quarta-feira, 1 de julho de 2015

A MISSA DE PAES

 
 
 
Na missa de sétimo dia do nosso saudoso Paes, Álvaro Augusto fez uma merecida e emocionante homenagem:

Álvaro Augusto Ribeiro Costa

Querida Zildinha, Mônica, Karla, Isabel e Patrícia, Eunício, Sérgio e Lula, demais familiares, amigas e amigos de Antônio Paes de Andrade. Há poucos dias ele estava achando graça, na poltrona do quarto do hospital, pensando em voltar para casa.

Há algumas semanas ele me falava de seus freqüentes sonhos, em que encontrava pessoas muito queridas, que daqui já haviam partido. Entre elas, em destaque, José Martins Rodrigues, seu dileto amigo, sogro e inspiração.

Não faz muito tempo, ele ainda era o Paes de sempre, o Embaixador Paes de Andrade, destacando-se com naturalidade no mundo diplomático em Portugal.

Pouco antes, era o Presidente da República interino e legítimo sucessor do Ulisses, num tempo em que presidir a Câmara dos Deputados era ônus reservado aos grandes homens, como ele.

Não é preciso voltar ainda mais no tempo. O itinerário é demasiadamente longo e pródigo, pleno de realizações.

Seria preciso até mesmo voltar ao tempo em que Dom Helder Câmara, seu amigo e mentor espiritual, lhe dizia, depois de longa convivência no Seminário da Prainha, que deveria seguir a carreira eclesiástica, no Vaticano. Quem sabe qual teria sido o seu destino, se ele tivesse acolhido o conselho?

Preferiu, porém, as incertezas e procelas da política laica, testemunhada e enriquecida com sua presença. Firme, corajoso, leal e otimista, o Paes fez história, foi ator, vidente e narrador privilegiado.

Foi muitos personagens durante muito tempo, apoio, exemplo e referência para quem não podia falar, arquiteto e operário da construção democrática e da liberdade.

Apesar de todas as dificuldades, Paes de Andrade foi um homem muito feliz. Poucos tiveram, como ele, a realização de tantos sonhos ainda em vida. Sua família, amorosa e solidária, é o retrato do maior deles.

Mas os frutos de seu labor político revelam muito mais. Integram hoje o universo dos valores e instituições essenciais à vida republicana. O que antes pareceu um sonho perigoso e quixotesco hoje é a realidade arejada que todo brasileiro respira e ama.

Foi-se o homem. Mas o Brasil democrático que tanto ajudou a construir é indelével. É como sua memória, que nos conforta, fortalece e estimula.

Porque hoje vivemos o ar da democracia , devemos muito a Antônio Paes de Andrade. A ele, um tributo de gratidão cívica.

Muito obrigado, Paes! Seja bem vindo e dê um grande abraço nos bons companheiros do lado de lá. E se a saudade nos aperta, é como um fado sem nome, que a gente não canta, mas sente. Muito obrigado!

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