quinta-feira, 24 de abril de 2014

54 ANOS DE BRASÍLIA: JÁ FAZ É TEMPO QUE MORO AQUI




Foi o físico Rodger Rogério que me trouxe do Rio para Brasília em 1970. Há 44 anos, os  físicos cearenses  José Evangelista Moreira Josué Mendes Filho, Flávio Torres, Newton Teóphilo, Cesar Bezerra, a exemplo de Rodger, faziam mestrado e davam aula na UnB. Minha idéia era passar uma temporada e retornar ao Rio ou voltar para o Ceará, como  fez metade dos que estudavam na UnB. Fui trabalhar na sucursal do Correio do Povo, jornal dos gaúchos, e logo depois na Tv Globo. 

A comunidade cearense só crescia.  Encontro o Fernando César, que me arranjou o primeiro emprego e outros amigos começam a chegar. Augusto Pontes, Fausto Nilo, Fagner, Lustosa da Costa, Rangel, Dário Macedo, Tomás Coelho, Álvaro Augusto Ribeiro. Fui fazendo novas amizades. Dizem que quem chega a Brasília passa por três fases: deslumbramento, rejeição e amor. Quando me dei conta, já estava nessa fase  de apego à cidade, onde casei e nasceram meus filhos e neta.

Brasília tem os pioneiros, os candangos que chegaram no tempo da construção e os brasilienses, os que nasceram aqui. Faço parte da leva de candangos. Não vi Brasília nascer  mas peguei na mão dela para atravessar as largas avenidas quando ela tinha dez ano. Alcancei os redemoinhos de vento que levantavam  a poeira amarela a alturas que se perdiam  de vista.

Hoje, aos 54 anos, a cidade continua recebendo levas  de nordestinos. Como lembra o piauiense Clodo Ferreira, professor da UnB e compositor, só que agora o padrão de imigração é diferente. São os políticos que ao fim do mandato, não voltam mais para seus estados de origem. São os jovens aprovados em concursos ou que chegam para completar a formação nas escolas superiores. 

Hoje, já somos mais de 600 mil nordestinos vivendo no Distrito Federal.  O que tem mais é piauiense. Eles são 152 mil. Depois vem os maranhenses: 143 mil. Em seguida, 136 mil baianos e, em quarto lugar, os 97 mil cearenses. Moram,  também no  DF 34 mil pernambucanos; 31 mil potiguares; 7 mil alagoanos e 6 mil sergipanos. É como diz o Correio Brasiliense, principal jornal da cidade, fundado e dirigido por nordestinos, “nós não apenas deixamos o Nordeste, como fincamos nossas raízes por aqui". Na matéria de capa   “O Nordeste mora aqui” a revista do Correio afirma que, além de ajudar a construir Brasília, os nordestinos tornam com suas tradições e referências, a cidade muito mais interessante.”

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