sexta-feira, 14 de março de 2014

O JORNALISTA QUE SERVIU A DEUS E AO DIABO




Não podia deixar passar em branco o  aniversário do jornalista Sebastião Nery. Não é todo dia que atravessamos os 80 anos. O  grande Sebastião Nery  nasceu tão magrinho que o "defuntinho" quase que foi enterrado vivo.  Desde então, vive sob a proteção de uma Nuvem. O trem apitou quando ele saiu de Jaguaquara, na Bahia, para ganhar o mundo. Antes do jornalismo passou pelo seminário. Aprendeu latim, português , filosofia e história Vários de seus colegas de seminário viraram bispo ou cardeal. E é ele que pergunta e responde: “Você sabe por que os cardeais todos passam dos 80 anos?

São cinco razões:

1) Comem devagar.
2) Tomam vinho no almoço.
3) Dormem depois do almoço.
4) Se tiver dívida, manda para o papa.
5) Se tiver dúvida, manda para Deus.

Sebastião, sem ser cardeal, também passou dos 80 anos, naturalmente, sem mandar as dívidas para o Papa, mas bebendo vinho, comendo devagar e mandando as dúvidas pra Deus.

Duas histórias contadas por ele. A primeira sobre a origem do folclore político na imprensa :

“No dia do aniversário de Juscelino Kubitschek (12 de setembro), eu fui fazer um artigo para o jornal Tribuna da Imprensa, contando umas histórias simples dele, mas o major Douglas, censor do Tribuna, me disse: “Nery, isso aqui não pode sair”. Acrescentou que Juscelino, Brizola e Dom Hélder não sairiam nem se fosse a morte da mãe. Aí eu disse para o Dílson Lages, que era o editor do jornal, para ele colocar uma coisa qualquer. Mas ele disse: “O jornal não roda. Com sinal de censura, o jornal não sai. Você tem que escrever alguma coisa”. Eu fui para a máquina e escrevi assim: “Alquimia das sete histórias de um gênio da raça”, sobre o José Maria. Acontece que, para testar, botei o Juscelino em uma das histórias. No outro dia, conferi: tinha sido tudo publicado. Aí o Abelardo Jurema, ex-ministro de Jango, disse: “Nery, que sacada fantástica a sua! Já que tem censura, você pode falar da política através do folclore político”.

Ele na TV Globo:   “Depois que eu deixei São Paulo, fui para o Rio, onde fui editor político da TV Globo e, mais uma vez, troquei Deus pelo Diabo. Naquela época, a Globo estava nascendo, e eu tinha feito um cursinho de televisão, em Paris, por conta do Partido Comunista. Comecei na Globo antes do  Walter Clark, antes do Boni (José Bonifácio Sobrinho), antes desse povo todo. Mauro Sales era o diretor geral e Eraldo Cardim era o diretor do departamento de jornalismo. Eu era repórter, apurador, redator e editor de política. Naquela época, só tinha um sujeito em cada editoria, nós éramos oito e fazíamos o jornal.

No início, o jornal era chamando de Ultra Notícias, mas nos negamos a manter aquele nome e fomos até Roberto Marinho e definimos que seria Jornal da Globo, que era transmitido às 20h. O Jornal Nacional só passou a existir depois que eles fizeram a rede, em 1972.

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