terça-feira, 18 de março de 2014

É DO PASSADO MAS NÃO SAI DE MODA




Liguei o rádio do carro bem na hora que o jornalista Rui Castro dava uma entrevista. Falava sobre o disco de vinil, o velho  e saudoso Long Play. Fiquei sabendo que Rui é colecionador de LP, o disco que surgiu em 1948 nos Estados Unidos  mas só chegou ao Brasil nos anos 50, mesma época em que apareceu a televisão. 
Lembro quando meu pai comprou a primeira eletrola, um móvel com um rádio e um toca-discos.  Ficava na sala de nossa casa na avenida padre Ibiapina, em Fortaleza. Só que nossos primeiros discos eram de cera e em 78 rotações. Uma música de cada lado. 
O LP de vinil chegou cheio de novidades.  A capa era uma grande atração. Feita por artistas gráficos selecionados pelas gravadoras, era um verdadeiro chamariz, ajudava a vender as músicas, atraindo os compradores. A outra novidade era a quantidade de músicas, seis de cada lado. Comodidade, dois,  três LPs no suporte do toca-discos e lá se iam alguns minutos de prazer. 
Lá na nossa casa, só depois de algum tempo é que a eletrola pode ser substituída  por uma radiola, com toca disco em 33 rotações, sem precisar ficar, todo tempo, mudando a agulha e o disco.
 O primeiro LP feito no Brasil pela Capitol foi Carnaval, gravado pelos Cariocas só com sambas e marchinhas. São preciosidades da música popular brasileira que levam o jornalista Rui Castro a sair à procura de sebos de LPs. Quando encontra aqueles caras vendendo os bolachões que ficam espalhados nas calçadas, Rui,  de cócoras, seleciona durante um bom tempo  os que ainda não tem. O prazer dele não acaba aí.
Em casa, lava o LP com sabão e bucha para tirar manchas de gordura. Depois, enquanto o disco seca, ele prepara invólucro de  plástico para proteção do LP do jeito que vem  de fábrica. Na discoteca, nem parece que ele comprou na rua.
O LP dominou o mercado durante uns 40 anos, quando foi substituído pelo Compact Disc. Hora, também, de todo mundo trocar  os aparelhos de som. Aqui em casa, não fiz como meu pai que se livrou da primeira eletrola. Guardamos o nosso modesto aparelho Sharp –Belt Drive Stereo Turntable. Ele aceita fita de áudio tape e toca LP. Uso pouco com medo  que a agulha se desgaste e não encontre outra no mercado.
Os CDs , que ocuparam o espaço dos Lps, parecem estar com os dias contados. Começam a ser substituídos  pela música na Internet, pelos pen drives e sabe-se lá o que vem mais por aí.
A coleção de LPs guardada no armário, já não é disputada apenas pelos colecionadores. Deixa de ser coisa de saudosista. Muitos artistas estão gravando de novo em vinil. Muda o perfil do comprador. A indústria do LP volta aos poucos.

Depois dessa entrevista do Rui Castro, em que  fala do cuidado com seus discos de vinil, juro que vou tratar os  meus  com mais carinho. Vou até programar um fim de semana para uma audição à moda antiga.

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