quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A HISTÓRIA DE UM JIPE

Wilson Ibiapina

Esse jipe foi um presente do meu tio José Ferreira a meu avô Pedro Ferreira. O vovô nunca trocou o cavalo pelo jipe. A viagem que ele fazia diariamente de sua casa em Ubajara ao sítio Ipiranga servia para meditar, pensar nos livros que escrevia, na vida. No lombo do cavalo podia parar no caminho. Ainda tinha a vantagem de ter no sítio as meninas que ajudavam a alimentar o animal, faziam café e alegravam a conversa durante os dias da semana.

Como meu avô não sabia dirigir, o jipe significava a companhia de um intruso. Um motorista sem maiores intimidades que, feito o repórter Esso, viraria testemunha ocular de tudo que se passasse na estrada e em meio aos pés de café, no pomar, sei lá onde mais. Meu avô tinha a fama de gostar de uma caboclinha. Para que testemunha, meu Deus? E o jipe foi ficando na garagem, feito enfeite.

Um dia, meu tio Durval queria ir a uma festa na cidade vizinha de Ibiapina. Meu avô foi logo se antecipando: ah, você quer ir? então pega o cavalo. Claro que fomos de jipe, depois que ele dormiu. Quando vovô Pedro se mudou para Fortaleza, ainda nos anos 60, deixou o jipe em Ubajara, onde fui encontrá-lo em 2003, completamente destruído pelo tempo.

Somente em 2009 é que consegui trazê-lo para Brasília e agora, 48 anos depois de ficar parado, ressecado e quase devorado pela ferrugem, eis o possante Willys Overland em atividade, com a sua mesma cor azul original e de capota e pneus novos.

Um furor pelas ruas da capital, apenas dois anos mais velha que ele.

Um comentário:

  1. Parabéns pelo seu Jeep Wilson!!! Eu bem sei como é difícil essa luta para restaurar um Jeep!
    Se você quiser dar uma olhado no meu é só entrar no blog Jeep&Relíquias!
    http://jeep-reliquias.blogspot.com/

    Abraço e até +

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