terça-feira, 3 de agosto de 2010

WILSON IBIAPINA


Se você quer saber, sou um jornalista do tempo da máquina de escrever mecânica. A mesma que minha neta de 8 anos viu no escritório lá em casa e perguntou se era nosso primeiro computador. Era sim. Que prazer martelar as teclas nas redações, fazendo aquele barulho que se misturava às vozes dos repórteres, redatores, apuradores, todos falando alto, ao mesmo tempo. Tudo era escrito com cópia em papel carbono. Logo ao lado, as oficinas. As linotipos gemiam nas mãos de hábeis gráficos que tomavam leite para evitar a intoxicação do chumbo. Quem não sujava as mãos na hora da prova com aquele rolinho preto? Quem não deu palpite na prancheta do diagramador?


Vi o radio que recebia as notícias da UPI em código Morse ser substituído pelo telex, a radiofoto ceder lugar à telefoto e o gravador com fio ser trocado pelo portátil. Se olhar para trás a gente vai contabilizado os anos nas redações de O Estado, Rádio Iracema, Dragão do Mar, Ceará Rádio Clube, TV Ceará, jornal Unitário, TV Manchete, Rede Globo, SBT, Correio do Povo de Porto Alegre, Radio Tupi, Sistema Verdes Mares, assessorias de imprensa, jornais alternativos. Satélite era coisa da Nasa e telefone sem fio instrumento de trabalho das forças armadas.


A silenciosa redação de hoje não tem nada a ver com as do século passado. Até as manchetes com o crime , que ajudavam a vender jornal, desapareceram. O jornal que servia à comunidade, defendia o interesse público, hoje virou empresa, negócio. A propalada liberdade de imprensa é do patrão.


O satélite, o computador , o celular nos colocam no centro da aldeia global que tanto o canadense Marshal Mcluhan falava. Hoje, além da Edilma minha mulher, tenho o filho Fábio que se fez jornalista já na era da informática e domina o computador com a mesma precisão que dominei as pretinhas da Olivetti. Quando me pergunto o que ainda estou fazendo nesse meio, fico imaginando que deve ser a minha curiosidade de repórter, louco para saber onde vai dar tudo isso.

5 comentários:

  1. Ibiapina,

    Algumas histórias suas estão entra as mais engraçadas que eu já ouvi. Mas, pra ficar engraçadas mesmo, só com você contando. Enquanto lia o seu post, me lembrei do "Tarado da Ceilândia"...
    um grande abraço,
    Vinicius Menezes

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  2. Bom dia,

    Prezado
    Sr. Wilson Ibiapina

    Informamos que a imagem do produto Jeropiga em vosso site foi trocada pelo fabricante , assim a imagem que está no site está errada.

    Solicitamos gentilmente a substituição e agrademos antecipadamente pela compreensão.

    Esclarecemos que a nossa indústria move processo contra as Indústrias Passarim fabricante da Jeropiga 2001 e Gold e também contra Muraro Bebidas as quais em função de decisão judicial modificaram seus rótulos que imitam o rótulo do nosso produto que possui Marca e Trade-dress ( conjunto imagem ) devidamente registrados no INPI – Instituo Nacional de Propriedade Intelectual.
    Imagens atuais do rótulos Jeropiga Taimbé e Jeropiga 2001 e Gold podem conseguidas junto as respectivos fabricantes ou no Google Imagens.
    As Jeropigas tradicionais fabricadas em Portugal e pelas mais antigas vinícolas brasileiras são feitas de uvas tintas.
    Érico Rolo
    Gerente Comercial
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  3. Caro amigo Wilson Ibiapina

    Excelente! E divertido

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  4. DISTINTO E QUERIDO AMIGO WILSON

    QUANTO MAIS LEIO SEU BLOG MAIS O ADMIRO. FORTE ABRAÇO. DO AMIGO DO CERCADO ZÉ PADRE, CEL RUI

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  5. Querido Amigo Wilson Ibiapina.Seu blog é como aquela cachaça de rolha que a tampinha enferrujou pela pátina do tempo e que se aberta é capaz de libertar aquela figura que vai nos nos oferecer 3 desejos que nos farão imortais. Isso não queremos...Queremos apenas uma coisinha tão simples e que cada vez está ficando mais difícil. Não é preciso dizer, mas todo homem da nossa idade sabe. Abs Cel Rui do Cercado Zé Padre.

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