quarta-feira, 30 de maio de 2012

A CPI E OS JOGOS




João Soares Neto

No Brasil todos acreditam na sorte. Vai dar certo. Deus ajuda. Por essa razão traquinam, apostam ou jogam em tudo. Jogam no “bicho”, diversas loterias, cavalos, galos e futebol. Em praças públicas, bancos, botecos e bancas. Em 1946, na redemocratização, o presidente Eurico Gaspar Dutra baixou decreto fechando os cassinos e proibiu os jogos de azar. Na verdade, atendia, a pedido de sua mulher, Carmela, a D. Santinha. Ela pedira ao marido: 1. acabar com os cassinos e jogos; 2. fechar o Partido Comunista Brasileiro e; 3) construir capela, nos jardins do Palácio da Guanabara, então residência oficial. Dutra, honesto, marido ardoroso e católico, atendeu aos pedidos.

Hoje, 2012, o Partido Comunista Brasileiro é aliado do governo, sua dissidência criou o Partido Comunista do Brasil (PC do B), também aliado, e a capela está intacta no Rio. Neste país laico, segundo a Constituição de 1988, mantiveram-se os feriados religiosos. De fora, apenas, os cassinos e os jogos de azar. Na realidade, só os cassinos, pois a Caixa patrocina jogos diários/semanais nas análises combinatórias possíveis.

Dizia Câmara Cascudo, no Dicionário do Folclore, jogo “é um vício irresistível. Contra ele a repressão policial apenas multiplica a clandestinidade”. O sociólogo Gilberto Freyre comentava que era “uma das poucas atividades sem discriminação de classes”. 



Agora, por que não se aproveita a atual CPI mista e se dá, além da pauta, uma geral nos jogos da Caixa, nas concessões públicas das loterias e se deslinda o “invisível” jogo do bicho?

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