terça-feira, 10 de agosto de 2010

DURVAL REFLETE A CORNITUDE DE ALENCAR


O escritor
Durval Aires também comentou a traição que envolveu Machado e Alencar:



Não sabia, mas agora fiquei sabendo. Por pura precaução, espero sinceramente que não seja o último a ser informado dessa safadeza. Só não sei porque passaram anos para publicar esse mistério, que pode ser até transformado em folhetim. Talvez por ser uma coisa não muito engraçada para os envolvidos.

Patético ou não, adultério até hoje dá vela e caixão. Pode perguntar ao Ahmadinejad que vai mandar à morte uma viúva que traiu o marido já extinto. Lembra-se do pobre Euclides da Cunha? Foi bala pra tudo quanto é lado. Sem pontaria, não admitindo a putaria do Cadete com sua mulher Ana Solon, não deu outra: o autor de "Os Sertões" sucumbiu, levando a pior, saindo dessa pra melhor e por aí foi.

Sério: boa parte dos traídos não se conforma mesmo com o novo "status". E não há cristão no mundo que retire essas aspas* da cabeça do até então enganado. O próprio Euclides, inconformado, dizia pra todo mundo que o seu filho Luiz era o retrato do "sargentão" (Dilermando de Assis).

Outros traídos, agem por duas formas: com resignação, por conta própria, optando viver no absoluto silêncio, o famoso "corno manso" ou mostrando a sua cara, fazendo da queda a dança. Bom, se o estrago (na reputação é claro) já esta feito, resta relaxar.

Nessa linha de exposição/expiação, estão aqueles que se associam em entidades com finalidades específicas. Não sei como se chama esse grêmio daqui, que tem como um dos patronos o cantor brega cearense Falcão, mas fica ali na quase esquina da Av C com a AV N do Conjunto Zé Walter, exatamente no Bar dos Cornos, próximo à delegacia do bairro. Inclusive, já tomei algumas geladas por lá, não com o intuito corporativista, mas em razão de ser ali também um importante ponto de repentistas, certamente, em busca da matéria prima para os seus embates e pelejas a moda de violas.

A propósito do corno mais famoso do Ceará, tenho uma teoria que confirma a traição, que é muito simples. Ora, Machado de Assis, o pai do realismo, um cara realmente safo**, tinha mesmo que passar pra trás o Zé de Alencar, sempre nas nuvens, com sua literatura essencialmente romântica e heróica. Para mim, o "DNA da certeza", uma espécie de "pré-sal jurídico", está nas evidencias do próprio erro. Karl Popper, um estudioso desse que estraga qualquer domingo de churrasco, diz que em ciência ninguém tem certeza de porra nenhuma. Ele dá importância aos equívocos. Arremata: todo conhecimento científico é conjuntural. Veja como estou no caminho certo da especulação.

Pois bem, certo ou errado, certo? Tem também um tal Thomas Kuhn, outro estragador de feriados, que inventou um "calamengal teórico" chamado de "reconsideração dos paradigmas". Ele mesmo, numa caçada de patos selvagens, todos pretos em grande quantidade, numa daqueles lagos gelados, acho que no Gret Salt Lake, teria perguntado a outro cientista que o acompanhava no extermínio penoso: "quem garante que ali, naquela leva, não tem um pato branco?" Por coincidência, o Seu Chico Carestia teria me advertido: "olha, rapaz anuviado, nem tudo que reluz é ouro". Foi assim que a quântica progrediu. E a bodega do Seu Chico igualmente, pois hoje é mercantil, não tem mais fiado, nem balção. O cliente moderno chegar lá e compra o que tem comprar e paga na folha. Ah! se o desconfiado do Seu Chico fosse vivo!

Voltando à literatura, retomando a minha proposição, observo que enquanto um, o Machado, produziu uma ficção densa e psicológica, personagens fortes como o Dr. Simão Bacamarte, o outro era capaz de cenografar a Iracema, virgem dos lábios de mel, na lagoa de Messejana correndo pra cima e pra baixo até a Bica de Ipu, como se este banho da serra da Ibiapaba ficasse bem próximo da Paupina. Que deslize! Ou mancada. Bom, no romantismo é assim: o que importa é a beleza, os jardins, portanto, tudo gira em torno do próprio romantismo. Por favor, não venham com questões de medida e de espaço. Também não tragam cinismo. Gente incapaz de apreciar a natureza, deselegante, ou desmancha-prazeres, que, ao sentir o aroma das flores, pergunta logo onde está o defunto. Cara desse tipo é personagem machadiano e não alencarino.

Agora, sem generalizar, isso não quer dizer que todo romântico é corno, até porque o próprio Machado de Assis padeceu desse mal na sua primeira fase de escritor. Conclusivamente, o que eu quero provar e, talvez nem seja mais preciso, é que o romântico é despercebido, um cara lunático pela lua, um caboco anuviado, como o Seu Chico me classificou certa vez. A rigor, um tremendo vacilão em matéria amorosa. O resto é papo miúdo, portanto, conversa piaba.


Durval Aires Filho.

Um comentário:

  1. Muito bom mesmo o texto. Engraçado e também interessante, mas se o máximo é legal, então é legal e pronto!
    Gorete Batista

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