segunda-feira, 6 de julho de 2015

O ESQUECIDO


Wilson Ibiapina 
Ando feito aquelas pessoas que esquecem as coisas com facilidade.  Pensei até em Alzheimer. Na fase inicial da doença o velho ”alemão” provoca perda de memória. Mas um médico garantiu-me que com Alzheimer você esquece e não lembra nunca mais. O que não é meu caso. 
 
Ainda lembro, perfeitamente, do dia que entrei num restaurante pra almoçar e dei de cara com um amigo que foi logo reclamando do meu atraso. Como esquecera que tinha marcado com ele, chamara  uma outra pessoa. Ainda bem que foi no mesmo lugar. Almoçamos os três.
 
Passando férias num apartamento que tinha na praia do Icaraí,  Caucaia, fiquei no bar da piscina até no começo da noite. Quem diz que lembrei o andar do apartamento. Subi em uma outra entrada, bati em algumas portas e nada. Desci e sentei num degrau à espera de alguém conhecido. Achei que tinham saído. Fui acordado de um cochilo  pela Vânia e o Divaldo, sobrinhos da Edilma, minha mulher, que estavam dando uma volta pela superquadra. O apartamento ficava em outra entrada.
 
Numa viagem a Parnaíba, acompanhando o ministro Vicente Fialho,  esqueci no guarda roupa do hotel um terno que só vestira uma vez. Guarda chuva só serve para ser abandonado em qualquer lugar. É como chapéu. Tirei da cabeça é sinal que nunca mais vou encontrá-lo.
Caneta tem que ser a mais barata, pois esqueço com a mesma facilidade com que compro outra. Uma vez, passeando com a família  pelos parques da Disney, em Orlando, resolvi proteger uma máquina fotográfica que a Flavinha, minha filha, havia comprado por uma grana preta e carregava displicentemente. - Deixa que eu levo, tô vendo a hora você esquecer num brinquedo desses. Advinha se eu sei onde a deixei. Estou que nem o cara da música de Milionário e José Rico: “Rudemente me pediu que  esquecesse de você/ Mas eu sou tão esquecido que esqueci de lhe esquecer”.
Ou feito o sujeito da piada que estava tomando um remédio muito bom pra memória. Um amigo quis saber o nome, pois também não andava lembrando  das coisas. Aí o sujeito perguntou: - Como é o nome daquela coisa que a gente planta em jardim e tem um perfume? – Flôr? – Não parecido. Ah, rosa? – Exatamente. Rosa, minha filha, como é mesmo o nome do remédio que o médico passou pra mim?

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