domingo, 11 de maio de 2014

CABEÇA CHATA



Segundo Leonardo Mota, folclorista, jornalista, advogado e escritor, foram os piauienses e maranhenses que nos batizaram assim durante a guerra pela independência, que é por onde vou começar essa história.

Dia 13 de março completa 191 anos da batalha do Jenipapo. Poucos sabem dessa briga que foi decisiva para a independência do Brasil. Ela ocorreu às margens do riacho Jenipapo, no Piauí. Piauienses, maranhenses e cearenses enfrentaram as tropas do major João José da Cunha Fidié, comandante das tropas  portuguesas encarregadas de manter o norte da ex-colônia fiel ao reino de Portugal. Dom João VI, de volta a Portugal, reconheceu que a independência do Brasil era difícil de conter-se. Aí achou de preservar o norte, reunindo Pará, Maranhão e Piauí como colônia portuguesa. Enviou então para Oeiras, capital do Piauí, o major Fidié. Os brasileiros sem armas de guerra e sem experiência, perderam a batalha  mas ajudaram a mudar o destino da tropa portuguesa que foi aquartelar-se em Caxias, no Maranhão. Lá, piauienses e cearenses fizeram um cerco obrigando ao major  Fidié a se render  preservando a unidade nacional. 

Para que a independência se fizesse em terras piauienses foi preciso a ajuda dos cearenses. Eram homens simples, vaqueiros e roceiros humildes praticamente com a coragem e a cara. Receberam uns bonés, achatados, grandes que, segundo  Leonardo Mota, deram origem ao apelido de Cabeças-Chatas, alcunha que nunca mais nos largou. Há quem diga que temos a cabeça chata porque dormimos em rede.  Leota lembra que em São Paulo  acham  que o achatamento de nossas cabeças vem do fato de, desde criancinha, nossas mães dão pancadinhas na cabeça, estimulando-nos: “Cresça, meu filho, cresça para ir ganhar dinheiro em São Paulo”... Leonardo Mota dizia que temos um consolo, o mal é de muitos. “Na Europa, os alsacianos são os cabeças-quadradas (têtes carrées) e os naturais de Calais são os cabeças-de-areia (têtes sableuses). Essa história está no livro Cabeças-Chatas, de Leonardo Mota, editado pela Casa do Ceará em Brasilia, onde traça o perfil de alguns cabeças-chatas como Paula Nei, Capistrano de Abreu, Quintino Cunha e jangadeiro Francisco José Nascimento, o Dragão do Mar, um dos líderes da abolição dos escravos no Ceará que se antecipou ao Brasil em mais de quatro anos.

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