segunda-feira, 2 de maio de 2011

OS TRENS DO BRASIL




Por Francis Vale


"Apagão de combustíveis provoca rombo de US$ 18 bilhões na balança.

Com o aumento da frota em circulação, consumo de derivados de petróleo supera a produção local e impulsiona as importações"


É assim que o jornal "O Estado de São Paulo" se expressa diante das importações de combustíveis cada vez mais crescentes. Critica o Governo Federal por haver facilitado as vendas de automóveis sem se preocupar em aumentar a produção. Em nenhum momento critica a estrutura dos transportes no País.

Houve um tempo em que a maior parte das mercadorias eram transportadas por via marítima, fluvial ou ferroviária.Também a população tinha trens urbanos, interurbanos e interestaduais. A ferrovia era levada a sério.

O Exército Brasileiro tinha os "batalhões ferroviários", depois transformados em "de engenharia e construção". Em 1954, chegou um a Crateús, que fez a ligação ferroviária entre aquela cidade e Castelo, no Piauí. E iniciou um ramal que ligaria Crateús a Pìquet Carneiro, passando por Independência e Mombaça. Esse ramal foi construído até Independência, sendo inaugurado com grande festa, dentro de um trem que levou as autoridades a um passeio entre as duas cidades. Foi o único trem que passou sobre aqueles trilhos. Depois de 64, arrancaram os trilhos e depredaram as casas construídas para residência dos que trabalhariam na ferrovia.

Dai em diante, é o império da indústria automobilística, das autopeças, dos pneus, dos combustíveis. Eis o lobby poderoso que não deixa a estrada de ferro dar certo no Brasil. Mas aí o "Estadão" passa ao largo. Não só ele. Todos. Não se vê uma voz se erguer em defesa da ferrovia e da navegação de cabotagem.

E fica-se a reclamar do preço dos combustíveis, do deficit da balança, da buraqueira e do congestionamento das ruas, avenidas e estradas. Ou do aumento da violência no trânsito. E quando aparece algum dirigente mais ousado ( casos: Sarney com a Norte-Sul e Lula com a Transnordestina e esse metrô do Galeão a Campinas) falando em construir ferrovias paga um preço bem alto junto à mídia em geral.

E eu olhando o trem da minha janela e contando os vagões-tanques carregados de combustível. Paro em 43 vagões. As multinacionais do petróleo sabem economizar: transportam seus produtos sobre trilhos. E acham que o trem deve ser privilégio delas e das mineradoras, cuja produção de pedras ocupa a maior parte do comboio na volta do sertão. Afinal, o trem não pode voltar "batendo".

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