sexta-feira, 6 de maio de 2011

OS KENNEDYS E OS BÓRGIAS




Por Aleluia, Hildeberto



Duas séries de TV tomam conta da mídia nos Estados Unidos nesse ano de 2011. Uma, em doze capítulos foi ao ar e se transformou num fracasso de audiência. Retratou a história do clã Kennedy.


Especialistas se desdobram para tentar identificar as causas da audiência com índices baixíssimos para uma história tão suculenta. Tudo indica que a produção errou na escolha dos roteiristas. Por enquanto é o que pode explicar o fracasso. Principalmente quando voltamos os olhos para a outra série em questão, a dos Bórgias.


Quinhentos anos separam uma saga da outra, porém, ambas estão abastecidas de tudo que o grande público gosta, ainda mais na TV. Dinheiro, poder, glamour, aventura, assassinatos, mortes violentas e sacanagem. Aliás, muita sacanagem e putaria mesmo.


A série dos Bórgias já estreou e é um sucesso de mídia de Londres a Nova York, de Roma a Hollywood, de Paris a Chicago. Todos os jornais e revistas trazem comentários. E tem como inspirador e consultor ninguém menos que Mário Puzo, o craque de O Poderoso Chefão e autor de uma biografia chamada OS BÓRGIAS (Editora Record-2004). Pode ser também que as épocas sejam barreiras, ou não, para uma boa história fazer sucesso na TV.


Enquanto a história do clã Kennedy começa no século XX, com o patriarca Joseph Kennedy em Nova York, a dos Bórgias tem início no começo do século XV com o papa espanhol Calisto III, tio do futuro papa Rodrigo Bórgia e pai de dois personagens, também, fascinantes, Lucrécia e César Bórgia. O velho Kennedy ensaia seus primeiros passos rumo à fortuna e ao poder na época da Lei Seca, em Nova York, nos anos vinte do século passado, no contrabando de bebidas. Tinha como sócio outro personagem, riquíssimo, de nome Harmand Hammer, cuja biografia foi lançada entre nós em 1989 (Editora Best Seller). Esse Hammer ganhou seu primeiro milhão junto com o velho Joseph Kennedy. Russo de origem, em 1920 se manda para a União Soviética, formado em medicina e com um milhão de dólares no bolso. Aproxima-se de Lênin, recém entronizado no comando político russo e necessitado de alimentos e manufaturados. Em troca disso o senhor Hammer desejava levar para os Estados Unidos peles e trigo. Pronto, estava feita a sociedade que durou toda uma vida. Daí o Hammer pulou para o petróleo e acabou dono da Occidental Petroleum e um dos homens mais ricos do mundo. Morreu aos 96 anos, na década de noventa, tranquilo. Enquanto isso o velho Joseph seguia seu caminho vendendo bebida alcoólica nas garrafas de ginger ale e enganando as autoridades. Fortuna feita pulou para o negócio do rádio. Conseguiu uma forma de escravizar o ouvinte do rádio para quem vendia o aparelho, a novidade da época, ao que era produzido pela sua companhia recém fundada. O que seria hoje uma produtora de conteúdo criou naquela época a RCA Victor. E daí conquistou o mundo. Entrou em Hollywood na produção e distribuição, passou a fabricar todo o tipo de equipamento para a indústria de entretenimento e estendeu seus tentáculos por inúmeros ramos empresariais nos Estados Unidos. Existem dezenas de livros narrando sua trajetória. Amante insaciável namorou quase todas as grandes estrelas do cinema da metade do século passado. Marido extremoso, casado com Rose Fitzgerald, tiveram nove filhos e um deles viria a se tornar presidente dos Estados Unidos da América, e ser assassinado no exercício do cargo. Era John Kennedy. Antes disso o velho Joseph já era o dono do poder. Financiou a campanha vitoriosa de Franklin Roosevelt, do partido democrata, para a presidência e em troca ganhou a indicação para embaixador dos Estados Unidos na Inglaterra. Veio a Segunda Guerra e o velho tratou de escalar os filhos homens para as áreas de interesse do establishment americano. E dizia que os criava para a presidência. O mais velho, servindo na Segunda Guerra, acabou morto num desastre de avião no pacífico. O outro, John, assassinado em Dallas como presidente, outro, Robert Kennedy, ex-ministro da Justiça e senador, também assassinado em campanha para presidente na cidade de Los Angeles, e mais um, também senador, Ted Kennedy que se esborrachou no mar com uma secretária, num acidente e numa história até hoje não totalmente esclarecida regada a drogas e álcool. Tragédia é o que não falta nessa família. Esses três irmãos aqui citados tinham mais seis. E cada um deles, mesmo as mulheres, são personagens que valem livro. Isso sem levar em conta a terceira geração que como toda saga, trilha o mesmo caminho de tragédias, drogas, poder, glamour e mortes. Algumas violentas. Tem história de amantes tórridas, de casamentos faraônicos, deassassinatos misteriosos, de irmãos que dividiam as mesmas mulheres na cama e fora dela, de viciados em drogas e álcool, de grandes astros de cinema que os envolviam com as prostitutas e com a máfia e até o FBI. Não falta nada. Nem mesmo a adoração que a América teve por eles anos a fio. Convenhamos que seja uma história e tanto, ainda mais para a Televisão. Parece que os americanos se cansaram deles, nem na TV querem mais saber dos Kennedys. Logo a série estará aqui entre nós. No próximo saberemos um pouco mais sobre a outra série, OS BÓRGIAS.



