sábado, 6 de fevereiro de 2016

O MENINO E O LEÃO



O jornalista e poeta Antônio Vicelmo, que mora no Crato, acaba de lançar um livro sobre os  seus 50 anos de jornalismo . Entre as muitas histórias sobre o Cariri e sua gente, entrevistas com Luiz Gonzaga, a amizade dele com o repórter Chico José, da Globo, seu amigo de  infância, ele  conta as peraltices de infância do filho Paulo Ernesto, hoje também jornalista e professor universitário. Paulo Ernesto,  poeta que nem o pai, não era gente. 
Vicelmo  recorda uma  visita que fez a Eudoro Santana, pai do governador do Ceará, Camilo Santana. O menino Paulo matou um gato afogado numa piscina de plástico ao tentar confirmar se o animal tinha mesmo sete vidas. O gato só resistiu até a terceira timbungada dentro da piscina. Proeza, mesmo, foi essa que Vicelmo resolveu contar em  versos:

"Escute aqui seu douto
A históriia que vou contar
Não é história de amor
Nem também de arrepiar.
É a história de um menino
Desses meninos traquino
 Faça favor de escutar
Lá em casa sãoquatro home,
Paulo, Pedro, Marcos e João.
Só pelo jeito dos nomes
O senjhor sabe quem são:
São os apóstolos de Jesus.
E Paulo, o mais véi, é  cruz
Que nós carrega, apois não.
Ele é o mais teimoso
E tem arte com o Diabo.
Dizem qu i tando  raivoso
Pega onça pelo rabo
É dele que vou falar,
Sente aqui nesse banquim
E escute até o fim
A história que vou contar.

Um dia, chegou ao Crato
Um circo muito famoso,
Cachorro com cara de gato
E o paiaço Gostoso,
Todo bicho do mato
E um palco luminoso.

Porém a maió atração
Era o rei dois animá
O bicho chamado leão,
Que achou de se sortar.
Quando o leão fugiu
O povo da rua sumiu,
Eu nunca vi coisa iguá

Foi um dia de juízo.
Todo mundo se armou.
Foi tão grande o prejuízo,
Qui o comércio até fechou.
Só Paulo num teve medo,
Fugiu de casa em segredo
Para pegar o leão, seu douto.

Aí a coisa ficou feia.
O menino queria porque queria
Botar o leão na cadeia.
E quando o dia amanhecia,
Esse menino danado
Em vez de ficar calado
Mostrava mais valentia.

E a única solução
Para meu fio e pra mim
Vou mandar ele pru Riachão,
Para fazenda do seu padim.
Ali ele estará   seguro
Debaixo do regime duro
Do meu cumpade Landim.

Mandei  selar um cavalo
Convidei Mané Joaquim
E mandei meu fio Paulo
Pra fazenda do padim.
Pelo mesmo portador
Mandei um bilhete pro doutô
No qual eu dizia assim:
Cumpade, preste atenção,
Aí  vai seu afiado
Por causa de um leão
Qui do circo foi sortado.
Fique aí com o menino
Enquanto o leão não é pegado.
Na noite do mesmo dia
Eu vi a decepção.
O meu cumpade dizia
 Num biete escrito à mão:
Numa conversa sicera,
Prefiro fera como a fera,

Segue Paulo, mande leão."

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