit de Luz que ganhamos em 2006 da Funarte. A Prefeitura tem como gestor de Cultura alguém que tem por mérito da pasta ser campeã em compra de votos, pois de cultura ela não entende nada. O teatro completou 150 anos em 2010 sem uma oficina, sem um espetáculo, abandonado. Deram um bolo no Aniversário do Teatro mais antigo do Ceará e um dos mais antigos do Brasil. Já falei com o Marcelo Bones que disse que iria falar com a superintendência do IPHAN no Ceará, mas calou-se. E o Teatro da Ribeira dos Icós ficou no escuro do mais completo esquecimento”.


Os artistas, empresários, amantes das artes e o próprio governo do estado, através da Secretaria de Cultura, não podem ficar indiferentes ao que está acontecendo no interior do Ceará. Deviam aproveitar o inicio do governo e mandar fazer um levantamento para ter uma ideia exata do que está ocorrendo com o nosso patrimônio cultural.


Não duvido que outros próprios de nossa história estejam na mesma situação desse teatro de 150 anos, uma beleza que enfeita o Icó, mas que pode desaparecer diante do abandono.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Homenagem 80 anos Wilson Ibiapina