Aleluia, Hildeberto é jornalista.



A SEGUNDA GERAÇÃO DOS KENNEDYS



1) Joseph P. Kennedy, Jr. (1915 — 1944)

Morreu quando explodiu prematuramente o avião bombardeiro experimental que pilotava numa missão contra as rampas de lançamento de mísseis alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

2) John Fitzgerald Kennedy (1917 — 1963)

Eleito presidente dos Estados Unidos em 1960, morreu assassinado por disparos de carabina que o atingiram na cabeça durante um desfile automóvel em Dallas.



3) Rosemary Kennedy (1918 — 2005)


Nasceu com atraso mental, e foi-lhe feita uma lobotomia frontal, que em lugar de ajudá-la, a incapacitou ainda mais. Passou grande parte da sua vida numa instituição para pessoas com deficiências.

4) Kathleen Agnes Kennedy (1920 — 1948)


Morreu num acidente de aviação, quando o avião em que seguia chocou contra os Alpes franceses quando ia visitar o seu irmão John.



5) Eunice Mary Kennedy (1921 — 2009)


Faleceu em 11 de Agosto. Foi fundadora de Special Olympics, movimento desportivo que busca a integração das pessoas com deficiência mental.



6) Patrícia Kennedy (1924 — 2006)


Casada em 1954 com o ator Peter Lawford, de quem se separaria em 1966. Morreu aos 82 anos na sua casa de Nova Iorque.



7) Robert Francis Kennedy (1925 — 1968)


Morreu assassinado por vários disparos no hotel Ambassador de Los Angeles minutos depois de ganhar as eleições primárias da Califórnia.

8) Jean Ann Kennedy (1928 — )


Casou em 1956 com o empresário Stephen E. Smith, que faleceu em 1990, e foi nomeada em 1998 embaixadora na Irlanda pelo presidente Bill Clinton.



9) Edward Moore Kennedy (1932 —2009)


Eleito senador pelo Estado do Massachusetts em 1962, era o patriarca do Senado. Morreu vítima de um tumor cerebral.

F I N A L



OS KENNEDYS E OS BÓRGIAS






Na realidade, a saga dos Bórgias que a TV americana já está exibindo se concentra na figura do papa Alexandre VI e bispo de Valência, hoje Espanha,

leia o resto no blog



http://aleluiaecia.blogspot.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

UM CEARENSE SURREAL

Wilson Ibiapina Darcílio Lima ainda jovem, no apogeu criativo O cantor e Compositor Raimundo Fagner, que também é pintor, foi quem lembrou-m...