quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

MAIS UM NATAL QUE PASSOU...




Rui Pinheiro Silva


O Natal passou e com ele seguiu a nostalgia que sempre me aflige nessa  época do ano.  Os mais idosos, vão ficando tristes e, mesmo com esforço, não  conseguem  livrar-se dessa melancolia que lhes maltrata a alma.  São lembranças da infância ou do tempo dos filhos, ainda, crianças, quando Papai-Noel à noite vinha colocar ao lado deles aquelas simbólicas dádivas, tão bem acolhidas.  Hoje, os meninos cresceram, seguiram suas  vidas, formaram suas famílias... Seus filhos, já adolescentes, vão também  casando, formando nova geração.

Assim é o ciclo da vida.  “Todos estamos aqui de passagem. Viemos observar, aprender, crescer, amar e voltar para casa”, é um dito aborígene australiano que, de vez em quando, recito.  As recordações, às vezes, maltratam e trazem lágrimas aos olhos, mas se o amigo não cultiva  lembranças da própria vida, dos episódios mais importantes do seu passado, talvez  ainda haja tempo de fazê-lo. É necessário e faz muito bem ao coração. Se possível, conte aos filhos  e, até  à sua mulher, se ela se dispuser  a ouvi-lo. 


Mas, atenção, se policie, não seja repetitivo, pois é cruel quando isso é passado na cara, por mais simples e desinteressante que  tenha sido o acontecimento. As nossas lembranças  serão sempre  sagradas. Não brinque com o passado de quem é uma pessoa digna, honrada e laboriosa, como é o amigo. Rebele-se, mesmo com moderação.  Isto  posto, vou presentear aos meus poucos leitores esta pérola do grande poeta gaúcho, Mário Quintana, há pouco desaparecido:  

“Brinquedo de Criança  ... E nada mais me importa...Aqueles dias de uma luz tão mansa  

Que me deixavam, sempre, de lembrança,  Algum brinquedo novo à minha porta...  

Mas veio um vento de desesperança

Soprando cinzas pela noite morta!   

E  eu pendurei na  galharia  torta  Todos os meus brinquedos de criança ... Estrada afora, após, seguí... Mas, aí...  

Embora idade e senso eu aparente, Não vos iluda, o velho que aqui vai: Eu quero os meus brinquedos novamente! Sou um pobre menino...acreditai... Que envelheceu, um dia, de repente.”   

Meus jovens leitores, se houver:

Quando tiver filhos, ensine-os que os brinquedos de Natal devem ser guardados no escrutínio de suas memórias e a magia e o encanto que eles simbolizam, por certo, haverão de permanecer para sempre nos seus corações.

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