segunda-feira, 8 de junho de 2015

PASSEANDO PELA HISTÓRIA - "Sim+one" + one, como diria o Tom.

Simone Souto Maior


Ronan Soares
 
Depois de um longo tempo sem ver minha filha Simone Souto Maior, o Roberto d'Ávila, meu amigo, armou meu reencontro com ela. Eu estava divorciado há 5 anos e não seria simples, nem pra mim e nem pra ela. O Roberto marcou um almoço na churrascaria Plataforma, sem termos a certeza de que a Simone iria. Além do Roberto e do Fernando Barbosa Lima, estavam lá também o Borjalo, meu amigo, e um compositor que eu acho que vocês conhecem, chamado Antônio Carlos Jobim. O Roberto abriu o jogo pros convidados e explicou a minha situação do momento.
 
Tomamos umas e outras, até que aparece uma moça que, à primeira vista, eu não reconheci. Minha filha não era mais aquela adolescente, já era uma mulher. Não preciso dizer o que sentimos. Foi uma festa e todos comemoraram. Tom Jobim, para dar um tom de humor, escreveu num papel uma brincadeira para minha filha: "Sim + one"; eu brinquei com ele e disse:


- Eu não gosto muito de bossa nova, eu gosto mesmo é de tango argentino; no que ele respondeu:

 
- Teve uns tempos, nas minhas noites de músico de bar, que vinha muito argentino, eles enchiam a cara e lá pelas tantas eles pediam pra tocar um tango argentino, e eu tive de aprender.
 
- Então, em vez de cantar uma música dos tempos modernos, vamos voltar nos tempos do tango.
 
- Qual você sugere?
 
- Você conhece 'Cuesta Abajo'?
 
- Conheço, era uma das que eu mais tinha que tocar pra eles.
 
O tango dizia:


"Ahora cuesta abajo en mi rodada
Las ilusiones pasadas
Ya no las puedo arrancar.
Sueño, con el pasado que añoro,
El tiempo viejo que hoy lloro
Y que nunca volverá"


Em resumo: no dia seguinte, uma coluna social do Rio resumiu: 'Tom Jobim pode ser muito bom em bossa nova, mas de tango ele não sabe cantar nada'.
 
No dia seguinte, eu reencontraria meu filho Marcel, que também não via há muito tempo. Nunca mais nos separamos.
     

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