sábado, 19 de abril de 2014

OS STUCKERT DE OLHO EM BRASILIA DESDE A CONSTRUÇÃO DA CIDADE



Quando cheguei a Brasília, em 1970, fui trabalhar com Aldo Vinholes de Magalhães na sucursal do jornal gaúcho  Correio do Povo, da Companhia Jornalística Caldas Júnior. O emprego foi arranjado pelo Fernando César Mesquita. 

Foi ali, no edifício Central, que fiquei conhecendo o fotógrafo Eduardo Roberto Stuckert, o Stuckão. Ficamos amigos.Toda matéria que fazia tinha que ter fotos dele. Levou-me à sua casa. Num dia de festa na cidade, acho que era carnaval, eu sozinho, 27 anos,  ele apiedou-se. Convidou-me para acompanhá-lo ao  Minas Brasilia Tênis Clube. Na mesa com toda sua família, comi, bebi, me diverti sem ter dinheiro. Por trás daquela  cara fechada, tinha um homem solidário, brincalhão na intimidade.

Acho que era russo. A história dele começa longe daqui, quando o pai Eduardo Francis Rudolf Deglon  Stuckert, logo após a primeira guerra mundial,  deixa Lausanne, na Suíça e desembarca no porto de Cabedelo, na Paraíba. Profissão era o que não lhe faltava: Era fotógrafo, desenhista, escultor e interprete em oito línguas. O mais novo dos três filhos, Eduardo Roberto foi morar em Maceió, onde trabalhou como fotografo de jornais.  Em 1957, já repórter fotográfico de O Globo, veio cobrir a construção de Brasília. Eduardo Roberto retornou ao Rio, mas deixou aqui seu filho mais velho, Roberto, cobrindo a construção. 

Em 1960, antes da inauguração veio de vez para Brasília trazendo a família. Em 1970 Stuckão e os filhos Roberto, Rodolfo, Eduardo e Rosiane fundaram  a Stuckert Press . Com a morte do pai, o filho Roberto virou o Stuckão. Roberto trabalhou para revistas e jornais e foi fotógrafo do presidente Figueiredo. O filho dele, Ricardo, foi o fotografo de Lula e o mais novo, Roberto, é fotografo da presidente Dilma. Rodolfo, irmão de Roberto, foi fotógrafo oficial de vários governadores do Distrito Federal. Na família, quando nasce um Stuckert, o primeiro presente é uma câmara fotográfica.  Hoje, quando a cidade chega aos 54 anos, família Stuckert reúne cerca de 30 fotógrafos. Ricardo diz que não há como separar Brasília da vida deles: - Assim como a fotografia, Brasília está na veia dos Stuckert.

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